terça-feira, julho 19, 2005

Perto Demais


Título Original:
"Closer" (2004)

Realização:
Mike Nichols

Argumento:
Patrick Marber

Actores:
Julia Roberts - Anna
Jude Law - Dan
Natalie Portman - Alice
Clive Owen - Larry


Dan, um aspirante a romancista que escreve na secção necrológica de um jornal, conhece por acidente a americana Alice, uma jovem stripper recém chegada a Londres com quem inicia um romance e que serve de musa inspiradora para o seu primeiro livro. Porém, o destino coloca no seu caminho a fotografa Anna, uma mulher mais velha e segura que lhe desperta uma paixão secreta. E em adição a este triângulo amoroso junta-se Larry, um médico que através de um mal entendido conhece a fotografa, e acaba por casar-se com ela. Posto isto, segue-se uma miscelânea de traições entre os quatro, uma derrota da fidelidade enquanto valor a preservar, e um triunfo da fraqueza e atracção humana no que respeita a tentações.

Perto Demais é um assim testemunho da fragilidade do ser humano em ser fiel aos seus próprios valores. Um exemplo cru mostrado através de casais unidos por atracção e sem capacidade de criarem laços afectivos sinceros entre si. É nisso que Perto Demais é Closer – um close up do homem e mulher actual.
Porém, o filme não é uma obra-prima. Longe disso, as questões que ali são discutidas já foram expostas em diferentes filmes e séries ao longo dos anos, ou não fosse o amor – tema base de Perto Demais – a principal matéria-prima da maior parte das obras do grande e pequeno ecrã (e não só). Contudo, e apesar de abordar um tema universal já muito explorado, o filme destaca-se pela maneira crua como exemplifica os relacionamentos amorosos na sociedade contemporânea, a sua frouxidão perante o desejo e a incapacidade do ser humano em manter-se verdadeiramente fiel a quem é ama, ou a quem pensa amar.

Passado numa Londres tipicamente cinzenta, Perto Demais é também ele um filme a preto e branco, pois o destino daquelas pessoas em nada é colorido. As personagens, sem qualquer grama de amor sincero, não passam de soldados numa guerra declarada contra o romance, e infelizmente não estão no lado dos aliados. Nenhum dos quatro tem algo a ensinar a não ser maus exemplos, ou por outras palavras, a exemplificarem uniões à base de atracção física que dissolvem-se à medida que a novidade perde a graça.
Apesar do tradicional jogo de desilusões e afrontamentos, Perto Demais não é um filme de fácil digestão. O texto é duro e rude, com momentos em que roça o porno-erotico e agride quem ainda possa acreditar na lealdade total entre pessoas que (supostamente) se amam. Por outras palavras, diálogos modernos mas demasiadamente teatrais.

Com um leque de actores tão populares a servir de atracção, Perto Demais é um filme que parece querer ser algo que não é. Um argumento reciclado e complexo, que mistura diversos estereótipos e situações para dizer o mesmo do costume. O filme é cansativo onde devia ser interessante, e chega a prender somente pelo desejo que o espectador tem em saber o final da história. Fora isso, é o mesmo do costume, ou seja, mais do mesmo.
A salvar a honra do filme está a magnífica interpretação de Natalie Portman, que convence no papel da astuta stripper Alice, que transborda perfeitamente inteligência e sensualidade ao mesmo tempo, devido ao grande desempenho da actriz. E a fazer companhia a Portman nas boas interpretações, está Clive Owen, que surpreende pela forma ímpar como consegue tornar uma personagem secundária na peça principal do jogo. Estes dois actores venceram o Globo de Ouro nas suas respectivas interpretações enquanto actriz e actor secundário, e também foram nomeados para o Óscar na mesma categoria, ou não fossem ambos os pilares de Perto Demais.
Por seu lado, Júlia Roberts está sufocada na fria Anna. Devido à mediocridade da personagem e à sua falta de características peculiares, Júlia constrói uma Anna a quem se vê o corpo, mas não se sente a alma. A personagem rouba-lhe espaço ao seu talento, e a actriz fica à sombra dos seus colegas Portman e Owen, tal como acontece com Jude Law, que tem em Dan um papel fútil e desinteressante. Dos quatro, ele é a personagem mais falsa e cínica, não transparecendo qualquer carisma ao longo do filme. Interpretações que não estão no mesmo lado da balança, e que infelizmente não chegam para fazer de Perto Demais um clássico.

® Fábio Guerreiro

8 Comments:

At 9:44 da manhã, Anonymous S0LO said...

Gostei da crítica, mas para mim este é um dos filmes do ano!

Cumprimentos cinéfilos

 
At 5:05 da tarde, Anonymous Samuel Maia said...

Ouvi tanto falar neste filme que há pouco tempo atrás não resisti e aluguei-o. Fiquei surpreendido pois esperava algo diferente, as mesmas lamechices românticas do costume. No entanto não me decepcionei. Assitindo ao filme parece que estamos a assitir a uma peça de teatro televisivo (ou não tivesse o filme sido adaptado da peça de teatro homónima de Patrick Marble, pelo próprio)onde as relações entre as pessoas de hoje em dia são postas a nú: as acções que deviam ou não deviam ser praticadas, as palavras boas ou más que deviam ou não deviam ser ditas. A boa interpretação do quarteto de actores foi uma mais-valia para o filme, apesar de não teres apreciado a interpretação da Julia Roberts. O que não concordo é com a tradução portuguesa do título original do filme, seria mais correcta, até se considerarmos com atenção a temática, a tradução "Mais Perto" do que "Perto Demais" Também gostei da canção com o qual o filme começa e termina. Talvez um dia a possas colocar aqui no blogue para eu me recordar.
Boa escolha.

 
At 10:20 da manhã, Blogger Daniel Pereira said...

Excelente filme que estará em várias listas de final de ano.

 
At 4:22 da manhã, Anonymous EDERSON said...

GOSTEI DA CRÍTICA TAMBÉM MAS SEM DÚVIDA É UM DOS FILME QUE MAIS MOSTRA A REALIDADE DA NOSSA SOCIEDADE A CONFUSÃO DE AMOR E DESEJO E A FUTILIDADE DAS RELAÇÕES DE HOJE EM DIA.TALVEZ O FILME EXAGERE NOS PERSONAGENS QUANDO OS ROMANTICOS SÃO ROMANTICOS DE MAIS, OU QUANDO FRIOS SÃO FRIOS DE MAIS MAS ESSE EXAGERO SEJA O FATO DE ESTAR OLHANDO AS RELAÇÕES BEM DE PERTO E VENDO COMO SÃO AS EMOÇÕES REAIS OU NÃO DE CADA PERSONAGEN.

 
At 4:24 da manhã, Anonymous EDERSON said...

nowlblogGOSTEI DA CRÍTICA TAMBÉM MAS SEM DÚVIDA É UM DOS FILME QUE MAIS MOSTRA A REALIDADE DA NOSSA SOCIEDADE A CONFUSÃO DE AMOR E DESEJO E A FUTILIDADE DAS RELAÇÕES DE HOJE EM DIA.TALVEZ O FILME EXAGERE NOS PERSONAGENS QUANDO OS ROMANTICOS SÃO ROMANTICOS DE MAIS, OU QUANDO FRIOS SÃO FRIOS DE MAIS MAS ESSE EXAGERO SEJA O FATO DE ESTAR OLHANDO AS RELAÇÕES BEM DE PERTO E VENDO COMO SÃO AS EMOÇÕES REAIS OU NÃO DE CADA PERSONAGEN.

 
At 4:24 da manhã, Anonymous Ederson said...

GOSTEI DA CRÍTICA TAMBÉM MAS SEM DÚVIDA É UM DOS FILME QUE MAIS MOSTRA A REALIDADE DA NOSSA SOCIEDADE A CONFUSÃO DE AMOR E DESEJO E A FUTILIDADE DAS RELAÇÕES DE HOJE EM DIA.TALVEZ O FILME EXAGERE NOS PERSONAGENS QUANDO OS ROMANTICOS SÃO ROMANTICOS DE MAIS, OU QUANDO FRIOS SÃO FRIOS DE MAIS MAS ESSE EXAGERO SEJA O FATO DE ESTAR OLHANDO AS RELAÇÕES BEM DE PERTO E VENDO COMO SÃO AS EMOÇÕES REAIS OU NÃO DE CADA PERSONAGEN.

 
At 4:25 da manhã, Anonymous Ederson said...

GOSTEI DA CRÍTICA TAMBÉM MAS SEM DÚVIDA É UM DOS FILME QUE MAIS MOSTRA A REALIDADE DA NOSSA SOCIEDADE A CONFUSÃO DE AMOR E DESEJO E A FUTILIDADE DAS RELAÇÕES DE HOJE EM DIA.TALVEZ O FILME EXAGERE NOS PERSONAGENS QUANDO OS ROMANTICOS SÃO ROMANTICOS DE MAIS, OU QUANDO FRIOS SÃO FRIOS DE MAIS MAS ESSE EXAGERO SEJA O FATO DE ESTAR OLHANDO AS RELAÇÕES BEM DE PERTO E VENDO COMO SÃO AS EMOÇÕES REAIS OU NÃO DE CADA PERSONAGEN.

 
At 4:25 da manhã, Anonymous ederson said...

GOSTEI DA CRÍTICA TAMBÉM MAS SEM DÚVIDA É UM DOS FILME QUE MAIS MOSTRA A REALIDADE DA NOSSA SOCIEDADE A CONFUSÃO DE AMOR E DESEJO E A FUTILIDADE DAS RELAÇÕES DE HOJE EM DIA.TALVEZ O FILME EXAGERE NOS PERSONAGENS QUANDO OS ROMANTICOS SÃO ROMANTICOS DE MAIS, OU QUANDO FRIOS SÃO FRIOS DE MAIS MAS ESSE EXAGERO SEJA O FATO DE ESTAR OLHANDO AS RELAÇÕES BEM DE PERTO E VENDO COMO SÃO AS EMOÇÕES REAIS OU NÃO DE CADA PERSONAGEN.

 

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