domingo, janeiro 01, 2006

Realizador da Semana: Michael Curtiz

Para um número enorme, Michael Curtiz significa redutoramente a mesma coisa que Casablanca. Embora não possamos dizer que é uma atitude exemplar, a verdade é que o mais célebre emigrante húngaro de Hollywood não é tido em conta como um gigante do Cinema super-aclamado, apesar de gozar de uma meritória reputação de versatilidade.

Nascido Manó Kertész Kaminer a 24 de Dezembro de 1886 em Budapeste, no seio de uma abastada família judia(o seu pai era arquitecto e a sua mãe cantora de ópera), o naturalizado americano fugiu de casa aos 17 anos para se juntar a um circo, tendo não muito depois se preparado para uma carreira de actor na Royal Academy for Theater and Art. Teve um papel importantíssimo no teatro húngaro, onde dirigiu várias peças às quais se seguiram os filmes.

A sua primeira experiência cinematográfica deu-se em 1912 com a realização de The Last Bohemian, a primeira longa-metragem de sempre na Hungria. Pouco depois mudou-se para a mais avançada indústria cinematográfica dinamarquesa, regressando em 1914 e servindo no exército húngaro na Primeira Guerra Mundial, antes de retomar a sua carreira.
Quando a indústria cinematográfica húngara foi nacionalizada pelo governo comunista que apareceu em 1919, Curtiz rumou para países como Suécia, França, Alemanha e Áustria onde dirigiu 21 filmes em 7 anos, incluindo o épico Sodom and Gomorrah. Em 1926, levado pela Warner Bros., tentou a sua sorte nos Estados Unidos, onde vingou. Alguns dos seus principais filmes foram: Black Fury, duro e polémico drama social sobre mineiros e as vicissitudes do seu trabalho; O Capitão Blood, filme de aventuras romântico nomeado ao Óscar de Melhor Filme e que fez de Errol Flynn uma estrela; As Aventuras de Robin dos Bosques, uma das melhores adaptações da célebre história do nobre que se torna fora-da-lei, tendo sido também nomeada ao Óscar de Melhor Filme; Anjos de Cara Negra, fabuloso “gangster movie” que deu a Curtiz a primeira nomeação ao Óscar de Melhor Realizador; Four Daughters, melodrama nomeado aos Óscares de Melhor Filme e Realizador sobre as mudanças na vida de quatro jovens mulheres e o seu pai; O Gavião dos Mares, nova colaboração de Curtiz com Errol Flynn(foram onze ao todo)num excelente filme de pirataria; Casablanca, incontornável e imortal clássico dos clássicos; Alma em Suplício, poderoso filme noir dramático com uma Joan Crawford brilhante e Natal Branco, um muito bem disposto musical onde podemos ver Bing Crosby a encantar entoando o hino natalício “White Christmas”.

Concluindo, há vida para além de Casablanca. Há também que saber dar-lhe atenção.

® Artur Almeida

1 Comments:

At 4:31 da tarde, Blogger wasted blues said...

Um excelente 2006 para vocês! :)

 

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