domingo, janeiro 14, 2007

O Terceiro Passo

Título Original:
"The Prestige" (2006)

Realização:
Christopher Nolan

Argumento:
Jonathan Nolan & Christopher Nolan, adaptado da obra homónima de Christopher Priest

Actores:
Hugh Jackman - Robert Angier
Christian Bale - Alfred Borden
Michael Caine - Cutter
Scarlett Johansson - Olivia Wenscombe


Cada vez mais próxima do despertar do século XX, a Inglaterra da época victoriana era um lugar onde muitos saberes e artes se cruzavam. Nos teatros fervilhava uma multidão desde os mais pobres até os mais ricos, todos ansiosos por algo que os fizesse esquecer os seus problemas, algo que os deslumbrasse tanto ao ponto de suster a respiração. Essa arte assombrosa era a magia. Mágicos de todos os tipos mostravam os seus truques, cujo segredo era literalmente “a alma do negócio”.

Entre esses desejados artistas do entretenimento estão dois jovens mágicos com capacidade para ascender nas suas carreiras: Robert Angier e Alfred Borden, que contam com o auxílio de Cutter na execução dos truques. Entretanto um erro fatal num dos melhores números do espectáculo separa-os e transforma o antigo companheirismo em ódio e rivalidade sem limites. Obcecados por descobrir os segredos um do outro para conquistar o reconhecimento do público, Angier e Borden lutam entre si pelo sucesso de truques cada vez mais impressionantes que juntam ilusionismo e ciência, dividindo-se sempre em três actos ou passos: pledge, turn e prestige, sendo este último o elemento crucial, o mais ambicionado. Angier tem o dom do espectáculo, do entretenimento, Borden tem o génio criativo. Até onde pode ir orgulho que faz não aceitar uma derrota?

As interpretações dos protagonistas Hugh Jackman e Christian Bale são boas, a razão de ser do filme. Qual o bom ou o vilão? Tanto um como o outro reúnem em simultâneo essas características contraditórias das suas personalidades. Devemos ficar do lado de Angier ou de Borden? A certa altura do filme nem o prudente Cutter sabe. Michael Caine está tranquilo nesse papel, já Scarlett Johansson tem um papel mais secundário como Olivia, semelhante ao de uma autêntica assistente de mágico: aparece e desaparece, ainda que a existência da sua personagem seja importante. A participação especial é certamente a do músico David Bowie, que interpreta o cientista sérvio Nikola Tesla (única personagem real) cujas experiências com electricidade atraem a atenção dos dois mágicos rivais.

Christopher Nolan apresenta-nos um filme com a habitual fórmula que vimos em Memento e Batman – O Início: uma narrativa não linear com avanços e recuos no tempo que pouco a pouco nos vão fornecendo pistas para juntarmos ao nosso puzzle mental. O próprio filme parece mesmo um truque de magia em que nós, tal como o público do filme, temos de estar bem atentos.

® Isabel Fernandes

1 Comments:

At 2:48 da tarde, Blogger Nia said...

Não gostei do filme, demasiado irreal e demasiados twists pró meu gosto. Mais uma vez, Johansson num papel de patética inutilidade (quase tanto como no The Black Dahlia), Bale chega a irritar de tanta intensidade (belos tempos os de The Machinist), Jackman o galã igual a si próprio.
Saudações
memoriadeelefanta.blogspot.com

 

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