domingo, agosto 13, 2006

Os Outros

Título Original:
"The Others" (2001)

Realização:
Alejandro Amenábar

Argumento:
Alejandro Amenábar

Actores:
Nicole Kidman – Grace
Fionnula Flanagan – Sra. Mills
Anne – Alakina Mann
Nicholas – James Bentley
Eric Sykes – Sr. Tuttle


Há filmes para rir, para emocionar até ás lágrimas e outros para nos causar arrepios e quase saltarmos nas cadeiras quando os vemos no cinema. Os Outros insere-se neste último tipo de filmes. Fazer uma comédia pode ser difícil, mas realizar um filme que desperte os nossos medos também é complicado. Poucos anos antes do sucesso de Mar Adentro (2004), o realizador espanhol Alejandro Amenábar escreveu o argumento, compôs a música e realizou Os Outros, um thriller psicológico que mete respeito. Toda a sua dedicação foi recompensada com críticas positivas, muitas delas atribuídas à excelente interpretação da “super estrela” Nicole Kidman.

A acção decorre em 1945 na ilha de Jersey (Reino Unido), no período pós segunda guerra mundial. Numa grande e gótica mansão isolada e rodeada por um nevoeiro intenso e constante, vive Grace, uma mãe que cuida sozinha dos filhos Anne e Nicholas sem saber se o pai deles, que fora combater na guerra, estaria vivo ou morto. Devido à rara doença dos filhos que os impede de apanhar a luz solar, Grace tem de manter um ambiente escuro nas divisões onde eles estão. O facto dos criados terem todos inexplicavelmente abandonado a casa, deixa-a apreensiva. Por isso coloca um anúncio num jornal e contrata três pessoas que batem à porta oferecendo os seus préstimos: os idosos Sra. Mills e Sr. Tuttle e uma jovem muda chamada Lydia (Elaine Cassidy). Quando estranhos acontecimentos começam a ocorrer, Grace começa a acreditar que algo de mau e sobrenatural está a acontecer dentro da mansão. O que sucede quando o mundo dos vivos se mistura com o mundo dos mortos?

Com poucas, porém complexas personagens, a que mais se destaca é naturalmente Grace, ainda que as crianças tenham papéis importantes e bem interpretados que contribuem para o ambiente de suspense do filme. A personagem de Nicole Kidman apresenta duas faces da moeda, numa é forte e por vezes altiva com os criados e quase ditatorial com os filhos, aos quais, devido à sua extrema religiosidade, obriga a estudar as histórias da Bíblia. Na outra face é mais carinhosa para os filhos, ainda que frágil e assustada pelas coisas estranhas que acontecem em casa. Os Outros tem um bom argumento que desde logo nos cativa. A reforçar esse argumento estão aspectos importantes e às vezes pormenores sem os quais o filme cairia na vulgaridade dentro do seu género. Os frequentes jogos de luz e escuridão no interior da mansão devido ao constante abrir e fechar de portas, o correr das cortinas por parte de Grace e a iluminação feita unicamente com candeeiros de petróleo, mostram um bom trabalho de fotografia. Sem efeitos especiais, o filme actua em nós a nível psicológico. Os nossos sentidos são despertados à medida que o filme avança. Existem momentos de silêncio em que os olhos e ouvidos das personagens são os nossos próprios olhos e ouvidos, além disso há a música orquestrada que também contribui para o adensamento do ambiente de tensão. E, para não estragar tudo, o final do filme é surpreendente.

® Isabel Fernandes

5 Comments:

At 8:26 da tarde, Blogger wasted blues said...

Quando o pouco se torna muito! Grande filme!

 
At 1:38 da manhã, Blogger membio said...

vendo no cinema é uma experiência inesquecível...

 
At 11:14 da manhã, Blogger gonn1000 said...

Mediano e sobrevalorizado. O grande filme de Amenábar é, quanto a mim, o memorável "Mar Adentro".

 
At 12:41 da tarde, Blogger wasted blues said...

Acho que a palavra sobrevalorizada anda muito sobrevalorizada nos últimos tempos!

Gosto dos 4 filmes que vi do Aménabar, mas 'Os Outros' foi o que mexeu mais comigo, pois foi o único que vi no cinema. Acho que o filme transpira classe por todos os lados!

 
At 12:49 da tarde, Blogger cine-asia said...

The Others é talvez o melhor filme de Amenabar. Quanto a Mar Adentro, é um bom filme, mas muito lamechas e vive sobretudo da temática (eutanásia) e da superior interpretação de Javier Bardem. nem de perto nem de longe é o melhor filme do cineasta espanhol...

 

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