sábado, outubro 08, 2005

Fácil

Título Original:
"Easy" (2003)

Realização:
Jane Weinstock

Argumento:
Jane Weinstock

Actores:
Marguerite Moreau - Jamie
Naveen Andrews - John
Emily Deschanel - Laura
Brian F. O'Brien - Mick


Realizado pela ignota Jane Weinstock, Fácil é um achado do cinema independente de 2003, ao dispôr nos videoclubes. Um diamante por esculpir, é a impressão que fica depois de ver.

Jamie (Marguerite Moreau) é uma jovem de 25 anos cuja vida corre ao sabor de relações frustradas e desejos contraditórios: ela quer um relacionamento sério e estável, mas ao mesmo tempo assume sempre o mesmo comportamento ao conhecer um novo homem, que é precisamente ir para a cama com ele antes que ele fuja. Ora, isto desencadeia toda uma espiral de dramas pessoais, a juntar a traumas relacionados com o suicídio da mãe e o casamento subitamente terminado da irmã, que dão corpo a este Fácil.

Da realizadora e argumentista, Jane Weinstock, pouco ou nada se sabe, excepto que este filme indie é a sua primeira longa-metragem, premiada em festivais como o Sundance.

Fácil (Easy, no original) é um filme sobre contradições existenciais e relacionais, e a transmissão desse conceito está perfeitamente patente na escolha dos personagens e mesmo dos actores, que não são estrelas da 7ª arte mas que sabem dar corpo a pessoas banalíssimas, mas todas elas mergulhadas nalguma espécie de caos interior. Marguerite é a adulta que não cresceu e não confia em si mesma como mulher; John (Naveen Andrews) é o poeta e professor demasiado romântico e emocionalmente instável; Laura (Emily Deschanel) é a irmã perfeita e equilibrada, com um casamento incólume, que descobre subitamente uma traição do marido; o pai de ambas, desempenhado por John Rothman, é o viúvo solitário que se culpa pelo suicídio da mulher.

Partindo de tanto drama existencial, Fácil não parece um filme nada fácil de digerir, até porque a história passa frequentemente por pontos hiper-realistas, em que nos julgamos mergulhados numa autêntica orgia de gente desequilibrada, onde não há limites para a desgraça do acaso. Jamie é abandonada pelo namorado perfeito, que volta para o ex-amor mas que se arrepende, só que tarde demais porque na verdade a protagonista cansara-se de sofrer e embarcara num plano mirabolante de ficar celibatária durante 90 dias (a parte mais ridícula e surreal num filme que se afirma como realista a maior parte do tempo). Entretanto, a irmã de Jamie descobre que o marido engravidou outra mulher, que por sua vez até é lésbica e se converte no novo amor de Sandy (Caroline Goodall), ex-mulher de Mick (um destacado Brian F. O'Brien). Mick, por sua vez, é o melhor amigo de Jamie e nutre por ela algo mais, só que teve o azar de chocar com um voto de castidade prolongado e com os seus traumas; ademais, engravida numa noite de bebedeira a ex-mulher lésbica. Para completar o turbilhão, Laura (irmã) envolve-se com John (o ex-namorado indeciso), o que em definitivo deixa Jamie completamente confusa em relação ao que se passa à sua volta.

Fazendo a súmula, temos uma série de mal-entendidos que por vezes parecem caricatos, tal é o chorrilho de perversão e de trocas de afectos que acontecem neste filme, roçando por vezes o exagero - principalmente porque a perspectiva dada de cada personagem acaba por não ser muito profunda, tal como já é hábito em filmes habitados por muita gente. Contudo, apesar de se constituir quase como um diamante em bruto, por aperfeiçoar, Fácil consegue ser um drama quase sempre cómico, de uma simplicidade desarmante (a ausência de banda sonora em momentos-chave prova isso mesmo) e que cativa o espectador graças aos altos e baixos que Jamie e os restantes enfrentam. Os diálogos não estão perfeitos e há vários momentos que podiam ter sido mais explorados (o voto de castidade pouco convincente, por exemplo, ou a separação de Mick e Jamie), mas a saída vitoriosa da película acaba por ser o facto de ir de encontro à realidade de muitos relacionamentos, acabando por se extrair sempre algo do que presenciamos. Fantástico está O'Brien (que vimos recentemente em Intervalo e em Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos, como padre), que é de todos o actor que mais se destaca: a comicidade do seu irlandês Mick, aliada a um romantismo ingénuo e atrapalhado e à seriedade, dá coerência a toda a história. Pena é o final demasiado metafórico...

® Andreia Monteiro

2 Comments:

At 5:36 da tarde, Anonymous André Batista said...

Realmente um achado, pelo que vi na tua análise. A ver se o encontro no videoclube. See ya :)

 
At 1:16 da manhã, Blogger gonn1000 said...

Meu Deus, pela descrição o argumento parece o de uma novela mexicana :S
Nem me emprestaste o filme, bah :P

 

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