terça-feira, maio 03, 2005

Espanglês

Título Original:
"Spanglish" (2004)

Realização:
James L. Brooks

Argumento:
James L. Brooks

Actores:
Paz vega – Flor
Adam Sandler – John Clasky
Téa Leoni – Deborah Clasky



Espanglês conta a história de Flor, uma mãe mexicana que emigra para os Estados Unidos com a sua filha Cristina, e que acaba por arranjar emprego na casa da família Clasky. E como em qualquer tipo de representação onde exista uma protagonista mexicana que se preze, Flor acaba por tornar-se o pilar e saco de boxe da casa num tempo recorde de 130 minutos. Mais meia dúzia de piadas a seguir, cinco discussões, três jovens promessas, um actor cómico, uma velha bêbeda e uma co-protagonista neurótica á la Beleza Americana, e Espangles já está acabado. Mas mesmo que ninguém tenha dado pelo desenrolar do filme, Espanglês deixa o espectador a pensar no que ali aconteceu. E porquê? Simplesmente porque funciona muito melhor enquanto história do que filme.

Embora o título leve a pensar que acção baseia-se somente na muralha linguística entre o inglês e o espanhol, Espanglês aborda mais do que isso. Temas como a relação entre pais e filhos, a pressão, a mentalidade, a adolescência, o casamento e obviamente alguns dos problemas levantados pela globalização, estão presentes neste filme onde um dos únicos pecados é o de intitular-se de comédia. É certo que existem momentos engraçados, mas não dignos de risos. Sorriso quiçá, mas mais do que isso já é exagerar.
Espanglêsfuncionaria muito melhor, e acabaria por deixar a sua marca no reino da sétima arte possivelmente, se se intitulasse de drama em vez de baloiçar entre o triste e o engraçado. Poderia ter triunfando mais na lista de filmes favoritos das pessoas se assim o fosse, e quem sabe ganho um ou outro Óscar. Mas infelizmente Espanglês não é assim, e duvido que alguém ainda lembre-se deste filme daqui a uns anos. E isso é de lamentar porque a ideia base é interessante, mas o filme não faz jus ao argumento.

No papel do bem sucedido chefe de cozinha John Clasky, Adam Sandler não surpreende mas também não desaponta. O actor está com o seu à vontade do costume e desempenha bem a sua parte, embora a personagem em si merecesse mais garra. Para americano é muito europeu, que é como quem diz muito melodramático.
Téa Leoni por sua vez, dá um show no papel da (insegura e) neurótica Deborah Clasky, uma personagem cujo perfil já vi em outras películas de realizadores diferentes, mas que aqui até que roça o diferente devido ao lado físico/desportivo da personagem.
Contudo, as melhores presentações de Espanglês ficam a cargo das três "desconhecidas" actrizes Paz Vega, Shelbie Bruce e Sarah Steele.
No papel da protagonista Flor, Paz Vega encanta o filme com a sua beleza, prenúncia e representação. Aquela personagem humana e carinhosa é rara de se encontrar em filmes e vida real. Paz ilumina Espanglês em cada cena que aparece. O filme chega a ser ela.
Por seu lado, as iniciantes Shelbie Bruce e Sarah Steele são futuras promessas no mundo do cinema. A primeira está excepcional enquanto Cristina, a pequena filha de Flor que fala as duas línguas e que traduz a mãe. Shelbie passeia ao longo do filme com uma naturalidade que é possível pensar que ela é mesmo filha de Flor (Paz Vega). Enquanto isso a estreante Sarah Steele (é ela a jovem de aparelho no videoclip Beautiful de Christina Aguilera?), destaca-se de todo o restante elenco pelo seu carisma e representação no papel de Bernice, a filha adolescente de John e Deborah. Para iniciante, Steele está ímpar e é das melhores surpresas do filme.

Resumidamente Espanglês é um filme sobre a complicação das questões linguísticas e humanas, e ao mesmo tempo um desfile de excelentes representações.
Só é pena que falhe enquanto comédia, e que não triunfe enquanto drama. Espangles merecia um lugar melhor na história do cinema, do que somente este de filme cujo destino é ser esquecido.

® Fábio Guerreiro

1 Comments:

At 12:43 da manhã, Blogger gonn1000 said...

Não é brilhante, mas tem bons actores, boas personagens e um argumento muito razoável. Não será um dos melhores do ano mas também não envergonha ninguém. Esperava muito menos...

 

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