sexta-feira, julho 01, 2005

Submarino Amarelo

Título Original:
"Yellow Submarine" (1968)

Realização:
George Dunning

Argumento:
Al Brodax, Jack Mendelsohn, Lee Minoff (história), & The Beatles (músicas)

Actores:
The Beatles - The Beatles (voz nas músicas, próprios no epílogo)
Paul Angelis - Chefe Blue Meanie; Ringo (voz)
John Clive - John (voz)
Dick Emery - Jeremy Hilary Boob, Ph.D (Nowhere Man); Lord Mayor; Max (voz)
Geoffrey Hughes - Paul (voz)...

Antes de começar a review desta semana vou deixar um pequeno esclarecimento relativamente à utilização do sistema de pontuação por estrelas, com o qual inicio esta semana a sua inclusão nas críticas. A utilização desta pontuação será feita, pela minha pessoa, tendo sempre em conta o género no qual o filme se enquadra. Como tal, a título de exemplo, se eu der a The Bourne Identity um 9 e a The Straight Strory um 9, tal não representa que sejam as duas obras equivalentes em termos de qualidade mas sim que, cada uma com as suas proximidades ao género acção e drama respectivamente, encontram-se muito bem realizadas. Julgo que qualquer leitor ou colaborador deste projecto tem presente esta distinção mas, para efeitos de “descargo de consciência”, resolvi deixar em escrito esta ideia.

Focando agora a atenção na razão que leva-me todas as semanas aqui a escrever, os filmes, esta semana a obra seleccionada é Yellow Submarine, uma das mais atraentes obras animadas que até hoje visionei. É evidente que o facto de ser um gigantesco fã de Beatles pode eventualmente condicionar um pouco esta minha crítica mas irei tentar que tal não ocorra (ou será que já ocorreu?).

Em 1968, dois anos após o início da série televisiva animada dos The Beatles ter iniciado, é lançado Yellow Submarine. Quando foram contactados para discutir o filme, John, Paul e companhia, que odiavam a série televisiva, viram nesta obra uma forma rápida de despacharem o último filme para o qual tinham firmado contracto. Enviaram uma série de músicas antigas e quatro novas e a sua participação ficou basicamente por aí! Quando viram o produto final, ficaram de tal maneira rendidos ao filme que filmaram um pequeno epílogo em imagem real que foi então acrescentado a Yellow Submarine.

Como é sabido a história baseia-se em várias músicas dos Beatles, entre as quais, como é evidente, a que dá nome ao filme, Yellow Submarine. O Capitão Fred é o único indivíduo de Pepperland que consegue escapar ao feroz ataque dos Blue Meanies. No seu submarino amarelo tenta procurar ajuda e acaba por encontrar Ringo que, após ouvir a sua história tenta convencer o resto da banda a acompanhar o Capitão Fred e salvar Pepperland dos terríveis inimigos da música, os Blue Meanies.

Se a história aparenta ser tresloucada o resultado final do filme é absolutamente indescritível! Diálogos desconexos, animação estranha que parece saída de uma mente completamente cheia de alucinogénios, enfim, só visto pois por palavras torna-se quase impossível.

Mas quando se fala de Yellow Submarine, se louco é dos primeiros adjectivos que nos vem à mente, há um outro que igualmente se aplica na perfeição a esta obra, genial! Com uma cinematografia e direcção artística absolutamente brilhantes e uma animação muito distinta e interessante, a que é por muitos considerada a obra prima da filmografia dos The Beatles, é de facto um marco no cinema de animação e um eterno monumento a todos os anos 60 e ao psicadelismo que o percorreu e, em parte, representou. Os diálogos, apesar de desconexos, estão recheados de referências culturais, musicais, entre outras, que representam um desafio suplementar à total compreensão do filme. Igualmente digno de nota é o humor muito refinado, um pouco ao contrário do que acontecia por exemplo em Help, e que se adequa na perfeição à animação com que somos brindados.

Yellow Submarine acima de tudo sobressai por méritos próprios. Um pouco ao contrário de Help ou A Hard Day's Night, não existe apenas o interesse em ver o filme porque os The Beatles o protagonizam, não, existe brilhantismo na animação, na arte conceptual, no argumento... é definitivamente uma obra a ver, ou rever, por qualquer amante do cinema, nem que seja pelo seu valor histórico. Referência, como sempre, à edição nacional em DVD que possui uma qualidade bastante razoável, principalmente tendo em conta o tempo que já decorreu desde o seu lançamento. Encontrámos alguns extras e a edição do filme é totalmente restaurada possuíndo uma qualidade, tanto a nível de imagem como de som, absolutamente fenomenais.

Bons filmes e até para a semana.

® Bruno Sá

1 Comments:

At 6:52 da tarde, Blogger André Batista said...

É assim tão bom? Tenho o filme em vídeo, e já o vi varíadissimas vezes só para me entreter, não para admirar um clássico. Boa análise acima de tudo! ;)

 

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