domingo, fevereiro 05, 2006

Realizador da Semana: Jonathan Demme

Roger Corman apadrinhou o início de carreira de vários cineastas que hoje são grandes nomes da indústria, contando-se entre eles Coppola, Lucas, Cameron, Scorsese, entre muitos outros. Entre os mais notáveis, para além dos já referidos, está Jonathan Demme, muito subtil e versátil realizador que conseguiu adequar exemplarmente os seus talentos ao sistema de Hollywood, sem demonstrar medo de abordar temas desafiadores e controversos nos seus filmes, e apostando num modus operandi envolvente e apelativo que já resultou em sucessos comerciais e críticos.

Nascido a 22 de Fevereiro de 1944 em Nova Iorque, o americano, filho de uma actriz e de um relações públicas, sempre teve o desejo de se tornar veterinário, tendo trabalhado em clínicas animais em adolescente. Para tal ser levado a efeito, ingressou na Universidade da Florida no respectivo curso, mas a sua componente científica, principalmente a química, revelaram-se barreiras intransponíveis às suas capacidades, resultando na desistência do mesmo e levando à procura de um novo rumo. Entusiástico cinéfilo desde a infância, Demme então conseguiu tornar-se crítico de cinema em publicações de baixo gabarito, mas foi quando o seu pai lhe apresentou o produtor Joseph E. Levine que as coisas mudaram, tendo este último, impressionado com Demme, o contratado para publicista da sua companhia. Isto levou a que Demme travasse conhecimento com Roger Corman, estabelecendo uma profícua parceria com este ao escrever, produzir e/ou realizar filmes para a New World Pictures deste seu mentor.

A sua primeira realização deu-se com o violento e de forte carga erótica A Gaiola das Tormentas, convertendo-se num símbolo do cinema independente. Alguns dos seus principais filmes são: O Último Abraço, intrigante e visualmente impressionante thriller hitchcockiano; Melvin e Howard, uma deslumbrante comédia sobre os altos e baixos da vida vencedora de dois Óscares; Stop Making Sense, soberbo e inovador documentário musical/filme concerto que recai sobre a marcante banda Talking Heads; Selvagem e Perigosa, uma espantosa e vertiginosamente impressionante viagem marcada por crime, drogas e sexo; O Silêncio dos Inocentes, a sua obra mais famosa e aclamada, uma das três únicas vencedoras dos cinco principais Óscares da Academia e um dos melhores thrillers psicológicos de sempre, enfim, um filme perfeito; Filadélfia, uma muitíssimo apreciada, corajosa e humanista abordagem dramática sobre a sida e a homossexualidade vencedora de dois Óscares; O Candidato da Verdade, remake do clássico O Enviado da Manchúria, que se assume como um admirável, misterioso e paranóico thriller político detentor de uma realização de grande nível.

Jonathan Demme não é uma super-vedeta e está longe de ser considerado um gigante ultra-aclamado, mas... é “Demme good”!

® Artur Almeida

1 Comments:

At 12:39 da manhã, Blogger Paulo said...

O parágrafo final deste comentário é genial! LOL!

Demme tem uma pinta do caraças e, okey, não é sempre brilhante, mas quando acerta, acerta mesmo.

 

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