terça-feira, dezembro 13, 2005

Ray

Título Original:
"Ray" (2004)

Realização:
Taylor Hackford

Argumento:
Taylor Hackford & James L. White

Actores:
Jamie Foxx - Ray Charles
Kerry Washington - Della Bea Robinson
Regina King - Margie Hendricks
Clifton Powell - Jeff Brown


Uma história que merece ser contada. A extraordinária e diversificada vida do cantor cego, Ray Charles – que morreu em Junho de 2004

Por entre cada vida existem várias histórias que merecem ser contadas, umas são mais ricas do que outras. Ray é mais um excelente biópico – uma espécie de biografia no cinema cada vez mais explorada e utilizada –, depois d´O Aviador que estreou um pouco antes de Ray. Este é também, tal como O Aviador, um dos filmes mais reconhecidos nos Globos de Ouro, nos prémios do sindicato de Actores e nos Óscares, onde se incluem sete nomeações, incluindo melhor filme, actor e realizador.

E não é por acaso que a vida de Ray Charles representada no cinema é motivo de tantos elogios. O realizador Taylor Hackford, em conjunto com o argumentista Jack L. White, oferece-nos uma perspectiva psicologicamente sentimental, típica de um drama/musical. Partimos a partir do momento em que o lendário cantor dos blues perdeu a sua vista, quando era criança, até ao culminar da sua carreira há 50 anos atrás.

Este é um retrato potente deste génio negro, também graças ao excelente desempenho de Jamie Foxx e à própria música de Ray Charles que dá "alma" ao filme. Hackford (realizador do Advogado do Diabo e Oficial e Cavalheiro) passou os últimos 15 anos a trabalhar nesta história com o cantor – falecido em Junho do ano passado. A parceria faz com que seja minuciosa a descrição que espelha os problemas como o racismo, a dependência das drogas, as relações falhadas e as suas ideias para mudar a cena musical ao combinar a música soul com o gospel.

Testemunhamos, através de uma série de cenas bem executadas, a evolução de Ray, desde um estilo semelhante ao de Nat King Cole, até ao inovador do R&B, pelo qual se tornou primeiro criticado, depois reconhecido. Trata-se de uma perspectiva sobre a vida de Ray, em que a música está no centro do drama, encontrando-se várias descrições sobre as inovações e métodos de trabalho do seu génio musical.

Um dos aspectos mais positivos do filme é não fazer sempre de Ray Charles um herói, bem pelo contrário. Houve fases da vida deste génio musical cego, em que ele foi egoísta e mesmo cruel, cometendo erros que afectaram todos à sua volt.a Essa parte não é escondida e parece que o filme ganha mais com isso, já que os biópicos não devem ser, necessariamente, os melhores momentos da vida das pessoas. Embora os norte-americanos sintam um proximidade óbvia com a história do filme - daí terem-lhe dado tanta preponderância - a história parece ser forte o suficiente para fazer desta uma boa película, mesmo para quem não se sente tão próximo do músico Ray Charles.

«Hit the Road Jack» é uma das mais conhecidas canções do cantor e é o símbolo de coragem, determinação e espírito de sacrifício que invadiu a vida do lendário cantor, parece ser também um dos motes da sua vida e uma das lições do filme. Hit the Road Ray.

® João Tomé

3 Comments:

At 9:38 da manhã, Blogger cine-asia said...

É um bom filme, de facto, maa não mais do que isso. Como filme, parece mais documental, perdendo-se um pouco, na minha opinião. Vale sobretudo, pela fabulosa interpretação de Jamie Foxx. Este ano, o óscar foi mesmo bem entregue e inteiramente merecido...

Cumprimentos,

Sérgio Lopes.

 
At 10:35 da tarde, Blogger H. said...

Um filme muito bom, dos mais sólidos biopics que se tem feito, tendo como adjuvante uma banda sonora deliciosa.
Jamie Foxx está excelente! Foi um óscar merecido o seu...

 
At 1:12 da manhã, Anonymous S0LO said...

Este passou-me ao lado :|, mas ainda tenho que ver!

Abraço

 

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