quarta-feira, maio 30, 2007

20,13

Título Original:
"20,13" (2006)

Realização:
Joaquim Leitão

Argumento:
Tino Navarro & Luís Lopes

Actores:
Marco D'Almeida - Alferes Gaio
Adriano Carvalho - Capitão
Carla Chambel - Esperança
Maya Booth - Leonor


Segunda parte de uma trilogia dedicada à guerra colonial (a primeira foi Inferno, de 1999), 20,13 decorre na véspera de Natal de 1969, num quartel de Moçambique, e centra-se nos acontecimentos de uma noite determinante para todos os soldados e restantes presentes no local.

À semelhança da maioria dos títulos da sua filmografia, Joaquim Leitão apresenta aqui uma obra que, contrariamente a algum cinema nacional, é feita a pensar no grande público, mas não deixa por isso de ser uma proposta que responde aos graus de exigência necessários para que se encontra aqui uma interessante experiência cinematográfica.

Interligando uma história marcada por algum suspense (há um assassinato cujo responsável só é revelado no final) e conturbadas relações amorosas com um olhar sobre o quotidiano dos recrutas da base militar, 20,13 oferece uma eficaz reflexão sobre a vida e convivência num quartel, assim como dos sacrifícios que os que aí se encontram estão dispostos - ou são obrigados - a fazer, onde persiste um forte sentimento de perda aliado a traços de esperança que se insinuam a espaços.

Do meio deste retrato de grupo emergem algumas figuras mais determinantes para a narrativa, casos do capitão Costa e do alferes Gaio, pólos opostos (ou, como o filme vai revelando, talvez nem tanto) devido às diferenças de posicionamento perante a guerra. O primeiro, austero e empenhado, defende os propósitos e interesses do regime sem hesitações; já o segundo adopta uma postura mais ambígua, cumprindo a sua missão sem falhas mas mantendo sempre reservas quanto ao conflito em que está envolvido.
A posição respeitável e sem manchas do capitão ameaça, no entanto, ficar comprometida devido à sua relação (naturalmente secreta) com um enfermeiro mais novo, sobretudo quando a sua esposa faz uma visita-surpresa ao quartel e, mais ainda, depois do jovem ser encontrado morto, vítima de homicídio.

Joaquim Leitão oferece uma obra sóbria, alternando com segurança cenas de acção com momentos mais apaziguados onde o combate é então verbal, em particular nas cenas de discussão conjugal.
O realismo surge como elemento sempre presente, auxiliado por um elenco coeso (Marco d'Almeida, no papel de Gaio, é exemplar e magnético) e por uma reconstituição histórica igualmente fulcral para que as peripécias sejam verosímeis. Não menos relevante é a banda-sonora, com destaque para as canções de José Afonso (Menina dos Olhos Tristes) e Madalena Iglésias (Ele e Ela), ambas cantadas durante uma festa mas despoletando ressonâncias emocionais bem díspares em algumas personagens.

Nem tudo resulta, contudo, já que o mistério policial (de contornos bíblicos, tanto que o número de um dos versículos e capítulos até originou o título do filme) é mais previsível do que intrigante, sendo a última cena dispensável, uma vez que apenas reforça uma certeza que sequências anteriores já haviam confirmado.
Certas personagens ganhariam com um maior desenvolvimento (pelo menos as do médico e esposa), mas o retrato colectivo é bem conseguido e, mesmo nunca sendo genial, há que reconhecer que 20,13 é uma obra séria, inteligente e escorreita, características que poucos filmes portugueses estreados em 2006 podem orgulhar-se de possuir. Razões mais do que suficientes, então, para não deixar passar esta boa proposta, talvez a melhor de Joaquim Leitão.

® Gonçalo Sá

4 Comments:

At 3:33 da tarde, Anonymous Anónimo said...

ESTREIA-DEBATE NO CINE-TEATRO MUNICIPAL JOÃO MOTA

O FILME PORTUGUÊS
"WAITING FOR EUROPE"
VAI ESTREAR EM SESIMBRA
A 16 DE JUNHO,
PELAS 21.00 Horas
COM A PRESENÇA DA REALIZADORA CHRISTINE REEH


O filme português “Waiting for Europe”, realizado por Christine Reeh e produzido pela C.R.I.M Produções, vai ter uma estreia-debate, com a presença da realizadora, em Sesimbra, no Cine-Teatro Municipal João Mota, dia 16 de Junho, ás 21.00 horas, com o apoio da Câmara Municipal de Sesimbra.

Participam no painel-debate, para além da realizadora Christine Reeh, o Dr. Rui Marques, Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, a Dra. Inês Fontinha, Secretária Geral do Ninho, a Dra. Eva Bacelar, da Procuradoria Geral da República e Presidente da Secção Portuguesa do Congresso dos Antigos Funcionários da União Europeia, a Dra. Marina Kolarova, da Associação Portugal-Bulgari, o Prof. Jorge Malheiros, da Faculdade de Letras de Lisboa e a Dra. Maria Cristina Santinho, do ISCTE.

A C.R.I.M Produções, abriu um concurso de crítica ao filme, aberto a estudantes do ensino secundário e superior, e o Banco Espirito Santo, abriu um concurso de crítica ao filme, para imigrantes.

“Waiting for Europe” (À Espera da Europa”), ganhou o Best International Documentary no Festival "The New York International Independent Film and Video Festival" (apresentação de Los Angeles) e está seleccionado para a competição em Nova Iorque, em Julho, e, também para a competição do European Documentary Film Contest (Huesca).




O filme rodado em Lisboa, Alcalá de Henares, Sofia e Blavoegrado, acompanhou durante dois anos, Vânia, uma imigrante do leste europeu em Portugal e Espanha. Trata-se de um retrato intimista sobre a imigração feminina.


“Waiting for Europe”, rodado em três países, Portugal, Espanha e Bulgária, foi produzido com o apoio do Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimedia (ICAM), da RTP, do Ministério da Cultura, dos Médicos do Mundo, da Universidade de Alcalá de Henares , da Universidade Fernando Pessoa, da Câmara Municipal de Blavoegrado, do Instituto de Cinema Búlgaro, da PROFILM (Bulgária) e da Associação Aibebalcan em Espanha.


O ACIME (Alto Comissariado para a imigração e Minorias Étnicas), o Banco BES (www.bes.pt /novos residentes), a Federação Portuguesa dos Cineclubes, Associação Bulgari, e as câmaras municipais, colaboram nas estreias-debate a realizar em Portugal.
A Universidade de Alcalá de Henares, vai promover um conjunto de estreias-debate do “Waiting for Europe, em colaboração com outras Universidades espanholas.


As últimas estreias-debate do filme, foram realizadas, no Auditório da Faculdade de Ciências Socias e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Centro de Estudos de Migrações e Minorias Étnicas) a 3 de Maio, em Monção a 27 de Abril, em Vila Real de Santo António, no Centro Cultural António Aleixo, a 26 de Maio.

O filme foi ainda estreado no Luxemburgo, a 8 de Maio, na Cinemateca de Luxemburgo, numa iniciativa conjunta da ASTI (Association de Soutien aux Travailleurs Immigrés) e da Cidade de Luxemburgo, com o apoio das duas centrais sindicais, da Associação de Amigos do 25 de Abril e ainda de associações de imigrantes portuguesas e búlgaras.


A revista "Cinema" da Federação Portuguesa dos Cineclubes, na sua edição Abril-Junho, nº37, publica um dossier sobre o "Waiting for Europe", que inclui uma entrevista a Christine Reeh, um artigo de André Martins, uma critica de Marta Mikolajczak, filmóloga polaca e um texto crítico de Paulo Duarte Teixeira, Presidente da Associação Jurídica do Porto e Magistrado Judicial. Na capa, Christine Reeh.




C.R.I.M Produções
Telf./Fax.218463284
Tm.918719003
crimproductions@netcabo.pt

 
At 3:34 da tarde, Anonymous Anónimo said...

CONCURSO DE CRÍTICA AO FILME
“ WAITING FOR EUROPE”
“À ESPERA DA EUROPA”




A C.R.I.M Produções decidiu abrir um concurso de crítica ao filme “Waiting for Europe”(À Espera da Europa), filme documentário criativo que aborda a problemática da imigração do Leste Europeu para Portugal e Espanha, aberto a estudantes do ensino secundário e superior com o objectivo de estimular a crítica de cinema entre estudantes.
O filme vai ser estreado em diversas localidades do País até Setembro de 2007. Os estudantes dessas localidades estão convidados a assistir ao filme (com entrada gratuita) e poderão remeter as suas críticas até 30 de Setembro de 2007.
As melhores críticas serão publicadas na página (www.waitingforeurope.net) ou na imprensa.


REGULAMENTO

1. Todos os estudantes interessados em participar no concurso de crítica “Waiting for Europe”, estão convidados(entrada gratuita) a assistir ás estreias-debate com a presença da realizadora Christine Reeh.

2. As críticas ao filme podem ser remetidas para crimproductions@netcabo.pt e devem ter no máximo 3000 caracteres. Devem ser assinadas por pseudónimo, embora os concorrentes remetam paralelamente pelo correio para Crim Produções, Av. Almirante Reis, nº221, 1º Esqº- 1000-049, Lisboa. O texto impresso em A4, acompanhado de um envelope fechado que contenha, o nome do concorrente, o nome da sua escola, o seu nº de bilhete de identidade, a sua morada e um número de telefone ou telemóvel. Só serão aceites em concurso as críticas enviadas nestas condições e remetidas até 30 de Setembro de 2007.

3. O júri do concurso será constituido por um representante da C.R.I.M Produções, uma personalidade de reconhecido valor da cultura portuguesa e será presidido por um crítico de cinema da imprensa diária.

4. O concurso atribuirá um primeiro prémio no valor de 500 euros para a melhor crítica concorrente e um dvd com a série de 4 filmes “Outros sonhos” da realizadora Christine Reeh.

5. O concurso atribuirá ainda 20 segundos prémios que consistirão na oferta de um Dvd do Filme “Waiting for Europe”(À Espera da Europa)

6. O resultado do concurso será anunciado após a reunião do júri em 20 de Dezembro de 2007.

7. As críticas enviadas serão publicadas, pela ordem e pela data de entrada, com pseudónimo na página (www.waitingforeurope.net). A partir do anúncio dos resultados do concurso, as críticas serão publicadas com o nome do autor, salvo se houver indicação em contrário.

8. A organização do concurso publicará todas as críticas desde que mantenham padrões minímos de qualidade.

 
At 8:49 da manhã, Blogger Flávio said...

"Nem tudo resulta, contudo, já que o mistério policial (de contornos bíblicos, tanto que o número de um dos versículos e capítulos até originou o título do filme) é mais previsível do que intrigante..."

Nem mais. A intriga policial é tosca, mesmo básica, o Leitao nao faz a mínima ideia do que seja um 'whodunit'. Ao contrário do que ele e muito boa gente pensa, o policial nao é um género inferior, a sua escrita é complexa e uma verdadeira ciencia. Esse foi o grande problema do filme, acho eu.

O segundo problema é a guerra colonial. Os cineastas portugueses têm uma obsessao quase doentia com a guerra colonial. Além de nao haver um único filme de jeito sobre o assunto, o problema é que a esmagadora maioria do público de cinema é composta por jovens que nao sabem nem querem saber o que foi a guerra colonial.

Acho que foste demasiado generoso com o filme, Goncalo.

 
At 10:17 da manhã, Anonymous gonn1000 said...

A classificação que lhe atribuí foi de 6/10, não 7/10, houve um engano ali nas estrelas.
Não acho que seja um grande filme, mas é um "filme de jeito", mesmo assim.

 

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