domingo, julho 10, 2005

A Guerra dos Mundos

Título Original:
"War of the Worlds" (2005)

Realização:
Steven Spielberg

Argumento:
Josh Friedman & David Koepp

Actores:
Tom Cruise - Ray Ferrier
Dakota Fanning - Rachel Ferrier
Justin Chatwin - Robbie Ferrier
Tim Robbins - Ogilvy


Se consideramos Júlio Verne um visionário, o mesmo poderemos dizer de Herbert George Wells, considerado um dos “pais” da literatura de ficção científica, que em 1898 publicou a obra A Guerra dos Mundos, uma história em que o planeta Terra era atacado por extraterrestres. Deste modo podemos ver que a curiosidade do homem em relação à existência de vida noutros planetas e a crença em seres extraterrestres não é recente.
Em 1938 o então jovem locutor Orson Welles resolveu testar a credibilidade do jornalismo radiofónico entre os ouvintes, e para tal adaptou (juntamente com Howard Koch) a obra de H.G. Wells (coincidência de nomes) sob a forma de uma peça radiofónica. Transmitida na véspera do Halloween, na peça era relatada uma invasão alienígena e foi apresentada como de uma autêntica cobertura jornalística que causou grande pânico entre os norte-americanos.
Em 1953 foi a vez de Byron Haskin adaptar A Guerra dos Mundos para cinema.

Desde criança que Steven Spielberg acredita que não estamos sós no universo e a 7 de Julho de 2005 estreou em Portugal a versão "spielberginana" de A Guerra dos Mundos, o terceiro filme do realizador sobre extraterrestres, que retrata o ataque dos mesmos ao nosso planeta a partir do olhar de Ray Ferrier e da sua família. Longe de edifícios históricos ligados às actividades política e governamental, sem o presidente dos E.U.A. heróica e simbolicamente "metido” na história, A Guerra dos Mundos de Spielberg tem Ray Ferrier, um cidadão comum, como personagem principal. Ray trabalha nas docas, é divorciado e chega atrasado a casa para receber os dois filhos: Robbie e Rachel, que viviam com a mãe e o padrasto, e iram passar um fim-de- -semana supostamente normal na casa do pai, em New Jersey. Desde logo nos apercebemos de que Ray não é um pai propriamente exemplar, pois é descuidado e pouco sabe lidar com os filhos. Rachel e Robbie criaram entre si uma relação de cumplicidade para preencher a falta que sentiam do pai, mas a invasão dos extraterrestres irá ensinar a Ray o que é realmente ser pai e a recuperar o afecto perdido, numa luta desesperada para os manter vivos e levá-los até Boston, onde se encontrava a mãe.
Ray Ferrier não é propriamente um herói, mas sim um pai numa fuga desesperada para salvar os filhos.

Se H.G. Wells escreveu a sua obra numa época em que se vivia num certo pessimismo e se começava a assistir à militarização da Alemanha, Orson Welles fez a sua versão radiofónica no período em que Hiltler e o nazismo tinham ascendido perigosamente na Alemanha e um ano depois estalava a Segunda Guerra Mundial, Byron Heskin estreou o seu filme durante o período da Guerra Fria e agora Spielberg estreia a sua versão cinematográfica de A Guerra dos Mundos numa época profundamente marcada pelo terrorismo que culminou na tragédia de 11 de Setembro de 2001. Spielberg ficou profundamente abalado pela tragédia e podemos ver isso em alguns aspectos do filme. Vendo-se atacados sem motivo e sem saberem por quem, a primeira ideia que surgiu nas personagens do filme foi a de um ataque terrorista. Os prédios e tudo à volta era destruído e as pessoas, incluindo Ray, ficaram cobertas pela poeira branca do ar e assim todos se viram no lugar que habitualmente assistiam na televisão quanto à situação de milhares de refugiados de todo o mundo que são forçados a deixar as suas casas por guerras e outros motivos.
Como conseguirá Ray salvar os seus filhos? Até que ponto o ataque alienígena afectará a mente das pessoas? Será que o ataque terá fim? E a vitória seja de humanos ou extraterrestres será definitiva? O que vemos no filme é passível de mais de uma conclusão...

Se nos filmes Encontros Imediatos do Terceiro Grau (1977) e E.T. - O Extraterrestre (1982), o realizador nos mostrou extraterrestres amigáveis e pacíficos, neste filme os extraterrestres (com formas que nada têm a ver com o simpático E.T., embora não sejam tão assustadores como os da saga Alien) são seres malignos e invejosos que há milhares de anos observam os humanos – o filme tem um bom e pequeno prólogo com excelentes imagens – com o intuito de um dia nos exterminar.
As suas naves e os tripods (máquinas gigantes com espécies de tentáculos) surgem debaixo da terra e com elas os extraterrestres capturam os humanos e matam-nos, “pulverizando” tudo à sua volta com sangue.
Os tremendos efeitos especiais que custaram a módica quantia de 100 milhões de dólares contribuem para conferir um realismo às vezes impressionante a este blockbuster filmado em tempo recorde (72 dias) e em que a acção e o terror, para quem como eu assistiu, são uma constante e prendem a atenção.

® Isabel Fernandes

6 Comments:

At 11:56 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Gostei principalemte da forma como nos sao dados a conhecer os varios factos passados, a cerca de weels e do proprio shakespeare...
não sou fã de filmes de ficção cientifica, mas tenho de admitir q fiquei curiosa..
por fim so queria referir k o atentado de 11 de Setembro não foi em 2004, mas em 2001.
***************************bom trabalho!

 
At 9:20 da tarde, Anonymous Isabel said...

Pois...peço desculpa estava a pensar no atentado de 11 de Março em Espanha, esse é que foi em 2004. Sorry :-(

 
At 3:07 da tarde, Blogger David Santos said...

muito bom. esperemos pela versão de dvd que tem 150 minutos. É o regresso de Spielberg à ficção cientifica. Parece que tava toda a gente estava à espera de algo transcendente por ser de quem é, mas o que posso dizer é que tomara muitos bons realizadores chegarem aos calcanheres de cenas como a inicial deste filme, a da carrinha, a do barco, a da cave e manter a atenção do espectador até ao final do filme. 8/10

 
At 6:18 da tarde, Blogger Ne-To said...

Não é um "Spielberg" como estava a espera, mas também nao chega a desiludir.

Cumprimentos e PArabens pelo novo visual

 
At 12:43 da tarde, Blogger Daniel Pereira said...

O melhor filme do ano até agora. Crítica para breve no meu blog.

 
At 5:58 da tarde, Blogger Miguel Galrinho said...

Spielberg no auge da realização! O terror e suspense são brutais e o drama familiar é intenso, sobretudo naquela magnífica cena em que tem que escolher entre que filho deixa ir... Brilhante! O melhor filme do ano.

 

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