sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Barbarella

Título Original:
"Barbarella" (1968)

Realização:
Roger Vadim

Argumento:
Jean-Claude Forest & Claude Brulé

Actores:
Jane Fonda - Barbarella
John Phillip Law - Pygar
Anita Pallenberg - The Great Tyrant
Milo O'Shea - Concierge/Duran Duran


No ano 40.000 a terra vive uma época de paz e amor. Não existem guerras nem exércitos, os povos vivem em harmonia e as armas foram relegadas para museus. Porém, no longínquo planeta Lythion, o maléfico Duran Duran criou um raio positrónico, capaz de enviar as pessoas para a quarta dimensão, com o qual pretende conquistar o planeta, a galáxia, o universo e arredores...

O presidente da república da terra contacta Barbarella, que por acaso, até se tinha acabado de despir na sua nave forrada a pelúcia (um striptease em gravidade zero muito interessante por sinal), para que vá de imediato ao planeta resolver a situação dado ser uma capitã estelar de classe cinco, a coisa mais próxima dum soldado que existe; a outra possibilidade seria a banda filarmónica da terra, mas infelizmente está ocupada! Chegada ao planeta, a nossa heroína, com a ajuda do deprimido (e com carinha de enjoado) anjo cego Pygar, vai ter com o Professor Ping (boa oportunidade para ouvir a voz do famoso mimo Marcel Marceau) que lhe diz quem tem uma chave invisível que abre uma porta invisível que permite apanhar a tirana Black Queen que protege Duran Duran e assim ajudar a revolução a vencer o mal… desde que não se esqueça da palavra mágica: LLANFAIRPWLLGWYNGYLLGOGERYCHYRNDROBWLLLANTYSY LIOGOGOGOCH Pelo meio ainda tem tempo de descobrir com um caçador com o peito mais peludo que o Austin Powers que fazer amor ao natural é muito melhor do que comprimidos telepáticos. E claro está que mal o descobre, já não quer outra coisa!

Não, não estou a delirar, este é mesmo e em traços muito gerais (a lista de situações patéticas é infindável) o argumento deste surreal e inacreditavelmente apelativo filme onde Roger Vadim dirige a então sua escultural (no sentido de Barbie humana) esposa Jane Fonda. Talvez se nos lembrarmos que em 1968, estava-se em plena revolução amorosa e que os cereais do pequeno-almoço eram substituídos por LSD, consigamos perceber um bocadinho do espírito deste hino ao sexo e drogas (o rock foi esquecido em prol duma música glam má demais para um elevador). Por falar em música, não referi que o pérfido Duran Duran inventou uma máquina ("Excess Machine") capaz de produzir uma sinfonia em crescendo que leva as mulheres a um infindável orgasmo louco que as faz morrer de exaustão… delicioso, simplesmente delicioso!

O que dizer? …É Barbarella um bom filme? Colocada assim a questão terei de responder que não, pois a produção é fraca, o argumento débil, as interpretações caricatas e os efeitos especiais hilariantes. Mas é um filme a ver? Aí sou obrigado a dizer “Obviamente que sim!” Barbarella entra naquela categoria de filmes que são maus duma maneira tão especial que os torna deliciosos… Uma palavrinha final de destaque para o guarda roupa, inspirado em desenhos de Paco Rabane… colorido, original e necessariamente curto, está perfeitamente enquadrado na época e no espírito do filme e não me admiraria nada que fosse a grande inspiração de Jean Paul Gaultier para The Fifth Element.

® João Nogueira

4 Comments:

At 3:32 da manhã, Blogger wasted blues said...

Nunca cheguei a ver este filme que sempre me pareceu muito kitsch :D

 
At 4:29 da tarde, Anonymous Roberto Queiroz said...

Primeira vez que entro aqui no seu blog e gostei muito de ver logo de cara um post sobre Barbarella, uma das produções cinematográficas que contribuiu e muito para que eu tornasse o cinéfilo fanático que sou hoje. Gostei muito do espaço virtual. Ganhaste mais um leitor, pois voltarei aqui rotineiramente.

Meu outro blog:
(http://claque-te.blogspot.com)

 
At 12:09 da tarde, Blogger Flávio said...

Não entrou? Estava a dizer que gosto mais da Jane Fonda dos filmes que da política. Um abraço, João Nogueira!

 
At 6:14 da tarde, Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Barbarella é sinónimo de Jane Fonda no primor físico e sensual, tendo deixado o cérebro de lado porque lhe disseram que não era preciso para o filme. de notar que ela aparece nua no início, e um cinéfilo mais atento - e rebarbado - pode identificar-lhe os seios descobertos, fugazmente.

O resto do filme é realmente kitsch e não faz sentido nenhum, mas quem se rala, desde que tenha Jane Fonda com que maravilhar os olhinhos...

 

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