domingo, julho 03, 2005

Realizador da Semana: Billy Wilder

Fica para a História como um dos maiores cineastas de sempre e um dos mais irrepreensíveis analistas da condição humana na Sétima Arte. Em 2002, faleceu, impensável destino para as suas obras.

Nascido em Viena em 1906, Samuel Wilder - nome de nascença – primeiro começou como jornalista tendo se tornado argumentista depois da sua mudança para Berlim. Radicou-se nos Estados Unidos dada a ascensão ao poder de Hitler. Em terras do tio Sam continuou a carreira onde chegou a escrever para o seu ídolo e mentor Ernst Lubitsch.

Na realização, este ávido jogador de bridge e poker, deixou filmes como Pagos a Dobrar, talvez “O” film-noir e também o filme preferido de Woody Allen; o vencedor, entre outros, do Óscar de melhor filme e realizador e também do Grande Prémio do Festival de Cannes (depois é que passou a ser Palma de Ouro) que é Farrapo Humano; o drama aclamadíssimo O Crepúsculo dos Deuses; O Grande Carnaval, do qual dizia ser o seu único fracasso de público imerecido; o intrigante e surpreendente Stalag 17 – O Inferno na Terra; Sabrina, eternamente celebérrimo e celebrado; O Pecado Mora ao Lado, onde se dá um dos maiores momentos de cinema de sempre com Marilyn Monroe a segurar na sua saia inconstante; a aventura biográfica do emblemático aviador Charles Lindbergh retratada em A Águia Solitária; Testemunha de Acusação, uma das melhores adaptações de sempre da escrita de Agatha Christie; aquela que é considerada a melhor comédia americana de sempre que dá pelo nome de Quanto Mais Quente Melhor e que o juntou à sua estrela favorita Jack Lemmon; a comédia dramática O Apartamento, galardoada com o Óscar de melhor filme; enfim, entre outros como Um, Dois, Três; Irma La Douce; Beija-me Idiota; Como Ganhar um Milhão, etc. Wilder chegou a ser tido em conta para dirigir a Lista de Schindler mas limitou-se a colaborar de perto no argumento com Spielberg.

Em 1993, Fernando Trueba, ao receber o Óscar de melhor filme estrangeiro por Bela Época, proferiu: “Gostaria de acreditar em Deus para lhe poder agradecer, mas só acredito em Billy Wilder, portanto obrigado Mr. Wilder.” Dá para ver a dimensão da “coisa”.

® Artur Almeida

6 Comments:

At 4:53 da tarde, Anonymous Samuel Maia said...

Os anos dourados de Hollywood deixaram-nos heranças memoráveis como a mítica e bela Marylin Monroe e realizadores como Billy Wilder. Num ciclo da antiga RTP2 dedicadado a Marilyn Monroe vi dois dos filmes mais conhecidos dessa época dourada: "Quanto Mais Quente Melhor" e "O Pecado Mora ao Lado" - com a mítica cena da saia de Marilyn a esvoaçar. Desconhecia a identidade do realizador: Billy Wilder, o que é ingrato da minha parte, porém não sou o único que às vezes esquece de por detrás de um grande filme está um grande realizador, visto que um filme pode ser a extensão física de um sonho de um realizador.
Bom espaço, esta rubrica e este blogue. Cumprimentos

 
At 5:53 da tarde, Anonymous Artur Almeida said...

Pois é verdade e há que ter sempre em conta esses anos dourados de Hollywood já que cineastas como Wilder os marcaram. Eu próprio tendo a descobri-los mais a fundo. Acho que não vi O Pecado Mora ao Lado mas gostei imenso do Quanto Mais Quente Melhor.

Cumprimentos e obrigado:)

 
At 10:22 da tarde, Anonymous Miguel Lourenço Pereia said...

Pessoalmente é um dos meus cinco realizadores preferidos. Tem um humor mordaz, um ritmo de trabalho diabólico e um talento sem comparação. Não só a sua fase de comédias sarcásticas, mas também nos seus dramas mais fortes. Excelente biografia de um realizador inesquecivel. Um abraço

 
At 4:16 da manhã, Anonymous Artur / Turat Bartoli said...

Pois, o Wilder era mesmo "something" e o seu legado significa tanto mas mesmo tanto para tanto realizador seu posterior que pode ser compreensível ouvir dizer aquilo do Trueba.

Obrigado e vai aparecendo:)

 
At 4:29 da manhã, Anonymous Luís Mendonça said...

também é dos meus realizadores de eleição. Gostava de deixar, entre os vários fabulosos filmes de Wilder, dois titulos: Sunset Boulevard e Testemunha de Acusação ( filme menos conhecido de Wilder, com Charles Laughton e Marlene Dietrich).

cumprimentos a todos

 
At 6:52 da tarde, Anonymous Artur Almeida said...

São duas enormes falhas que tenho que um dia serão colmatadas. Tenho esses filmes como possuidores de maior aclamação que fama. Acho que pode haver a possibilidade de acontecer o oposto com O Apartamento. É uma sensação minha.

Cumprimentos

 

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