domingo, outubro 09, 2005

Os Irmãos Grimm

Título Original:
"The Brothers Grimm" (2005)

Realização:
Terry Gilliam

Argumento:
Ehren Kruger

Actores:
Matt Damon - Will Grimm
Heath Ledger - Jake Grimm
Cavaldi – Peter Stormare
Rainha – Monica Bellucci
Angelika – Lena Headey


Este filme de Terry Gilliam (ex-Monty Python e realizador de 12 Macacos, entre outros filmes) relata-nos as aventuras dos irmãos Wilhelm e Jacob Grimm, os autores de vários contos infantis que há muito povoam o nosso imaginário e até hoje fazem as delícias de miúdos e alguns graúdos: Cinderela, Branca de Neve e os Sete Anões, Capuchinho Vermelho, Hansel e Gretel (ou A Casinha de Chocolate), A Bela Adormecida, entre outros. Os contos infantis são uma importante tradição cultural que perdura através dos tempos e procuram tanto divertir-nos como transmitir-nos alguma moralidade. Daí a importância dos irmãos Grimm e da influência que ainda hoje os seus contos têm sobre nós.


No princípio do século XIX, numa Alemanha rural ocupada pelas tropas napoleónicas, Will e Jake Grimm são dois charlatães que viajam por várias terras fingindo livrar as pessoas de feitiços, almas penadas e criaturas malignas a troco de dinheiro. Com o auxílio dos seus dois ajudantes num enredo de truques de ilusionismo, depressa ganham fama e muitas pessoas acorrem a eles. Esses contactos inspiram os seus contos, permitindo-lhes também recolher algumas histórias locais. Um dia as autoridades francesas descobrem as suas farsas e são presos. Porém o general (Jonathan Pryce) decide dar-lhes uma oportunidade de escaparem à pena de morte, à qual estariam sujeitos, e envia-os para uma aldeia onde algumas crianças desapareciam misteriosamente. Sob a vigilância do cómico e desajeitado Cavaldi, encarregado de os acompanhar para se certificar do cumprimento da missão, Will e Jake cedo se apercebem de que afinal existe realmente algo de sobrenatural na floresta perto da aldeia, onde as crianças desapareciam. É nessa floresta que, com a ajuda de Angelika, irmã de duas das crianças desaparecidas, descobrirão entre árvores com vida e sussurros fantasmagóricos, uma terrível maldição lançada por uma rainha há cinco séculos atrás.


A dupla de protagonistas: Damon e Ledger parece funcionar bem, se o primeiro já tem uma carreira consolidada, o segundo está a poucos passos de fazer o mesmo. Vemos que as personagens foram trabalhadas, conseguindo transmitir o antagonismo de carácteres sempre tão presente na sua relação de irmãos: Will é o mais racional e censura Jake por ser tão sonhador. Os cenários, nomeadamente o da floresta, são ricamente compostos: luzes, sombras e alguns efeitos especiais que estimulam a nossa imaginação, mas em contrapartida roubam por vezes a nossa atenção em relação aos actores e respectivas personagens. Nota-se uma grande preocupação estética com os cenários, quando a história podia ter sido melhor trabalhada de modo a ser ainda mais cativante. O filme lembra um pouco o universo mágico de Tim Burton, embora este possa ser superior em termos de qualidade. De qualquer modo não deixa de ser um filme a ver por quem gosta do género fantástico. É de realçar o vazio cada vez mais preocupante que notei na sala de cinema onde assisti a este filme, num dia e numa hora em que as salas costumavam encher. Parece que a crise já chegou às bilheteiras de cinema…

® Isabel Fernandes

3 Comments:

At 10:12 da manhã, Blogger David Santos said...

não é um filme perfeito.
não é o melhor de Gilliam.

Mas é um bom filme

 
At 8:28 da manhã, Blogger gonn1000 said...

Não gostei muito, o argumento é desconexo e as personagens só se tornam minimamente envolventes na recta final, mas aí já é tarde demais...

 
At 12:44 da tarde, Blogger Flávio said...

Concordo com o Gonçalo. O Gilliam é um pintor extraordinário, mas não sabe escrever uma história de jeito. Além disso, a sua abordagem da obra dos Grimm é muito superficial: um pasticho, que se limita a colar clichés sem qualquer espírito crítico.

Beijinhos, Isabel!

 

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