quarta-feira, outubro 25, 2006

Rainhas

Título Original:
"Reinas" (2005)

Realização:
Manuel Gómez Pereira

Argumento:
Manuel Gómez Pereira & Yolanda García Serrano

Actores:
Verónica Forqué - Nuria
Carmen Maura - Magda
Marisa Paredes - Reyes
Mercedes Sampietro - Helena


Centrado numa temática recente e polémica - a legalização dos casamentos entre homossexuais em Espanha -, Rainhas combina drama e comédia e segue os preparativos para o casamento de uma série de personagens gay, focando em particular o relacionamento destes com as suas mães.

Actual e controverso, o filme é a mais recente proposta de Manuel Gómez Pereira, realizador de obras razoavelmente divertidas como Porque lhe Chamam Amor Quando Querem Dizer Sexo? ou Boca a Boca (este com Javier Bardem, antes da aclamação de Antes que Anoiteça e Mar Adentro).

Tal como os títulos anteriores de Gómez Pereira, Rainhas é um filme que contém uma considerável componente kitsch, visível logo no genérico inicial e presente em várias personagens e situações pitorescas.
Interligando uma série de figuras de várias origens que têm em comum um contacto relativamente próximo com a homossexualidade - com todo o tipo de reacções que daí advêm -, a película oferece um olhar sobre as alterações sociais da Espanha contemporânea.

Vincado por cenas de humor negro e politicamente incorrecto, Rainhas aproxima-se, por vezes, de domínios próximos dos de Pedro Almodóvar, não tanto os da sua fase mais recente mas do seu período mais irreverente e espirituoso (ou seja, mais o de Kika ou Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos e menos o de Má Educação, ainda que este também se centre na homossexualidade, contudo com uma perspectiva bem mais soturna).

Um dos melhores ingredientes de Rainhas é a soberba direcção de actores, uma vez que o elenco inclui vários nomes de actrizes consagradas como Verónica Forqué, Cármen Maura, Marisa Paredes, Betiana Blum e Mercedes Sampietro, que desempenham o papel de mães dos noivos. É essencialmente sobre elas que incide o olhar de Gómez Pereira, e as suas diversificadas relações com os seus filhos gay orientam o decorrer dos acontecimentos.

Longe dos modelos do filme militante, Rainhas apresenta um interessante estudo de personagens que, através da temática da homossexualidade, abrange também as dos laços familiares, códigos sociais, (in)tolerância, amor e clivagens sociais, alternando entre episódios sérios e situações carregadas de humor (ora óbvio e populista, ora irónico e refinado).

Gómez Pereira gera aqui um dos seus melhores filmes, esculpindo um argumento envolvente, personagens carismáticas (embora sejam demasiadas e, por isso, algumas vão pouco além da caricatura) e um eficaz trabalho de realização, apostando numa narrativa com uma curiosa gestão do tempo que tem o mérito de não deixar o espectador descoordenado face a um conjunto de personagens tão vasto.

Funcionando como um muito agradável entretenimento mas também enquanto um pertinente retrato da realidade urbana espanhola dos dias de hoje, Rainhas comprova que é possível fazer um tipo de cinema simultaneamente acessível e relevante, equilibrando a marca autoral e a vertente comercial. De resto, estes elementos já são comuns em muitos exemplos da cinematografia espanhola recente, evidenciando algo que o cinema português ainda não é capaz de fazer regularmente. Um filme a ver, portanto...



® Gonçalo Sá

2 Comments:

At 1:46 da tarde, Anonymous Anónimo said...

"Rainhas aproxima-se, por vezes, de domínios próximos dos de Pedro Almodóvar, não tanto os da sua fase mais recente mas do seu período mais irreverente e espirituoso (ou seja, mais o de Kika ou Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos)"

Concordo plenamente! Las reinas é um filme bem caricato.

 
At 2:02 da tarde, Blogger gonn1000 said...

Pois é, pena ter passado um pouco ao lado :(

 

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