terça-feira, novembro 01, 2005

Ruídos do Além

Título Original:
"White Noise" (2005)

Realização:
Geoffrey Sax

Argumento:
Niall Johnson

Actores:
Michael Keaton - Jonathan Rivers
Chandra West - Anna Rivers
Deborah Kara Unger - Sarah Tate
Ian McNeice - Raymond Price


O mundo do cinema é assim, tem a capacidade de incutir no nosso "espiríto", nas nossas mentes, determinados medos e reflexos relacionados com o que vimos.
Um filme da categoria de horror, thriller intenso ou terror tem, de certa forma, essa missão. Abalar-nos um pouco. Fazer a adrenalina subir como se de um desporto radical se tratasse. Há quem adore e sinta quase dependência deste tipo de adrenalina baseada em filmes de horror. É um género que fascina por várias razões. Porque o cinema não tem de ser sempre agradável, ou simplesmente interessante e intenso, pode também demonstrar um carácter mais incisivo usando e abusando dos nossos medos, das nossas incertezas com o que desconhecemos desde os primórdios dos tempos, mas que sempre acreditámos ter algo de sobrenatural, mesmo quando pensávamos que não acreditávamos.
A morte, os ferimentos, o sofrimento mais agonizante e o sobrenatural são assuntos predilectos do horror. E há que dizê-lo: é receita garantida de adrenalina do medo!! Isto quando é bem feito, claro.

Ruídos do Além assenta na base de que os espirítos podem e querem comunicar connosco, mas não só não lhes é fácil comunicar, como não nos é fácil ouvir. Mas a parte mais intensa do filme está na forma como eles comunicam. As televisões ou gravadores.
A outra, é que a comunicação é mesmo crível... sente-se que se está a ouvir um morto, ou como julgariamos que poderia ser. É muito intenso, a voz rouca. Lá longe. É necessária atenção, como que para os ouvirmos eles têm de fazer um grande esforço. E nem todos falam, só conseguem falar quando existe algo em suspenso... falam por enigmas ou associações.
É um filme tão simples quanto assustador para quem se queira envolver na história - grande parte da crítica destruiu por completo o filme. Entrar numa sala de cinema neste tipo de situação ganha um outro significado se a base do filme de terror nos disser algo em especial, nos consiga assustar, surpreendendo.

O FILME EM SI. Ruídos do Além é sobre um homem bem colocado na vida, divorciado e com um filho, que voltou a casar. Depois da mulher morrer num acidente ele começa a receber chamadas a meio da noite e mensagens primeiro com um barulho estranho e depois com a voz da esposa morta a chamá-lo.
Perturbado pelos telefonemas e pela morte da mulher, a personagem de Michael Keaton, Jonathan Rivers, vai procurar um homem que utiliza os chamados FEV - um mecanismo de gravação de som e imagem, por onde, ocasionalmente, espiritos poderão comunicar - a que os americanos dão o nome de Electronic Voice Phenomena (EVP). Este homem vive obcecado por esta comunicação com espiritos há já alguns anos, gravando constantemente K7´s, video e audio que lhe trazem informações do mundo dos mortos. Muitas vezes quando eles querem comunicar com os vivos. Jonathan Rivers começa assim a sua saga na tentativa de comunicar com a mulher que mais tarde acaba em obcessão, semelhante à do especialista que acaba por morrer em contornos assustadores. A casa do especialista aparece quase destruida por dentro e entre os escombros está o homem experiente morto. É que para além dos espiritos que querem dizer coisas positivas a familiares, existem os outros...
[aqui quase que parece uma reminiscência ao filme The Others...]

Jonathan, que partilha a dor da perda com outra das "clientes" do especialista, Sarah Tate (Deborah Unger) vai pegar no método do especialista e implementá-lo na sua casa, com vários televisores sempre a gravarem. Entre as mensagens que lhe chegam de pessoas mortas, chegam também de pessoas que irão morrer - uma antevisão do futuro - onde ele acaba por ajudar e sentir-se perto de um justiceiro ou salvador. Mas o filme não tem nada a ver com isso e é sol de pouca dura. Ele é ludibriado por espirítos que não querem propriamente o bem. Não conto mais para não estragar a quem não viu...
O final desilude um pouco mas, não sendo um filme excelente, é um filme assustadoramente eficaz.

® João Tomé

2 Comments:

At 12:00 da tarde, Blogger Knoxville said...

Todo o filme desilude imenso, se tivermos em conta o potencial que o filme tinha de início. O final então é catastrófico.

Cumprimentos.

 
At 7:55 da tarde, Blogger cine-asia said...

É daqueles filmes que tenho no disci há imenso tempo pra ver. Mas hei-de ver... A tua crítica foi algo construtiva, por isso, não o apago para já...LOL.

Sérgio Lopes www.cineasia.blogspot.com

 

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