sexta-feira, novembro 23, 2007

Highlander - A Origem

Título Original:
"Highlander - The Source" (2007)

Realização:
Brett Leonard

Argumento:
Stephen Kelvin Watkins & Mark Bradley

Actores:
Adrian Paul - Duncan MacLeod
Thekla Reuten - Anna Teshemka
Cristian Solimeno - Guardião
Peter Wingfield - Methos


O quinto filme da saga Highlander traz-nos de volta um Duncan McLeod bastante abatido. Também não admira. Desde a série onde foi lançado, o actor Adrian Paul não conseguiu fazer nome por si próprio. Há sete anos atrás, com Highlander: Endgame, reuniam-se os dois parentes do Clã McLeod, Connor (Highlander I a III, e que também apresentara o primo no primeiro episódio da série, para passar o testemunho) e Duncan, numa produção com inúmeros reveses ao nível da montagem, a ponto de o compositor Nick Glennie-Smith abandonar o barco, farto de adaptar as suas composições a tantas alterações. O resultado foi um objecto incoerente e imprestável, uma sucessão de cenas confusas com lutas de espadachim amadoras pelo meio. E no final volta a só sobrar um, pelo que uma sequela pareceria impensável (pausa para nos recompormos do riso).

Highlander: A Origem vai pelo mesmo caminho, se não pior, por não ter aprendido a lição. Incha o peito a dizer que tem a realização de Brett Leonard, mas o que é que este realizador tem a mostrar de talento? Virtuosity, com Denzel Washington e Russell Crowe? Apesar dos nomes sonantes (e que se reencontram este ano em American Gangster) – na altura Crowe ainda não tinha ganho Óscares –, o filme é apenas sofrível. Mas o que dizer de Man-Thing, de 2005, que foi directamente para vídeo após metade uma audiência de teste ter saído a meio do filme? Ou o seu filme de estreia, The Lawnmower Man, que se dizia baseado numa história de Stephen King até este os obrigar a retirar o seu nome em tribunal?

As filmagens de Highlander: A Origem decorreram entre Outubro e Dezembro de 2005, ficando a montagem, os efeitos especiais e a banda-sonora (o compositor George Kallis teve ao seu dispor uma orquestra de oitenta músicos) para a primeira metade de 2006. Consecutivas datas de estreia foram adiadas até Fevereiro de 2007 aparecer uma cópia pirata na Rússia e as opiniões negativas chegarem de todos os quadrantes. Houve lugar a uma nova montagem (não a novas filmagens) e o filme acabou por não ter estreia cinematográfica nos EUA, vindo a estrear no canal temático Sci-Fi quatro dias após estreia nas salas Portuguesas.

Duncan McLeod continua a não ser o único imortal, apesar de se ter tornado no Only One no fim de Highlander: Endgame. Methos e outros três imortais estão à procura do Santo Graal, a fonte da imortalidade (prova de que o título portugal, A Origem, deveria ter sido traduzido como A Fonte), em busca de respostas. Estas encontram-se, aparentemente, «algures na Europa de Leste, num futuro próximo», exactamente onde Duncan se encontra à procura da esposa (uma mortal que o abandonou por ele não poder ter filhos, mas que vai demonstrar poderes mediúnicos para levá-los até à fonte... origem... da imortalidade, que afinal é uma cratera no meio dos bosques «algures na Europa de Leste», mas que flashbacks a tempos passados mostram como sendo num deserto de areia).

O vilão é o guardião da Origem, uma figurinha albina que se veste com o que sobrou do guarda-roupa de Massacre no Texas: O Ínicio e tenta mostrar aparato muscular para que não se lhe repare nas orelhas de Dumbo, A grande velocidade com que se mexe, torna-o só por si uma figura caricata, para não dizer cómica, mas de cómica a ridícula ainda vai um passo. Para dar esse passo, puseram-no a falar como um idiota. Não diz coisa com coisa e, quando diz, tem uma voz que o desmerece e umas poses frustrantes. Alguém se lembra de Judd Dredd, com Sylvester Stallone? Não, a comparação não é com Sly, salvo seja, é com um monstrengo de uma família de canibais que habitava a Terra Amaldiçoada. Há ali parecenças, não há dúvida (e, devido ao protector de pescoço que usa na primeira cena, dá uns ares a uma criatura de cabeça geométrica de Silent Hill).

Produzido por Davies & Panzer (Highlander The Series), a aposta anula-se na sua incapacidade de, por um lado, dar a menor frescura a personagens batidos e a uma história cheia de clichés e buracos, e por outro lado, de fazer cinema. Chamar a Highlander: A Origem de telefilme seria dar-lhe mérito que ele não tem. O ambiente apocalíptico a la Mad Max não serve qualquer propósito, e a gang de canibais (porquê canibais?) é uma daquelas criações demasiado más para serem verdade (primeiro, porque já estamos fartos de vilões de pacote, e depois porque reaparecem contra toda a lógica possível). O reencontro entre Duncan e a esposa é de uma inépcia total e os pouco e rápidos combates de espadachim não exigiram o menor treino (com excepção, eventualmente, do primeiro, na torre de comunicações). Quanto aos efeitos visuais, nomeadamente a dupla imagem, devem ter sido feitos com software topo de gama... em 1992 (ano de The Lawnmower Man).

® Ricardo Lopes Moura

2 Comments:

At 9:33 da tarde, Blogger _Loot_ said...

Só uma pequena correcção em Highlander: Endgame Duncan não é o último dos imortais, ainda existe Methos (que aparece no fim) e a mulher penso que também não morre e nunca dá a entender que não há mais, pois este filme tem um pouco da série, nos anteriores aí sim Connor era sempre o último ao final dos filmes, só não me lembro no 2 que tinha uma estória completamente diferente dos outros.

Dito isto, não vi este filme, que tem todo o ar de ser mau como os anteriores. Via a série quando era miúdo e gostava, mas os filmes, só o primeiro é que escapa e é mais pela piada de ser realmente o primeiro a introduzir esta mitologia dos imortais.

 
At 3:49 da manhã, Blogger Tommy said...

Existe um final alternativo de Highlander: End Game que mostra que a mulher não morre. Ela diz que fugiu, ou algo do ipo, e termina o filme com Duncan. Quem escreveu isso, dizendo que End Game termina com Duncan sendo u ultimo imortal é um ANIMAL e um IDIOTA, e deveria procurar saber mais de dinema antes de tentar bancar o crítico de filmes.

Sim, The Source é tosco, mas eu gostei do filme.


No mais, é só isso.

 

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