sexta-feira, novembro 18, 2005

Touro Enraivecido

Título Original:
"Raging Bull" (1980)

Realização:
Martin Scorsese

Argumento:
Jake La Motta, Joseph Carter, Peter Savage, Paul Schrader & Mardik Martin

Actores:
Robert De Niro - Jake La Motta
Joe Pesci - Joey La Motta
Cathy Moriarty - Vickie Thailer La Motta


Para falar de um filme de Martin Scorsese é sempre necessário tomar algumas precauções. Falar de “gigante” do cinema, um dos últimos ainda vivos, é de facto tarefa digna de um Hércules, de um Vasco da Gama ou, de uma forma um pouco mais cinematográfica, de um James Bond... enfim, digna de alguém que não a minha pessoa embora, verdade seja dita, não seja esta a primeira vez que uma crítica a uma obra de Scorsese é por mim feita.

Raging Bull conta a história verídica do lutador de boxe Jack La Motta (Robert De Niro). Embora fisicamente forte e da sua grande dedicação ao desporto que ama, La Motta é psicologicamente muito instável levando-o a uma espiral auto-destrutiva para onde eventualmente arrasta a mulher e o irmão...

Com as brilhantes interpretações de Robert De Niro e Joe Pesci (os suspeitos do costume de Scorsese a partir desta obra) Raging Bull mostra-nos de uma forma crua e honesta a turbulenta vida de Jack La Motta. Nunca há muito a acrescentar relativamente à vida de uma personagem saída da vida real, o que vemos é o que temos logo, nesse aspecto há a destacar o guião, bem escrito e que aborda de uma forma muito inteligente a demência da personagem principal. A violência transmitida principalmente nos combates de boxe revelam-nos muito do que psicologicamente La Motta vai vivendo e sua posterior projecção na sua vida social, ou será o inverso?

Para que o argumento funcione assim tão bem muito tem a agradecer a três fulcrais pontos, a montagem, de Thelma Schoonmaker (merecidamente galardoada com um óscar), dos actores (especialmente Robert De Niro (ganhou um óscar) e Joe Pesci (nomeado mas não vencedor)) e, evidentemente, da realização do Sr. Scorsese (mais uma nomeação e... mais uma derrota). Apesar do facto de estarmos perante uma obra muito agradável não se trata, na minha humilde opinião, de um dos melhores filmes deste brilhante realizador. Sim o filme é bom e os actores também e, dentro do sub-género “drama biográfico/desporto”, é ima das melhores obras jamais criada no mundo do cinema mas, não deixo de sentir que, vindo de Scorsese, parece que falta alguma coisa. Talvez seja a história que limita imenso a narrativa, talvez as espectativas perante uma obra deste autor sejam sempre muito elevadas e por vezes não vemos concretizadas as mesmas mas a verdade é que nunca consigo retirar esta estranha sensação de dentro de mim.

Independentemente das minhas reticências a verdade é que Raging Bull é uma obra merecedora dos mais rasgados elogios sendo que, por muitos, é considerada uma das obras-primas do cinema. Resumindo e concluindo, aconselho vivamente o filme a qualquer pessoa que ainda não o tenho visto e, mesmo aos que já o tenham visto, bons filmes nunca cansam.

Até para a semana e, bons filmes...

® Bruno Sá

4 Comments:

At 1:09 da manhã, Blogger membio said...

já vi este filme à tantos anos que já não me lembro da história... Tenho q o rever um dia destes-...

 
At 9:21 da tarde, Anonymous Artur Almeida said...

A minha nota ainda seria 1 pouco mais baixa(talvez menos 2). Também sinto que falta alguma coisa ao filme e de repente não consigo explicar bem porquê. Já me disseram que é 1 filme que ganha muito com revisões e já o revi 2 vezes, mas... continua a não entrar lá muito. Faltou-lhe o que a Taxi Driver não faltou- perfeição.

Cumprimentos

 
At 10:24 da tarde, Blogger Paulo said...

Permite-me discordar, Artur. É um filme 5 estrelas ;-) E o grande DeNiro está aqui mais uma vez absolutamente genial. Talvez a dificuldade de algumas pessoas em entrar no filme se deva ao carácter algo repulsivo do protagonista. Não é uma personagem com que nos identifiquemos à partida, mas é fascinante descobrir a sua personalidade no ecrã...

 
At 1:12 da tarde, Anonymous S0LO said...

Um grande filme. 5 estrelas, concordo com o paulo :)!

Cumps.

 

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