domingo, maio 08, 2005

Garden State

Título Original:
"Garden State" (2004)

Realização:
Zach Braff

Argumento:
Zach Braff

Actores:
Zach Braff - Andrew Largeman
Natalie Portman - Samantha
Peter Sarsgaard - Mark
Ian Holm - Gideon Largeman


Provavelmente devido ao facto de ter estreado nos princípios de Fevereiro de 2004, quando estavam em exibição ou estreavam também filmes mais mediáticos nomeados para Óscar, Garden State terá passado despercebido para a maior parte das pessoas. No cinema onde vi este filme esteve pouco tempo em cartaz. O que é pena.

Andrew Largeman (Zach Braff) é um jovem actor de vinte e poucos anos que mora em Los Angeles e viveu toda a sua vida como se as suas emoções fossem esbatidas pela medicação que toma. Um dia a trágica morte da mãe fá-lo regressar à sua terra natal, Garden State, após nove anos de ausência e pela primeira vez decide experimentar deixar a medicação para ver como seria a sua vida sem estar dependente de nada.
O regresso a casa é um inevitável encontro com o pai (Ian Holm – o tio de Frodo na trilogia O Senhor dos Anéis), do qual se distanciou muito e não consegue comunicar, procurando evitar a conversa que ambos precisam ter. Assiste um pouco de longe ao funeral da mãe, incapaz de exprimir as suas emoções através de lágrimas e afasta-se ao ver ao longe dois amigos de liceu, entre eles Mark (Peter Sarsgaard – Os Rapazes não Choram; Relatório Kinsey), que por ironia são os coveiros que enterrarão a sua mãe. Pouco a pouco, Large, como os amigos lhe chamam, vai descobrindo como a vida deles tomou caminhos diferentes do que poderia imaginar.

Numa das cenas mais caricatas do filme, Large está à espera de ser atendido pelo médico, quando um cão de uma senhora cega se atira à sua perna começa a “aliviar certas necessidades”. É nessa embaraçosa situação que conhece Sam (Natalie Portman – Closer), uma simpática e sorridente rapariga que justamente com a sua diferença em relação à melancolia e dormência de Large mudará para sempre a sua vida.

Garden State é um filme introspectivo, existencialista, onde se espelha a angústia emocional que faz balançar ora a melancolia, ora a esperança dos jovens de hoje em dia.
A amizade de Mark, juntamente com a ternura de Sam, marca ao longo do filme a redescoberta pessoal de Large, e este aprende a não ter medo de procurar a felicidade, apesar da dor do abismo que é a vida. De facto, as personagens estão bem interpretadas e cativam-nos cada uma à sua maneira.

História à parte, é de realçar alguns dos bons planos que podemos ver neste filme: Large confundindo-se com o cenário atrás de si ao vestir a camisa que uma amiga da mãe lhe fez, com os restos de um tecido horroroso da parede da casa de banho e a cena em que Large está numa festa com Mark e as pessoas começam a passar muito depressa à sua volta e só ele permance imóvel, dormente de espírito, alheio à realidade. A banda sonora está muito boa e recomenda-se, acompanhando bem as diversas situações do princípio ao fim do filme.

Muitos conhecerão Zach Braff da série da Sic Radical “Médicos e Estagiários” e reconhecerão o seu bom trabalho como realizador, argumentista e protagonista deste interessante e diferente filme (quem gostou de Lost in Translation, também gostará deste) que marca a diferença pela ausência de grandes artificialismos, protagonismos e efeitos especiais a que estamos tão habituados.

® Isabel Fernandes

3 Comments:

At 5:35 da tarde, Anonymous paulo santos said...

Eu também gostei do filme, mas não é verdade que quem gostou de Lost In Translation também gostou deste.

 
At 9:04 da tarde, Anonymous Luís Mendonça said...

pois... eu sou um exemplo vivo disso mesmo: adorei o Lost e achei este Garden State fraquito.

Cumprimentos

 
At 8:37 da tarde, Blogger Ne-To said...

Para mim é uma das obras mais interessantes do ano, e ate agora uma das melhores.

Excelente o cuidado com a composição e a montagem.

Muito Bom.

Natalie Portman é uma estrela brilhante ao longo de todo o filme.

 

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