sexta-feira, março 10, 2006

Alien - O Oitavo Passageiro

Título Original:
"Alien" (1979)

Realização:
Ridley Scott

Argumento:
Dan O'Bannon & Ronald Shusett

Actores:
Sigourney Weaver - Ripley
Yaphet Kotto - Parker
Veronica Cartwright - Lambert
Tom Skerritt - Dallas


Há quase dois meses atrás o filme por mim comentado foi Aliens, uma das melhores obras de acção/ficção-científica alguma vez feitas. Hoje é dia de falar da obra que deu início a esta série, Alien.

Realizado em 1979 por Ridley Scott, este filme conta a história da tripulação da nave Nostromo que, de regresso ao planeta Terra recebe um SOS de um planeta próximo. Com ordens para investigar o sinal a equipa descobre uma nave extraterrestre onde não há sinais de vida à excepção de uns estranhos ovos...

O resto da história é... história! Alien é hoje um filme de culto e visto, por muitos, como uma das mais intensas obras de terror/ficção-científica alguma vez criadas. Com um orçamento relativamente limitado, sem computadores para criar efeitos especiais e muito ainda por provar na 7ª arte, Ridley Scott consegue aqui realizar um dos seus melhores filmes graças em grande parte à história, à utilização inteligente da iluminação e da câmara e, sem dúvida, ao brilhante alien criado por H. R. Giger. Dúvido que alguém envolvido neste projecto na altura fizesse uma pequena ideia do fenómeno que estavam prestes a criar. A exploração primorosa do medo que é feita neste filme é pura e simplesmente deliciosa sendo que a ausência de grandes meios para os efeitos especiais foi, se calhar, um dos grandes trunfos de Alien pois é a pouca visibilidade da criatura mortífera que a tripulação enfrenta que provoca um medo ainda maior a quem visiona esta obra.

A realização de Scott é imaculada, as interpretações raiam a um grande nível e todo o design, desde os cenários passando pelo alien, é verdadeiramente assombroso. A música (muito alterada em relação ao que originalmente Jerry Goldsmith tinha apresentado) é minimalista acompanhando na perfeição toda a acção que vamos vendo. A verdade é que, quando se fala de Alien, existe uma questão delicada que deve ser feita e que eu desejava partilhar. Quando se analisa esta obra nunca se deixa de ter presente o fenómeno que a saga Aliens representa, todo o fascínio, ou não, que se possui pela série e tal pode, em parte, condicionar a análise descomprometida, neutra, que é suposto fazer-se perante o filme. A questão que se coloca é, serão os amantes do filme e eventualmente da série induzidos a ver algo que na realidade não existe, ou seja, verem uma quase obra-prima onde ela não existe? Bom, apenas por mim posso falar mas, na minha humilde opinião, não! Alien é, por méritos próprios, um filme que, dentro do seu género raia a perfeição. A perseguição de um sonho por parte da equipa envolvida nesta produção foi feita com um amor tal ao detalhe que pouco pode ser apontado a esta obra. Tal pode nem sempre ser sinónimo de qualidade mas, neste caso específico, diria que o sonho e a concretização deste num produto de qualidade andarem de mãos dadas.

Para finalizar deixo aqui duas pequenas curiosidades relacionadas com Alien. O “mito” de que na cena em que o alien irrompe do peito de Kane foi feita sem que ninguém estivesse a contar com tal é, em parte, verdade. Embora soubessem o que ia acontecer a reacção de nojo e horror é bastante real por duas razões, ninguém contava em levar com jactos de sangue em cima e também ninguém estava à espera de ver orgãos de animais verdadeiros no peito aberto de Kane. A segunda curiosidade prende-se com o final que Ridley Scott desejava para o fim. O alien arrancava a cabeça de Ripley e comia-a. Sentava-se na cabine de controlo e fazia uma comunicação de rádio com a Terra com a voz de Ripley. Pergunto-me como teria sido Aliens a partir deste final...

Bons filmes e até para a semana.

® Bruno Sá

2 Comments:

At 5:30 da tarde, Blogger membio said...

teria sido totalmente diferente penso eu, e provavelmente não teria havido tantas sequelas... mas "Alien" foi realmente um marco que merece todo o respeito que tem tido desde então...

 
At 9:31 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Fantastico, de arrepiar...

 

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