domingo, agosto 14, 2005

E Tudo o Vento Levou

Título Original:
"Gone With the Wind" (1939)

Realização:
Victor Fleming

Argumento:
Sidney Howard, adaptado do romance de Margaret Mitchell

Actores:
Clark Gable - Rhett Butler
Vivien Leigh - Scarlett O'Hara
Olivia de Havilland - Melanie Hamilton
Leslie Howard - Ashley Wilkes



Um filme não é uma obra vinda do acaso. Assim como um oleiro dá pouco a pouco a forma a uma peça de barro, a produção de um filme pode atravessar algumas dificuldades e contratempos até passar por todos os processos necessários para que o possamos ver no cinema ou no ecrã do nosso televisor. O produtor David O. Selznick apressou-se a adquirir os direitos de adaptação cinematográfica de Gone With the Wind – romance de estreia de Margaret Mitchell sobre a guerra civil americana, pagando uma avultada quantia pela obra de uma escritora então desconhecida. Pretendia levar a cabo uma produção de luxo, ou não fosse ele uma das figuras proeminentes da “fábrica de sonhos" de Hollywood. A produção foi bastante atribulada, desde a escolha dos actores ao realizador. Quando Victor Fleming (O Feiticeiro de Oz – 1939 e Joana D’Arc -1948) foi contratado já algumas cenas importantes já tinham sido gravadas por George Cukor, o segundo realizador contratado por Selznick.


E Tudo o Vento Levou é um épico histórico cuja acção se inicia em 1861 no sul dos E.UA. Numa bonita e vasta propriedade chamada Tara (a norte do estado da Geórgia), Scarlett O’Hara, de ascendência irlandesa, é uma bela e caprichosa jovem bajulada por alguns jovens da sua idade, entusiasmados com a possibilidade do começo de uma guerra entre os estados do Norte e do Sul dos E.U.A. Através deles fica a saber das intenções do seu amado Ashley Wilkes em casar-se com Melanie Hamilton. Ignorando os conselhos da sua fiel criada Mammy (Hattie McDaniel), Scarlett decide ir ao baile dado pela família de Ashley para tentar demovê-lo dos seus intentos. No entanto ele prefere a feminilidade convencional de Melanie à impulsividade e vivacidade de Scarlett. por despeito ela casa com homens que não ama, mas rapidamente fica viúva. É neste baile que a jovem conhece Rhett Butler, um homem maduro, galante e com má reputação, segundo os mexericos das senhoras. Na ida a Atlanta, ao encontro de Ashley e Melanie, Scarlett reencontra Rhett, que a irrita profundamente com a sua falta de cavalheirismo, no entanto vai-se aproximando dele. A narrativa acompanha depois a história e os encontros e desencontros de Scarlett e Rhett, ao mesmo tempo que a guerra civil destrói milhares de vidas, devasta as plantações e deita por terra as instituições, os costumes e a causa dos sulistas - manter os escravos nas plantações de algodão que estavam na base da sua riqueza. Enquanto tudo isso acontece, quando admitirá Scarlett que já não ama Ashley, mas sim Rhett? Ficarão juntos e felizes?


Numa época em que os Estados Unidos ainda sofriam os duros reveses da crise de 1929, o cinema era tido como uma cultura de evasão. O público consumia com avidez filmes históricos que exaltavam precisamente a capacidade de resistir ao infortúnio que Scarlett representa. A britânica Viven Leigh foi a escolha perfeita para dar corpo à egoísta, mas destemida Scarlett; Rhett representava o herói romântico, viril, arrebatador e por vezes cínico; Ashley era o típico cavalheiro que continha os sentimentos e Melanie personificava a bondade e a complacência. Durante o filme conseguimos ver estas características que diferem o casal principal do filme: Rhett e Scarlett, do casal secundário: Ashley e Melanie, mas em ambos os casais está presente o amor romântico que o público adorava. Embora as interpretações deslumbrem, assim como os ricos cenários, este filme embeleza a complexidade da história da guerra civil ao descrever os escravos como felizes e profundamente fiéis e dedicados. Gostaria de destacar um aspecto importante resultante deste filme: o facto de Hattie McDaniel ter sido a primeira actriz negra galardoada com um Óscar pelo seu papel secundário como Mammy.


É bastante difícil tentar resumir uma história por vezes tão exaustivamente retratada durante os mais de 220 minutos de duração do filme, as palavras não bastam e o melhor é mesmo vê-lo. A duração parecerá excessiva para muitos, no entanto pensem que a primeira versão do argumento de Sidney Howard daria para cinco horas e meia de filme! Existem muitos aspectos interessantes como, por exemplo, o modo como a câmara se afasta de Scarlett quando esta cuida dos feridos no hospital e o ecrã enche-se com os uniformes cinzentos dos soldados, Atlanta a arder enquanto Rhett ajuda Scarlett a fugir, a famosa cena em que Scarlett agarra um pouco da terra vermelha e perante um céu cor de fogo (acompanhada pela música de Max Steiner) jura a si mesma nunca mais fazer fome e tudo fazer para manter tarae o uso da Technicolor (nomeadamente a partir dos anos 30) que magicamente aumenta com o brilho da cor o encanto de um filme que perdura até aos dias de hoje e ainda nenhum dos grandes realizadores da nossa época se “atreveu” a fazer um remake desta história de amor numa civilização "levada pelo vento".

® Isabel Fernandes

6 Comments:

At 5:03 da tarde, Anonymous Samuel Maia said...

Embora este filme já tenha dado na televisão não o consegui ver na sua totalidade, visto que a duração é longa. No entanto achei interessante as poucas vezes em que vejo filmes antigos e constacto os aspectos especiais que há em cada um, apesar de preferir filmes mais recentes.

 
At 11:33 da manhã, Blogger Comunicadoras said...

Realmente é um filme muito longo, mas que está cheio de encanto.
Tal como o Samuel, também a mim me custou ver o filme todo, mas tive a sorte de poder vê-lo em duas vezes, mesmo assim não me recordo das cenas todas...
o interessante nos filmes mais antigos é constatar a forma como faziam certos efeitos com os poucos meios e recursos tecnologicos que possuiam. Quanto ao remake deste filme, quem é que se atreve?!
Inês C.

 
At 2:34 da tarde, Anonymous Isabel C. Varela said...

Tenho apenas 18 anos e por influência do meu pai vi pela primeira vez o filme E tudo o ventou levou aos 15 anos.Achava curioso o meu pai falar tão bem do filme e dizer-me que foi o unico que o emocionou verdadeiramente, chegando mesmo a soltar uma lágrima. De uma curiosidade surge uma grande paixão, amei o filme. Não soltei apenas uma, mas várias lágrimas por tudo o que o filme representa,a situação civil americana, a luta por diferentes ideais, a força de uma mulher; tudo isto envolvido por um forte e contraditorio romance entre Rhet, com o seu charme inconfundivel e a destemida e apaixonavel Scarlet.

 
At 10:10 da manhã, Blogger marilia said...

gostava imenso de podet assistir ao filme tenho o como uma grande obra apesar de nao ter tido a oportunidade de o assistir, encantam me os dramas dos filmes anigos pois exigem concentracao e tem uma historia por detras de grandes cenas, o beijo por exemplo tem todo um porque de acontecer naquela cena... Lyah

 
At 8:33 da tarde, Anonymous Anónimo said...

ola...eu nk vi o filme mas como sou estudsnte vamos falar nesse filme e fikei muito interessada depois de ler o resumo....

 
At 2:36 da tarde, Anonymous Anónimo said...

É sem dúvida um dos melhores filmes de época, com umexcelente elenco,actores fantásticos!!
É uma bela história de sobrevivência,luta e amor.Amei este filme,tenho-o gravado e quando me sinto desanimada basta vê-lo para me sentir melhor.Aconselho vivamente.

 

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