quarta-feira, maio 25, 2005

The Brown Bunny

Título Original:
"The Brown Bunny" (2003)

Realização:
Vincent Gallo

Argumento:
Vincent Gallo

Actores:
Vincent Gallo – Bud Clay
Chloë Sevigny – Daisy


A estreia de Vincent Gallo na realização, Buffallo 66, apostava em domínios associados ao cinema independente norte-americano: personagens solitárias e soturnas, ritmo pausado, banda-sonora melancólica, fotografia rude e um argumento que mesclava drama com algum humor negro. Vincent Gallo e Christina Ricci, a dupla protagonista, marcou 1999 com uma interessante história de amores desencantados e ambientes disfuncionais.

The Brown Bunny, a segunda obra do cineasta - que aqui se ocupou também da produção, montagem, argumento e direcção de fotografia - envereda por atmosferas semelhantes, mas desta vez o tom solitário e alienado é ainda mais denso e demarcado.
Vincent Gallo interpreta Bud Clay, um corredor de motos amargurado que tenta reencontrar-se e superar as feridas amorosas que o tornaram mais vulnerável. Como no filme anterior, Gallo proporciona aqui um "road movie" pelos locais mais áridos e escondidos da América profunda, encetando uma viagem de tons solitários e pouco esperançosos.

Se Buffallo 66 já era minimalista, The Brown Bunny segue ainda mais essa vertente, que se manifesta tanto na escassez de diálogos como no reduzido número de personagens, passando pela discreta banda-sonora ou pelo argumento quase nulo.
Se esta opção poderia originar um resultado interessante, tal acaba por não acontecer, uma vez que Gallo abusa da auto-indulgência e torna entediante aquilo que pretende ser profundo.
A fragilidade confunde-se com narcisismo e os ambientes intimistas são mais maçadores do que envolventes. Em alguns momentos, a vertente realista, quase documental, chega a criar prometedoras cenas de teor contemplativo, mas o ritmo monocórdico e a inconsequência crescente tornam o filme num objecto desinspirado e pretensioso. Nem mesmo a polémica cena de sexo oral no desenlace, com a actriz Chloë Sevigny, consegue inserir maior intensidade a The Brown Bunny, embora faça algum sentido na narrativa.

Embora procure despoletar tensão emocional e exibir episódios de considerável sensibilidade, Gallo abusa da sofreguidão e aproxima-se do risível, como na cena em que encontra uma mulher de meia-idade na mesa de um jardim e com ela partilha a dor. É um filme diferente e pouco convencional? Sim, mas isso não o torna necessariamente numa película interessante e meritória.

Infelizmente, The Brown Bunny é uma amarga desilusão, um inesperado passo em falso depois de uma estreia entusiasmante como Buffallo 66. Espera-se, por isso, que Vincent Gallo reencontre a sua musa no próximo filme...

® Gonçalo Sá

2 Comments:

At 12:11 da tarde, Anonymous Luís Mendonça said...

É curioso porque eu pessoalmente considero o Buffalo flagrantemente mais estéril em ideias ( de cinema) do que o Brown Bunny, onde há muito mais de cineasta em Vincent Gallo e menos de videoclipeiro. É pretensioso, arrogante, narcisista, mas é fabuloso a fimar a melancolia do Tempo.
Gosto muito mais do Brown Bunny.

cumprimentos

 
At 2:41 da tarde, Blogger gonn1000 said...

Não achei o "Buffalo 66" nada "videoclipeiro", e em "The Brown Bunny" não vi muita melancolia, apenas uma interminável monotonia e hermetismo. Mesmo assim, ainda tenho alguma esperança de que o Gallo volte a surpreender pela positiva...

Fica bem

 

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