terça-feira, fevereiro 28, 2006

Pecado Capital

Título Original:
"Derailed" (2005)

Realização:
Mikael Håfström

Argumento:
Stuart Beattie & James Siegel

Actores:
Vincent Cassel - Philippe LaRoche
Clive Owen - Charles Schine
Jennifer Aniston - Lucinda Harris
Addison Timlin - Amy Schine


Depois de Cruel, Mikael Hafstrom realizou esta que é mais uma das estreias cinematográficas recentes nos nossos cinemas. Clive Owen é o homem “descarrilado”, Jennifer Aniston é a causa que leva à consequência.

E se, de repente, uma estranha lhe pagasse o bilhete de comboio para o impedir de levar uma multa? E se, por impulso, pusesse em jogo toda a sua vida por causa dela?
Assim se coloca nesta história Charles Schine (Clive Owen), um publicitário cuja principal causa é lutar para manter a qualidade de vida da sua família e, em especial, da filha, diabética em último grau. Tudo isto sofre porém uma reviravolta num dia como os outros, em que Charles conhece no comboio uma sedutora executiva (Jennifer Aniston) que acaba por agitar toda a sua estrutura pessoal e familiar. Do envolvimento entre os dois sai um rol de consequências inesperadas, quando subitamente se intromete na vida de ambos um ex-presidiário (Vincent Cassell) que parece conhecer tudo sobre eles e se aproveita disso para os chantagear e conseguir os seus intentos, em troca do silêncio sobre a relação secreta. Mas, e aqui reside o busílis da questão, nem tudo é o que parece, e Charles acaba por ver-se enredado numa teia de factos ocultos, até conseguir que o feitiço se vire contra o feiticeiro...

Mikael Hafstrom, realizador sueco consagrado pelo seu premiado Cruel (exibido há pouco tempo entre nós), revela aqui a sua tendência para um cinema marcadamente de acção, a pender para o thriller: e aí também a nós nos troca as voltas, já que um filme que parecia assumir-se como thriller erótico – quase ao jeito de Infiel, de Adrian Line -, acaba por revelar-se um drama onde a acção e o suspense ocupam o espaço principal, com raptos, suor, crimes e muitos enganos.

Deste Pecado Capital pode, em suma, retirar-se tanto a qualidade como algumas falhas. É, de facto, um filme que consegue mexer com o espectador (sobretudo nos momentos mais dramáticos, como o da violação, que o genialmente cínico Vincent Cassell enriquece na perfeição), apresentando ademais um desenrolar dinâmico que consegue cativar e até surpreender, a espaços. Já dos desempenhos também pouco há a retirar de genuinamente bom ou mau: Clive Owen, que vimos como o brilhante Larry em Perto Demais brinda-nos com o seu já habitual charme e carisma, não surpreendendo muito dentro dos papéis que tem desempenhado.
O destaque vai para uma boa química com a personagem de Aniston, Lucinda: apesar de em escassos momentos, o realizador consegue mostrar a sensualidade da relação dos dois, que se perde entretanto por factos dramáticos que se intrometem na história. O facto é que aí se liberta aquele que seria um bom ponto a explorar no filme, mas que fica insuficientemente presente entre sequências de acção e crime que dão o mote para o “descarrilamento” do personagem de Owen e acabam por, provavelmente, fazer descarrilar também um pouco a película.
Assim sendo, parece mesmo que o único personagem verdadeiramente convincente é o bandido La Roche (Cassell), que consegue unir a crueldade excêntrica ao afecto com grande versatilidade.

Resumindo, temos aqui um bom trio de actores, que resulta bem em conjunto mas nem sempre individualmente: Aniston poderia ter espaço para se mostrar mais, já que este tipo de papel, inédito para a actriz, revela algum potencial escondido na imagem de menina bonita – só que Hafstrom não tirou suficiente partido disso.

Por último, o final acaba por ser um pouco incipiente, não satisfazendo a premissa que o início prometia, e daí que todo o encadeamento se torne entusiasmante para os que não esperam muito, mas com arestas por limar para os que se revelarem mais perspicazes a analisar certos momentos mais previsíveis. Sem grandes surpresas, um filme com um guião interessante, mas realização nem sempre compatível.

® Andreia Monteiro

2 Comments:

At 11:10 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Pecado Capital . O melhor filme que eu vi até hoje !
Amei mesmo .. É daquele tipo de filmes que excede as minhas espectativas .. ! *

 
At 5:06 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Esse filme é um excelente suspense! Pende a atenção do começo ao fim. Não entendo as críticas ao Clive e Jennifer... Eles foram convincentes nos seus personagens de acordo com a historia. O Charles era um homem pacato, comum, que tinha uma vida voltada para a família e trabalho. Era íntegro e manteve o equilíbrio emocional para as siuações dramáticas da história.Clive atuou bem, afinal não é fácil fazer um cara cara do bem que se vê sem saída por causa de uma situação inesperada em sua vida cotidiana... Já a Jennifer, no papel de Lucinda mostrou-se sedutora e fria e convenceu na atuação, afinal ela conseguiu enganar a todos até o final do filme.. Enfim, eu adorei o filme, a trama bem construída, o vilão La Roche foi excelente, malvado e com muito senso de humor. Só o final que deixou um pouco a desejar, na cena do presídio em que o bandido reencontra-se com Chrlie p/ revanche... Essa cena foi desnecessária. No mais o filme é bom!

 

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