domingo, Agosto 06, 2006

Beleza Americana

Título Original:
"American Beauty" (1999)

Realização:
Sam Mendes

Argumento:
Alan Ball

Actores:
Kevin Spacey – Lester Burnham
Annette Bening – Carolyn Burnham
Thora Birch – Jane Burnham
Wes Bentley – Ricky Fitts
Chris Cooper – Coronel Frank Fitts

Nesta sua estreia como realizador, Sam Mendes apresenta-nos um filme que expõe os sentimentos, as frustrações, a rotina, os valores decadentes das típicas e fragmentadas famílias americanas. Para tal colocou as personagens nos bairros típicos americanos que vemos habitualmente nos filmes ou séries de televisão e que são um símbolo do american way of life: casas perfeitas com o jardim bem cuidado, um interior bem decorado e limpo, e vizinhos simpáticos que oferecem cestos de boas vindas aos novos vizinhos que se acabam de mudar. Beleza Americana destapa o manto que cobre a vida de aparências que as pessoas desses bairros levam e expõe de forma satírica e humorística as suas verdadeiras crises, problemas e felicidade corroída pelas banalidades, pelo materialismo e pelo preconceito.

Lester Burnham tem tudo menos uma vida de sonho. Carolyn, a esposa totalmente obcecada por atingir o sucesso com o seu negócio imobiliário, detesta-o profundamente. O casamento desmorona-se aos poucos, o amor deu lugar à amargura, o respeito deu lugar ao desprezo e a atracção sexual mútua desapareceu. Jane, a filha adolescente, revoltada, insegura e farta das discussões dos pais à mesa e da falta de atenção de que carece da parte de ambos, olha-o como um falhado. Um dia Lester cansa-se da sua vida aborrecida e sem o mínimo de emoção e resolve fazer algumas alterações. Para que o patrão não o despeça e ele fique de mãos a abanar, chantageia-o e consegue uma pequena fortuna para satisfazer os seus caprichos, como se tivesse regressado à adolescência. Compra o carro dos seus sonhos, fuma charros e faz exercício físico para chamar a atenção da bela e provocante Ângela (Mena Suvari), melhor amiga de Jane, que lhe povoa constantes sonhos eróticos enfeitados com pétalas vermelhas de paixão e sobretudo desejo.

Na casa ao lado chega a família Fitts, também em crise. A atitude ditatorial do pai, um aposentado Coronel dos Marines, violento, patriota inabalável e preconceituoso em relação às opções sexuais, cria em casa um ambiente de quartel militar, faz da sua mulher um ser apático que mal fala e faz do filho Ricky um adolescente com um passado conturbado, que secretamente ganha dinheiro como dealer, e em casa tem de comportar-se como um soldado. Sempre de câmara em punho, Ricky filma tudo o que vê, em busca da verdadeira beleza das coisas, mesmo as mais estranhas. É a personagem mais directamente ligada ao título e à temática do filme. Ao apaixonar-se por Jane, mostra-lhe o seu modo de ver o mundo.

Com um elenco notável (de onde se destaca o brilhante Kevin Spacey), Beleza Americana não é daqueles filmes em que as personagens escondem de nós o seu verdadeiro carácter ou um segredo por desvendar. Isto apesar de serem personagens típicas da sociedade americana: desde a adolescente insatisfeita e tímida e a amiga dela que é linda, extrovertida e gaba-se da atracção sexual que provoca nos homens, ao sentido patriótico orgulhoso de um pai rígido e severo que oprime a mulher e o filho. Sam Mendes apresenta uma história em que as personagens são quase todas como um livro aberto. Têm o que é materialmente preciso para viverem o “sonho americano” e no entanto uma corrente de infelicidade e insatisfação toca a todos. Afinal de que é feita a Beleza Americana? Dos momentos marcantes da vida e das coisas mais banais, tais como o saco e as folhas secas rodopiando e esvoaçando na rua filmados por Ricky?

® Isabel Fernandes

1 Comments:

At 9:25 da tarde, Anonymous Andreia Monteiro said...

Genial, de facto. Beleza Americana é daqueles filmes que jamais esquecemos, retratado com um travo de ironia, humor e drama numa combinação alquímica. Fabuloso retrato da hipocrisia tipicamente americana.

 

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