sábado, maio 21, 2005

O Ódio

Título Original:
La Haine (1995)

Realização:
Mathieu Kassovitz

Argumento:
Mathieu Kassovitz

Actores:
Vicent Cassel – Vinz
Humbert Kounde – Hubert
Said Taghmaoui – Saïd



Em O ódio, qualquer semelhança com a realidade é verdadeira. O filme começa logo por nos surpreender pois é dedicado a todos aqueles que morreram durante a rodagem do filme. Não se trata de um filme lamechas, é a realidade dura e crua dos nossos dias e que muitas vezes nos passa ao lado ou que nos recusamos a olhar, por medo ou por vergonha.

Os subúrbios da cidade de Paris acordam sob estado de sítio, durante a noite os jovens do bairro Muguets estiveram em guerra com a polícia. Três amigos, um francês, um árabe e um negro invadidos pelo o ódio pelo sistema francês fazem a viagem mais longa das suas vidas durante 24 horas. Tudo porque Abdel Ichah de 16 anos morreu nas mãos da polícia durante um interrogatório, mais um dos excessos da polícia francesa, mais um crime contra os grupos étnicos que se instalaram em território francês.
Existe Saïd, o árabe, preocupado em arranjar namorada e sempre aquele que é mais descriminado pela polícia e que apanha as culpas de tudo. Existe Hubert, o negro, que acredita que a paz é o único meio para sobreviver em comunidade. Existe Vinz, o branco, que apenas acredita na lei das ruas e que está cego pelo ódio e obcecado pela sede de vingança, para ele apenas quando matar um polícia as coisas poderão ficar equilibradas.
As drogas, os assaltos, uma pistola roubada a um policia, a violência nos gabinetes da polícia, o viver excluído nos subúrbios, os diferentes grupos étnicos, os skinheads, as palavras rudes são peças deste puzzle, está tudo presente em O ódio. A amarga coincidência com a realidade torna o filme ainda mais real, está tudo lá, preto no branco, sem cores e praticamente sem música, como se dum documentário ou reportagem se tratasse.
Ao vermos este filme levamos como que um murro seco no estômago e nos roubassem o ar, pois vemos lá a realidade que as cidades tentam apagar ou esquecer.
É interessante ver o desenvolver das três personagens desde o início até ao fim, o que vai acontecendo a cada uma ao longo do dia e o seu destino ao fim de 24 horas.
A certa altura do filme vemos Vinz a falar directamente para o espelho e temos um deja vue, pois somos levados para uma cena que já tínhamos visto noutro filme qualquer, começamos então a relembrar Robert de Niro, no seu inesquecível papel em Taxi Driver de Martin Scorcese, quando em frente ao espelho simulava que falava agressivamente com alguém. A cena é marcante mas repetitiva porém não se trata de um ponto negativo em Kassovitz. Trata-se de um ponto comparativo e as influencias cinematográficas são explicitas. No fundo, as realidades dos subúrbios americanos e europeus, são iguais, todos andam atrás da sobrevivência, da sede de vingança e as pessoas carregam às suas costas como um fardo o ódio podendo levando-as à sua perdição.

“Até aqui tudo bem, até aqui tudo bem, até aqui tudo bem, não importa a maneira como cais ... mas sim como aterras!”

® Inês Montenegro

3 Comments:

At 8:29 da tarde, Blogger thiagoband said...

O filme é muito interessante e surpreendente. É uma realidade nua e crue dos grupos étnicos franceses, onde a dor, sofrimento e ódio causados pela revolta de jovens. Um filme espetacular.

 
At 12:00 da manhã, Blogger As histórias da Prof Suéllen said...

Olá, onde posso achar este filme?!

na locadora virou missão impossivel..

Se puderem me ajudar...por favor meu email é adonas66@gmail.com

Obrigada!! Suéllen.

 
At 7:17 da tarde, Anonymous Rogério said...

Filme - O Ódio [La Haine]- http://t.co/vPvJC4ZQ

 

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