domingo, novembro 27, 2005

A Canção de Lisboa

Título Original:
"A Canção de Lisboa" (1933)

Realização:
Cottinelli Telmo

Argumento:
Cottinelli Telmo

Actores:
Vasco Santana – Vasco Leitão
António Silva – Caetano
Beatriz Costa – Alice



Com inúmeros elementos cómicos enlaçados com elementos musicais que ajudam a dar alma e vida à história, A Canção de Lisboa foi o único filme realizado por Cottinelli Telmo (1897-1948), com argumento, planificação e montagem da sua autoria. Sempre ligado à cultura e ao cinema, Cottinelli Telmo também se notabilizou pela sua carreira de arquitecto, sendo da sua autoria algumas obras importantes na capital e a planificação de acontecimentos marcantes como a Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1939-1940).

O filme começa com uma vista panorâmica da cidade de Lisboa ao som de um dos temas do rico e inesquecível repertório musical. Vemos o Terreiro do Paço, o eléctrico que passa, as casas típicas portuguesas nas ruas antigas à volta desse espaço. Um ambiente calmo que logo contrasta com a correria desajeitada de Vasco Leitão, estudante finalista do curso de Medicina que vai ter o seu exame final. As coisas não correm bem e acaba por ser reprovado. Para piorar a situação, nesse mesmo dia recebe uma carta das tias trasmontanas que lhe anunciam a sua vinda a Lisboa. Sendo elas quem envia o dinheiro para os estudos do boémio Vasco, acreditam que o sobrinho já é médico com consultório montado e tudo. Enquanto as tias não chegam, no movimentado Bairro dos Castelinhos, Vasco vai namoriscando a graciosa vizinha e a gentil e sentimental costureira Alice, filha do ambicioso alfaiate Caetano. A relação de Vasco e da sua querida Alice é marcada por muitos ciúmes, mas sobretudo carinho. Caetano não consente que a filha namore com Vasco, até saber que as tias do estudante são ricas e farão dele seu único herdeiro. A ideia dos cifrões mexe tanto com ele que aceita ajudar Vasco a fingir que é médico e à dupla junta-se um interesseiro sapateiro da loja ao lado, também atraído pelo dinheiro. Qual será o resultado deste enredo?

Tudo isto e muito mais naquele que foi e é aclamado como um filme de culto, sendo a primeira comédia populista do cinema português – o género de maior sucesso do cinema nacional nos tempos áureos da sétima arte em Portugal, sendo também o primeiro filme sonoro falado em português, filmado no nosso país com todos os meios de que se dispunha na época. A Canção de Lisboa beneficiou da publicidade feita em jornais e revistas da época e do excelente trio de actores: Vasco Santana, António Silva e Beatriz Costa – conhecidos do grande público pelos seus “préstimos” a outra grande arte que é o teatro. No seu modo de actuar em cinema, notam-se logo os registos de interpretação teatrais que transmitem todo um à-vontade que contagia o espectador de cinema.

Por último, mas não por falta de mérito, obviamente, é de destacar uma das mais conhecidas cenas do cinema d’ouro português e que é quando Alice (Beatriz Costa) faz uma cómica intervenção musical – com uma canção que ficou no ouvido de muita gente até hoje: "A Agulha e o Dedal” – no concurso presidido pelo próprio pai em que foi eleita “Miss Castelinhos”.

® Isabel Fernandes

2 Comments:

At 7:48 da tarde, Blogger H. said...

incontornável. fabuloso.

 
At 1:43 da manhã, Anonymous Anónimo said...

unico

 

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