terça-feira, dezembro 06, 2005

Chapéu Alto

Título Original:
"Top Hat" (1935)

Realização:
Mark Sandrich

Argumento:
Allan G. Scott & Dwight Taylor

Actores:
Fred Astaire - Jerry Travers
Ginger Rogers - Dale Tremont
Edward Everett Horton - Horace Hardwick
Helen Broderick - Madge Hardwick


O cinema americano sempre foi especialista em exportar duplas de sucesso para junto do grande público. A perfeita junção de carisma com a química existente entre dois actores, proporcionou a Hollywood alguns bons filmes e uma popularidade que atraía o público às salas de cinema para ver aquelas duplas de sucesso. Destes duos destacam-se nomes como Charlie Chaplin e Edna Purviance, Oliver Hardy e Stan Laurel (Bucha e Estica), Humphrey Bogart e Lauren Bacall e, logicamente, entre muitos outros, os incontornáveis Fred Astaire e Ginger Rogers - actores, cantores, dançarinos e ícones da época de ouro do cinema americano, e protagonistas desde pouco (re)conhecido Chapéu Alto, uma película de 1935 que foi nomeada pela Academia para as categorias de Melhor Música, Melhor Realização, Melhor Coreografia e, também, Melhor Filme.

Tendo como base a clássica premissa da confusão de identidades, Chapéu Alto conta o início da história de amor entre Dale Tremont e Jerry Travers. Ela é uma bela jovem que está a tentar passar umas agradáveis férias num luxuoso hotel londrino, e ele é um talentoso entertainer que está instalado com o seu amigo Horace Hardwick no andar por cima do dela. Com esta aproximação geográfica os dois acabam por se conhecer, e desde logo surge uma paixão entre eles. Porém, ao tentar descobrir algo mais sobre o seu interessante vizinho, a jovem Dale recebe a falsa informação de que ele se chama Horace Hardwick - o nome do colega de quarto de Jerry, que por sua vez é o desconhecido marido de Madge, uma grande amiga de Dale. A todo este mal-entendido junta-se ainda os engraçados ciúmes de Beddini (o possessivo costureiro italiano que veste a jovem), as trapalhadas de Bates (o mordomo de Horace que vive as turras com o patrão), e as sagazes observações que Madge faz quando Dale lhe fala do assédio do marido.
Jogados os dados, a balbúrdia tem início e o resto é história: beijos, estaladas, encontros e desencontros, e muitos outros momentos hilariantes nesta tradicional comédia com o happy end do costume.

Considerado por muitos críticos como um dos melhores musicais do seu tempo - e o melhor filme da dupla Fred & Ginger - Chapéu Alto mostra alguns dos diversos e memoráveis paços de dança executados por estes dois, em par e em solo, mas sempre cheios de um profissionalismo que hoje em dia é difícil de encontrar nos novos actores.
Desde a divertida cena inicial que Fred Astaire protagoniza sozinho no salão de leitura, até à graciosa coreografia feita por este e Ginger Rogers na cena final, Chapéu Alto é uma agradável e bem disposta película feita única e exclusivamente para distrair, ou não tivesse esta obra sido realizada durante a Grande Depressão americana. Os cenários gigantescos, o luxo em excesso e os personagens optimistas e de bem com a vida que o filme mostra, são alguns dos exemplos mais directos do sonho americano que muitos ambicionavam não só naquela época de crise, mas hoje em dia também.
É de destacar ainda toda a elegância que existia no cinema daquela altura, e que em Chapéu Alto tem um traço bem visível nos pormenores técnicos, nos cenários, nos diálogos e, principalmente, nas personagens: homens cortesãos, mulheres românticas e casais unidos por um amor que nunca parece carnal ou lascivo.

É certo que no argumento de Chapéu Alto não há nada de grandioso ou inovador que justifique um visionamento obrigatório desta velha película – os inequívocos da história poderiam ser resolvidos em dois minutos, basicamente –, mas o filme merece ser (re)descoberto por quem tiver essa possibilidade (e assim quiser), não só devido ao seu estatuto de obra clássica, material nomeado pela Academia e filme ímpar da dupla Astaire e Rogers, mas também, e principalmente, porque é um filme que nos descontraia, diverte e faz rir com sinceridade, seja durante uma época de crise económica ou não.

® Fábio Guerreiro

1 Comments:

At 11:23 da manhã, Blogger Paulo said...

Nunca consegui ver este filme, mas tenho uma pequena paixão por ele desde que vi "A Rosa Púrpura do Cairo", do Woody Allen. Quem já viu esse filme, decerto perceberá porquê...

 

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