quarta-feira, outubro 04, 2006

Carne Fresca, Procura-se

Título Original:
"Grønne slagtere, De " (2003)

Realização:
Anders Thomas Jensen

Argumento:
Anders Thomas Jensen

Actores:
Line Kruse - Astrid
Nikolaj Lie Kaas - Bjarne/Eigil
Mads Mikkelsen - Svend
Nicolas Bro - Hus Hans


Vencedor dos prémios para Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor da semana dos realizadores do Fantasporto de 2004 e premiado também nos Festivais de Cinema Fantástico de Amsterdão e Bruxelas, Carne Fresca, Procura-se é a segunda longa-metragem do dinamarquês Anders Thomas Jensen e oferece uma macabra amálgama de comédia negra, drama e algum suspense.

No cerne da acção encontram-se as tentavivas de mudança de vida de dois amigos, que não suportam mais as humilhações a que o patrão os sujeita e decidem, então, abrir um talho, gerindo assim o seu próprio negócio.
No entanto, nem tudo corre da melhor forma, pois a dupla, embora se empenhe, não consegue atrair clientes, vendo reduzido o seu entusiasmo à medida que cenários pouco auspiciosos parecem cada vez mais inevitáveis.
A situação altera-se, contudo, quando um inesperado incidente lhes fornece um novo tipo de carne incomum mas alvo de grande adesão do público. O único problema é que a carne não é de nenhuma espécie de frango, mas humana...

Recorrendo a um humor ácido e sinistro, Carne Fresca, Procura-se é uma obra atípica e curiosa, contendo personagens bizarras e bem conseguidas atmosferas carregadas de estranheza e inquietação.
Por detrás das negríssimas cenas de comédia esconde-se uma reflexão sobre a inadaptação, os traumas de infância e a procura do sucesso a todo o custo, através das quais Anders Thomas Jensen submete os seus protagonistas a uma série de peripécias cruéis mas razovalemente divertidas.

Ainda que conte com um elenco competente, uma interessante energia visual e alguns momentos surpreendentes, Carne Fresca, Procura-se não consegue elevar-se acima da mediania, uma vez que o argumento apresenta desequilíbrios quando a premissa subversiva dá lugar a um rumo mais convencional e à busca de redenção dos protagonistas.
As personagens também não são especialmente conseguidas, pois apesar de bizarras nunca passam de caricaturas não muito apelativas.

O resultado é então um filme algo inconsequente que vale pela tentativa de marcar a diferença, mas cuja perversidade que o contamina poderia ter sido melhor explorada. Uma obra tragável, mesmo assim, mas infelizmente não tão apetitosa quanto se esperaria...

® Gonçalo Sá

2 Comments:

At 2:08 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Bem, Gonçalo Sá..deves detestar cinema, pra ti ver um filme deve ser uma tarefa intragável e penosa. Quando vejo poucas estrelas, antes de descer a página, já sei que vou encontrar o nome Gonçalo Sá! Depois aquela maneira de acabar as críticas... "apesar de (e aqui entram uma série de adjectivos rebuscados), o filme não cumpre...(mais adjectivos intelectualoides). Enfim...sente o cinema, diverte-te e sente, que é para isso que ele serve, e deixa de ser tão incisivo, esquemático e frio. Estas análises excessivamente formais já chateiam..opinião de um simples leitor do blog, claro!

 
At 3:07 da tarde, Blogger gonn1000 said...

Bem, gostar de cinema não implica gostar de todos os filmes, e não tenho a culpa que muitos dos que estreiam não sejam especialmente recomendáveis.
"(...) deixa de ser tão incisivo, esquemático e frio (...)" Ah, e cuidado com os adjectivos rebuscados, os maus exemplos não devem copiar-se, mas também é muito fácil fazê-lo quando se esconde a opinião por detrás de um muito conveniente anonimato. Cumprimentos e bons filmes.

 

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