terça-feira, outubro 04, 2005

Os Fura Casamentos

Título Original:
"Wedding Crashers" (2005)

Realização:
David Dobkin

Argumento:
Steve Faber & Bob Fisher

Actores:
Owen Wilson - John Beckwith
Vince Vaughn - Jeremy Grey
Christopher Walken - Treasury Secretary William Cleary
Rachel McAdams - Claire Cleary


Os Fura Casamentos é uma das melhores comédias dos últimos anos. Vince Vaughn e Owen Wilson, comediantes de serviço, mostram porque são uma dupla que promete no que toca a fazer rir, pois o filme tem feito imenso sucesso nas bilheteiras dos Estados Unidos desde que estreou. Contudo, só por si isso não é factor de qualidade do produto cinematográfico em questão, já que muitas são as comédias blockbuster que habitualmente chegam ao mercado e que depois constatamos não terem pernas para andar. Motivo: aposta no riso fácil, no nonsense, na gargalhada pela gargalhada.

David Dobkin (quase um estreante nestas lides), porém, soube fazer desta sua comédia um exemplar bastante razoável do género, em grande parte devido à excelente dupla de actores e à química entre eles, que souberam interpretar na perfeição um argumento que não se afasta a milhas da previsibilidade, mas que sabe fugir dela na maior parte das vezes com boas tiradas de humor negro, inteligente - bem sucedido, em suma.

John Beckwith e Jeremy Grey (respectivamente, Wilson e Vaughn) são dois divertidos e estouvados mediadores matrimoniais que, estranhamente mas nem tanto, ocupam os seus tempos livres a infiltrar-se nos casamentos de desconhecidos para seduzir raparigas e agitar a sua rotina. Logo aí, adivinham-se situações um pouco fantasiosas, já que ninguém parece querer saber quem eles são e ambos são aceites sempre com a maior das facilidades - demasiada, de resto -, inclusive pelos próprios noivos.
O filme arranca, todavia, a toda a brida, com uma energia que é visível até na realização: Dobkin brinda-nos com uma espécie de clip-resumo de várias festas, em que nos apresenta, de modo invulgarmente enérgico, o javardo e frontal Jeremy e o sentimental brincalhão John, centro das atenções em matrimónios indianos, judaicos, e tudo o mais que houver.

Chega, entretanto, a grande oportunidade dos "fura-casamentos": o casamento de uma das filhas do ministro das Finanças e candidato a Senador William Cleary, interpretado por Christopher Walken (um sereno veterano, aqui). É este evento que gerará a trama principal do filme e arrastá-lo-à um pouco até ao final, quebrando até o ritmo da comédia e dos acontecimentos.
De facto, embora o humor neste filme não tenha, em geral, nódoas relevantes, lembrando em certos momentos Doidos por Mary ou o melhor dos American Pie, há a sensação de prolongamento, já que se passa da comédia inventiva para a comédia romântica com a inevitável pontinha de previsibilidade.

Mesmo assim, este Os Fura Casamentos prima pela diferença em relação ao grosso das comédias mais recentes, presenteando-nos com estrondosos momentos de humor (a parelha Vince Vaughn - Isla Fisher, ou seja, Jeremy e Gloria, está verdadeiramente deliciosa, bem como Jane Seymour no papel de cinquentona acesa), com um bom ritmo e situações surpreendentes, que dão força ao talento dos dois actores principais (melhores do que outra surpresa presencial lá mais para o fim, um pouco ridícula mas que parece ter sucesso) e sustentam mais do que uma hora de pura gargalhada. O resto, como se costuma dizer, é "palha": afinal, o romantismo (co)move o mundo e as salas de cinema, e nada melhor que aliá-lo a um bom elenco e a uma narrativa cómica. Imperdível.

® Andreia Monteiro

3 Comments:

At 9:39 da tarde, Blogger David Santos said...

Olá!
Só para vos que coloquei um link para o vosso blog no Matiné
Um Abraço

 
At 12:26 da tarde, Anonymous S0LO said...

Yup, sou da mesma opinião :). 7/10 parece-me justo...é uma boa comédia.

Cumps. cinéfilos

 
At 8:32 da manhã, Blogger Francisco Mendes said...

“Wedding Crashers” detém dois cómicos apaixonados pelo trabalho e laborando a tempo inteiro, contém um bom quinhão de material profano e um coração batendo docemente no seu âmago, para satisfazer toda a gente. É uma óptima forma de passar um bom, alegre e relaxado serão.

Agora se todas as comédias fossem como esta, saíamos mais animados das salas de cinema e não pensávamos coisas do género: bem... se calhar as cenas apagadas do DVD são mais engraçadas.

 

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