domingo, agosto 28, 2005

O Aviador

Título Original:
"The Aviator" (2004)

Realização:
Martin Scorsese

Argumento:
John Logan

Actores:
Leonardo DiCaprio - Howard Hughes
Cate Blanchett - Katherine Hepburn
Kate Beckinsale - Ava Gardner
John C. Reilly - Noah Dietrich
Alec Baldwin - Juan Trippe



Sonhador, perturbado, sedutor – assim era Howard Hughes (1905-1976), herdeiro de uma grande fortuna familiar que advinha da exploração petrolífera. A sua habilidade com os negócios transformou-o numa das mais importantes figuras da aviação, pois as suas ideias e invenções permitiram um desenvolvimento da indústria aeronáutica. Bateu recordes de velocidade e de altitude e deu a volta ao mundo em apenas três dias. A aviação, o cinema e as mulheres eram as suas três grandes paixões. A multiplicidade do carácter deste multimilionário norte-americano despertou o interesse de Martin Scorsese que – com o argumento de John Logan – retratou as grandes paixões de Hughes, destacando a aviação e por isso chamou-lhe O Aviador.


O filme dá conta dos bons e maus momentos da vida de Howard Hughes desde os “loucos anos 20” aos conflituosos anos 40. Somos introduzidos na grandiosa produção de um dos filmes de Hughes: Hell’s Angels e vemos como ele próprio pilotava, testava os aviões e filmava a partir deles, demonstrando sempre um carácter exigente e obcecado pela perfeição dos vários pormenores do filme. A cena inicial do filme é importante para que compreendamos o comportamento obsessivo-compulsivo de Hughes, bem como a sua mente atormentada pelas fobias de doenças e consequentes manias de higiene e limpeza incutidas em criança pela mãe. Disposto a revolucionar a aviação e a indústria cinematográfica (foi o primeiro produtor independente) chegava a desperdiçar milhões de dólares para concretizar os seus sonhos. Como não se sentia seguro perto das pessoas que o rodeavam, mesmo as que lhe queriam bem, o céu era provavelmente o único sítio onde se sentia bem. Por isso arriscava tantas vezes a sua fortuna (e a vida) para construir os aviões que idealizava e pilotá-los. Fazendo sempre questão de esmerar-se na companhia feminina – muitas famosas actrizes de Hollywood passaram pelos seus braços – neste filme é dado um destaque especial à sua história com a forte e enérgica Katherine Hepburn, ficamos com a ideia de que teria sido a única que amou. É dado outro destaque à relação de Hughes com a bela e tempestuosa Ava Gardner, para nos dar conta, entre outros aspectos, da sua obsessão por espiar as amantes por vezes com aparelhos de tecnologia sofisticada. A vida de Hughes era todo este corrupio de emoções enquanto ele lutava contra si mesmo, contra a insanidade mental que sempre o ameaçou.


O Aviador destaca-se da série de biopics que têm chegado ultimamente às salas de cinema, pois vemos que é um filme pensado ao pormenor, visualmente rico e com uma boa direcção de actores pela parte de Martin Scorsese. Com o papel de Howard Hughes, DiCaprio mostra-nos que atingiu uma importante maturidade na sua forma de representar, até agora é o papel mais importante da sua carreira, ainda que seja sempre “perseguido” pela "aura de herói romântico" devido ao mega sucesso de Titanic. Cate Blanchett faz justiça ao Óscar e às boas críticas que recebeu, pois é notória a atenção com que compôs a sua personagem tendo em conta que Katherine Hepburn era uma personagem real e um dos grandes nomes da história do cinema. Outros aspectos incontornáveis são a direcção artística de Dante Ferreti e a música a cargo de Howard Shore. Por tudo isto e por muito mais O Aviador não é somente mais um biopic e apesar da Academia de Hollywood “passado ao lado” do mérito de Scorsese como realizador, o público demonstra ser mais inteligente.

® Isabel Fernandes

2 Comments:

At 6:14 da tarde, Blogger Francisco Mendes said...

Howard Shore teve uma composição musical muito boa mesmo.
Quanto a Scorcese... prefiro quando explora as profundas raízes do mal, mas tanbém adorei o filme.

 
At 4:37 da tarde, Blogger Gus H.R. said...

Apesar de falhado na caracterização do perfil de Howard Hughes, o filme é um exercício de estilo. O magnestismo da direção irrefreável de Scorsese é incrível. Não é um grande filme, é um filme mediano de grandes momentos.

 

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