sexta-feira, agosto 25, 2006

Miami Vice

Título Original:
"Miami Vice" (2006)

Realização:
Michael Mann

Argumento:
Michael Mann & Anthony Yerkovich

Actores:
Colin Farrell - Detective James 'Sonny' Crockett
Jamie Foxx - Detective Ricardo Tubbs
Li Gong - Isabella
Naomie Harris - Trudy Joplin


Michael Mann prova mais uma vez que é um dos mestres dos filmes de acção incomuns- leia-se, acção em câmara lenta -, com a adaptação de Miami Vice, uma das séries de culto dos anos 80, a invadir os cinemas em 2006.

Como um dos produtores executivos da série Miami Vice (Acção em Miami), protagonizada originalmente por Don Johnson e Philip Michael Thomas, Michael Mann (cujo mais recente êxito foi Colateral, a par de outros como O Informador ou Heat – Cidade Sob Pressão) soube transportar para esta adaptação contemporânea um pouco da movida e do glamour que já caracterizavam a sua progenitora. Juntando-lhe os aromas fortes e as ambiências de Cuba, ali tão perto, e colocando o carisma da série nas estrelas actuais Jamie Foxx (Ricardo ‘Rico’ Tubbs) e Colin Farrell (James ‘Sonny’ Crockett), Mann pegou na feroz luta contra o crime organizado que já dava mote aos anteriores episódios e construíu um episódio-resumo, em que o foco é o combate, sob disfarce, a cartéis de droga comandados por senhores da América Latina.

Aqui, Tubbs e Crockett sáo encarregados de se disfarçarem de traficantes para entrar no seio de uma dessas organizações e desmembrar o sistema que transporta droga para a costa americana. Só que, a páginas tantas, as suas vidas pessoal e profissional misturam-se, tornando a tarefa bem mais complicada do que à partida parecia: a desconfiança de Yero (John Ortiz), capataz de Montoya (Luis Tosar) resulta no rapto da companheira de Tubbs (interpretada por Naomie Harris), ao mesmo tempo que Crockett se envolve num perigoso romance com Isabella (Gong Li), a amante de Montoya e também ela negociante. Resultado: os planos iniciais da dupla têm que ser reelaborados, para diminuir os riscos que começam a aumentar com o envolvimento de outros grupos suspeitos.

Miami Vice não prima por uma soberba inteligência de argumento, nem sequer apresenta a novidade e o furor que a primeira série causou. Contudo, Mann conduz-nos novamente através de uma bem entrelaçada teia de acontecimentos, doseando, como de costume, as sequências de acção sem se aproveitar disso para produzir mais um filme de acção género “mais do mesmo”, ou puro blockbuster. Nesse sentido, e tal como em Colateral, ele arrasta-nos com os protagonistas através da noite, conservando a habitual aura de mistério e penumbra – e nem a cena de discoteca falta, desta vez logo ao início, introduzindo-nos logo em cheio numa perseguição labiríntica. Adepto dos zooms e dos planos íntimos, ele não se limita a divertir mas antes mergulha o espectador directamente no filme, em todos os momentos.

Os personagens, como seria de esperar neste tipo de filme, não são excessivamente complexos nem planos: os actores limitam-se a cumprir o seu papel, sendo Foxx o bonzinho discreto e Farrell o sex-symbol romântico, protagonista de tórridas mas belas e interessantes cenas com Gong Li. Neste ponto, nota-se que Mann prossegue a tradição dos filmes de acção, não se centrando nos personagens mas sim na história e na forma como ela se conduz a si própria, sendo somente enriquecida pelo suficiente carisma dos protagonistas.

Não sendo genial, Miami Vice é, ainda assim, uma boa proposta cinematográfica para este Verão: cativante banda sonora, bons ambientes recheados de sensualidade, diálogos simples mas com sumo e o estilo único de Mann encarregam-se de o tornar apelativo q.b. – mesmo que para um público restrito, que aprecia acção mastigada com sabedoria, aos poucos, e digna de ingestão e digestão graduais. Tal qual um bom vinho, Miami Vice é para degustar aos poucos…

® Andreia Monteiro

2 Comments:

At 11:56 da manhã, Blogger cine7 said...

Miami Vice até não desapontou quem via a série, pelo menos as pessoas que conheço. Nota-se que houve um cuidado no argumento para tentar não ser "mais um do mesmo" género de filmes e a banda sonora, que cada vez mais se torna um elemento importante para os filmes, é de facto muito boa.

Cumprimentos, Isabel

 
At 1:51 da tarde, Blogger giannivico said...

Michael Mann não é o mestre da "câmara lenta" porque o filme quase não tem câmara lenta. É o mestre "mainstream" da câmara digital. O filme é mesmo muito bom. Os actores passeiam classe. A estória é simples, a banda sonora é "cool" até fazer chorar as pedrinhas da calçada e até fico com vontade de ter um bigode igual ao raio do bigode do Colin Farrell. Um dos melhores de 2006, sem dúvida...

 

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