terça-feira, maio 17, 2005

1984

Título Original:
"1984" (1984)

Realização:
Michael Redford

Argumento:
Baseado no romance "1984" de George Orwell

Actores:
John Hurt - Winston
Suzanna Hamilton - Julia
Richard Burton - O'Brien



Que 1984 é um dos mais populares e aclamados livros de sempre é um facto de conhecimento geral. George Orwell criou uma obra que apesar de ter sido escrita nos anos 40, solidifica-se cada vez mais como uma metáfora do mundo actual. A ficção ultrapassou os limites do livro, e invadiu a realidade ao ponto de hoje em dia parecermos todos as personagens principais e secundárias que o conhecido livro nos apresenta.
Porém, o que pouca gente sabe é que esta obra-prima da literatura, tem também adaptações cinematográficas: uma a preto-e-branco de 1955; e outra (a cores) do ano de 1984 precisamente. E é desta ultima que vou falar.

Para quem desconhece o mais famoso dos romances de George Orwell, resumo que a acção ocorre em 1984, que o mundo está dividido em três super-estados: Oceânia, Eurásia e Lestásia, e que a guerra entre ambos é permanente.
No super-estado da Oceânia vivem as personagens Winston, Júlia, O’Brien e todos os demais que o livro nos apresenta. Contudo, não é uma vida dita normal: existe apenas um idioma totalitário chamado Novilíngua; a História e os direitos são alterados conforme o interesse do Estado; e como se não bastasse existem telas a vigiar os cidadãos onde quer que eles estejam. A opressão está por todo o lado, a mentira é a verdade e qualquer opinião oposta à do Partido significa a morte certa.
E quem é que governa este Partido? Alguém bem conhecido de todos nós: O Grande Irmão, ou por outras palavras, o Big Brother (O popular reality-show com o mesmo nome foi baseado na obra-prima de George Orwell)!
E é neste contexto assustador que Winston, funcionário do Ministério da Verdade da Oceânia, apaixona-se pela irreverência silenciosa da erótica Júlia e fascina-se pelo companheirismo que o enigmático O’Brien lhe transmite. Com a companhia de ambos, Winston acaba por revoltar-se contra a sociedade em que vive, mas rapidamente apercebe-se de que não deveria ter feito isso …

Feito o resumo do livro, é obvio que o filme enquanto adaptação é a imagem visual da história. Porém, o que é surpreendente no filme 1984 é que se trata de uma das melhores adaptações para cinema jamais feitas. E digo isto com toda a sinceridade!
O medo, a censura e a inexistente liberdade que caracterizam a obra de George Orwell flúem perfeitamente em cada cena do filme, respeitando todos os pormenores decadentes e depressivos que tornam este livro ímpar.
1984 é um filme inteligente e assustador ao mesmo tempo. Perfeito na sua essência de adaptação exemplar (algo raro de se ver no grande ecrã), transmite visualmente todos os sentimentos que o leitor sente quando lê esta obra de Orwell.

No elenco, John Hurt dá um ar soft ao protagonista Winston, mas consegue transparecer de uma forma peculiar o desejo de mudança que esta personagem ambiciona. Assim como Winston, John Hurt não demonstra os seus desejos e vontades através de gestos e atitudes, mas sim pela sua presença. É deste modo que Winston trava amizade com Júlia e O’Brien, e por seu lado é também assim que John Hurt comunica com o espectador.
Quanto as outras interpretações, o falecido Richard Burton triunfa magistralmente no papel do misterioso O’Brien, e Suzanna Hamilton supreende pela modo como se entrega verdadeiramente à personagem Júlia, irradiando aquela raiva oprimida contra o Grande Irmão, e transmitindo um desejo imenso de lutar e destruir todo aquele totalitarismo do Partido.
Tudo isto em magníficas interpretações onde os actores a olho nu são o cidadão estúpido e domesticado que o Grande Irmão tem sobre controlo, mas que por debaixo da pele explodem com os gritos surdos e a raiva anestesiada que as suas personagens tanto querem soltar.

Se nunca leu o livro, leia-o e veja o filme a seguir! Mas se já o leu uma vez e gostou (como eu), leia-o de novo, e alugue de imediato esta que é sem sombra de dúvida uma das melhores adaptações jamais feitas para cinema. Garanto que não se vai desiludir, mas sim maravilhar ainda mais a sua opinião relativamente à história criada por George Orwell sobre aquele futuro aterrador, que está a cada dia mais próximo de nós.

® Fábio Guerreiro

12 Comments:

At 4:23 da tarde, Anonymous frankie said...

O livro é do caraças. O filme nunca vi.

 
At 9:58 da manhã, Anonymous S0LO said...

Ainda não sabia que já tinham adaptado isto para cinema :o! Shame on me :$!!! Tenho que alugar o filme.

Cumprimentos cinéfilos

 
At 5:16 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Eu já vi este filme há uns anos, e gostei bastante.
É realmente uma das melhores adaptações feitas para o cinema, senão a melhor. Tem um elenco cheio de grandes actores e uma belissima actriz (onde anda Suzanna Hamilton actualmente?).
Só é pena que o filme esteja um pouco esquecido. Merecia ser re-recordado. Mas pode ser que com esta vaga de adaptações de banda desenhada e tal, um realizador faça uma nova adaptação de 1984. Mas que seja tão boa como esta, porque melhor é impossivel :P

[ ] Sérgio

 
At 1:39 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Este filme mudou minha vida. Vi na faculdade, na aula de sociologia, e daí comecei a me interessar pela obra, vindo a lê-la somente em 2005.

Sem dúvida, uma obra prima atemporal!!

 
At 11:44 da manhã, Anonymous Hugo Simões said...

O seu texto é insuficiente e inclui erros crassos. Escrita em 1948, à obra "1984" sucederam cinco filmes, versões mais ou menos próximas do original literário, entre os anos de 1953 e 1984, sendo que se especula hoje sobre a possibilidade de produção de um novo filme inspirado no livro, provavelmente a ser lançado em 2009.

Ei-las:

1. “Studio One (Episode: 1984)”, 1953, Paul Nickell – Série televisiva
2. “1984”, 1954, Rudolph Cartier – Telefilme
3. “1984”, 1956, Michael Anderson - Cinema
4. “1984”, 1965, Christopher Morahan – Telefilme
5. “1984”, 1984, Michael Radford – Cinema

 
At 2:59 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Que erros crassos são esses Hugo Simões?

Repare que no texto diz que a obra teve duas adaptações cinematográficas; e, segundo se sabe, séries televisivas e telefilmes não são produções feitas para o grande ecrã, mas sim para o pequeno. Logo, são universos diferentes. Atenção.

 
At 8:20 da tarde, Anonymous Anónimo said...

EU assistir o filme e depois li o livro logo em seguida, entretanto apos ler o livro me decepicionei com o filme pois o filme deixa de lado varios aspectos importantes como o desenvolvimento psicologico da Julia , a verdadeira historia da infancia do Smith....

Felipe S.

 
At 3:52 da manhã, Anonymous Jucilene Buosi said...

Queridos afixionados pelo 1984... gostaria que vocês visitassem a página www.wolfborges.com.br e conhecessem o cd do espetáculo cênico "1984 - Uma leitura musical". Trata-se de um trabalho que está em turnê por algumas cidades mineiras e que tem a direção de Tuca Pinheiro (BH). Tenho o privilégio de ser a intérprete do trabalho... temos alguns vídeos no youtube, se quiserem conhecer também - o diretor de vídeo Daniel Carneiro é o responsável pelos clipes que estão rolando por lá. Um abraço e espero que vocês gostem e comentem. Jucilene Buosi (jucilenebuosi@wolfborges.com.br)

 
At 7:07 da tarde, Anonymous Anónimo said...

achei tanto o filme quento o livro ridiculo, não acreditei que uma pessoa podesse ter idéias tão idiotas e abscuras, mas só posso dar uma conselho para ele. Vai procurar Jesus, e pensar em fazer um livro realmente bom, para ser considerado um verdadeiro pensador. Isso se ele ainda estiver vivo.

 
At 7:15 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Bom vi o filma na faculdade, na aula de Introdução a formação do intelecto midiático, e fiquei ororizada com o que vi, ele é confuso, sem noção, espero ver uma outra obra dele, para eu o considerar ele um verdadeiro pensador.

 
At 7:58 da tarde, Anonymous Bruna said...

Download do Filme 1984 - http://fwd4.me/08P4

 
At 4:25 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Incrível que você tenha assistido a esse filme na faculdade ou onde quer quer que fosse, sua crítica é vazia e superficial e a julgar pela forma como escreve...

 

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