domingo, agosto 07, 2005

Moulin Rouge

Título Original:
"Moulin Rouge" (2001)

Realização:
Baz Luhrmann

Argumento:
Baz Luhrmann & Craig Pearce

Actores:
Nicole Kidman - Satine
Ewan McGegregor - Christian
Jim Broadbent - Harold Zidler
John Leguizamo - Toulouse Lautrec


Prestes a ver nascer o século XX, Paris, a cidade-luz, é o palco de uma história envolvente, romântica, humorística e com o seu q.b. de sensualidade à mistura, sem atingir em a vulgaridade neste aspecto, e música, muita música. Com Moulin Rouge, o australiano Baz Luhrmann encerra a trilogia «Cortina Vermelha» que iniciou com Strictly Ballroom – Vem Dançar Comigo (1992) e continuou com Romeu e Julieta (1996), a irreverente adaptação da célebre obra de Shakespeare que o tornou mais conhecido do grande público.

A cortina vermelha abre-se então e assistimos à história de Christian, um jovem ingénuo e sonhador que chega a Paris com o intuito de se tornar escritor. Com pouca experiência de vida, anseia por conhecer o amor e numa situação hilariante conhece um divertido grupo de artistas encabeçado pelo bizarro Toulouse Lautrec. Ao afirmar a sua devoção aos ideais da beleza, liberdade, verdade e amor, entra no espírito boémio dos seus novos e extravagantes amigos que o convidam para escrever uma peça musical. O palco do espectáculo seria o famoso Moulin Rouge, cujo proprietário, Harold Zidler, precisavam convencer. Num abrir e fechar de olhos Christian entra no clube nocturno onde os homens de todas as classes sociais se misturam na busca do prazer. Surge então a bela Satine, a estrela principal do Moulin Rouge, uma bela cortesã a quem chamam «o diamante reluzente» e que imediatamente desperta o amor de Christian. Os dois vivem um romance impossível, encoberto pelos ensaios da peça por ele escrita, pois Satine é obrigada a ficar noiva do cruel Duque (Richard Roxburgh) para evitar a ruína do Moulin Rouge. Terá este romance futuro? Vejam o filme e depois falamos.


Identifica-se neste filme com alguma facilidade o ritmo MTV, a influência dos videoclips como matéria cinematográfica, que vimos em «Romeu e Julieta» (entenda-se que não comparo os dois filmes quanto à qualidade), bem como a aparente confusão de planos rápidos de um filme que é um luxuoso e divertido espectáculo que apela aos nossos sentidos e sentimentos. Luhrmann encadeou com engenho uma série de músicas conhecidas, do pop ao rock, que se misturam e encaixam na atmosfera do filme. Quem imaginaria ver as dançarinas a cantar «Lady Marmalade» e o público masculino entoando o refrão de «Smells Like Teen Spirit» para exigir entretenimento? Outros temas igualmente conhecidos destacam-se em variadas cenas e o único tema original é Come What May, a canção dos amantes que revelou os dotes vocais de Ewan McGregor e Nicole Kidman.


Embora tenha gostado muito do filme, julgo que é um dos casos em que por vezes a forma acaba por se sobrepor ao conteúdo. Os diálogos entre as personagens são empobrecidos por tantos encaixes de letras de músicas conhecidas, o bom elenco podia ter sido melhor aproveitado. O ritmo da história ora é acelerado, talvez para introduzir na nossa mente a sensação confusa que Christian terá sentido ao entrar no frenético Moulin Rouge pela primeira vez, ora decorre em planos mais longos que destacam o romance. Apesar de tudo penso que Luhrmann, com alguma imaginação, nos apresentou com Moulin Rouge a sua homenagem ao mundo do espectáculo, da vida e da abundância da cor. Julgo que o género musical adaptado ao cinema não é da preferência da maior parte do público, no entanto nestes últimos anos tem vindo a ganhar o seu reconhecimento e revalorização na sétima arte. Refiro-me nomeadamente ao triunfo de Chicago, de Rob Marshall, nos Óscares de 2003, alcançando o mérito há muito esquecido dos musicais adaptados ao cinema. Estamos mais acostumados a ver outros tipos de filmes, sobretudo de acção, suspense, terror e ultimamente temos sido bombardeados com adaptações de BD ao cinema, portanto é bom variar mesmo com filmes como este: ou se amam, ou se odeiam.

® Isabel Fernandes

6 Comments:

At 2:20 da tarde, Anonymous nOkas said...

Grande filme este, dos melhores que já vi. Pena só teres dado 5/10. Merece mais.

 
At 6:14 da tarde, Blogger Daniel Pereira said...

Filme desiquilibrado, mas bom mesmo assim.

 
At 3:32 da manhã, Blogger Gustavo H.R. said...

Filme esquizofrênico e meloso. Merece críticas, mas ainda assim não seria tão duro com ele.

 
At 12:49 da tarde, Blogger Comunicadoras said...

Molin Rouge é um filme que encanta pelos cenários e pelo ritmo que lhe é conferido em algumas cenas, no entanto concordo contigo quanto à pobreza dos diálogos.
Também penso que chega a um ponto que temos a sensação de estar a assistir a uma peça de tatro e não a um filme...
Por fim, tenho de elogiar a tua evolução na escrita. Como já te tinha dito sou da opinião que escreves muito bem, mas finalmente conseguiste atingir aquele distanciamento de que falamos, concentrando a tua atenção nos factos que realmente interessam. PARABÉNS!
Inês C.

 
At 10:47 da tarde, Anonymous S0LO said...

Digam o que disserem, é o meu musical de eleição :)!

Cumps. cinéfilos

 
At 6:03 da tarde, Blogger Miguel Galrinho said...

Este Moulin Rouge é dos filmes mais sobrevalorizados dos últimos anos. Baz Luhrman é ultra-piroso no festival de luz e cor, além de apresentar uma realização a 100 à hora com uma montagem rápida de imagens sem respeitar o timing, para o filme parecer cativante por ter um ritmo rápido. Mas até aí nem me incomoda. O pior é mesmo quando se desiquilibra e deixa de ser fiel àquilo que pretendia ser, misturando no meio da superficialidade, um drama romântico do mais básico que há, tornando-se pretensioso. E aí vai tudo por água abaixo...

 

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