sábado, abril 22, 2006

Ao Sabor das Ondas

Título Original:
"Swept Away" (2002)

Realização:
Guy Ritchie

Argumento:
Guy Ritchie & Lina Wertmüller

Actores:
Adriano Giannini - Giuseppe Esposito
Madonna - Amber Leighton
Bruce Greenwood - Anthony Leighton
Jeanne Tripplehorn - Marina


Até os realizadores mais anti-convencionais, como Guy Ritchie, têm que passar pelo território romântico. Swept Away, ou Ao Sabor das Ondas, é o exemplar em causa, originado a partir de um naufrágio que ocorre durante um cruzeiro pelo Mediterrâneo.

Depois de Snatch, Porcos e Diamantes (2000), um filme hilariante e completamente incaracterístico, Guy Ritchie, mais conhecido actualmente por ser o marido britânico de Madonna, aventurou-se novamente pelos meandros da comédia-drama, com a adaptação contemporânea da comédia romântica Insólito Destino - realizada por Lina Wertmuller em 1974. O resultado foi este Ao Sabor das Ondas, dizimado no seu lançamento pela crítica, nomeadamente nos EUA e no Reino Unido, onde passou directamente para vídeo, e acusado por muitos de inexplicavelmente mau após os outros filmes de Ritchie.

Ainda assim, e passando um pouco ao lado dessas opiniões, não se pode dizer que Ao Sabor das Ondas seja tão mau assim, já que, na verdade, o toque delicioso do realizador e argumentista está lá, e continua a proporcionar-nos momentos hilários, próprios de uma história de amor que nasce entre uma senhora americana rica e insuportável (Amber Leighton, ou seja, Madonna) e um pescador italiano pobre que é o típico macho latino, bruto e rude (Giuseppe 'Peppe'/'Guido' Esposito, por Adriano Giannini). Tudo começa num cruzeiro pelo Mediterrâneo, planeado pelo marido de Amber em conjunto com amigos da mesma estirpe social: só que a viagem começa logo mal, porque a senhora, habituada a cenários e ambientes mais ricos, se insurge desde logo contra a ideia, e especialmente contra a tripulação, da qual faz parte o pescador/ marinheiro com o qual estabelece de imediato uma relação conflituosa. Só que, após um passeio de bote mal acabado, nem de propósito os dois acabam à deriva no oceano e acabam por naufragar numa ilha deserta, onde vão perceber que o que existe entre eles é na verdade um amor-ódio e uma atracção irresistíveis.

Ver, neste caso, o DVD, é, assim, uma ideia recomendável, porque além de um making off bastante cómico, onde se explora (talvez um pouco demasiado) a relação familiar e de casal Ritchie – Madonna, também a experiência fílmica da película em questão resulta agradável e atractiva, apesar de, infelizmente, cair um pouco no cliché mais para o final, deitando a perder uma parte inicial com bastante potencial humorístico. É que, não só Madonna encaixa como uma luva no papel de menina irritante e mimada - retirando o não muito credível momento em que beija os pés do seu oponente, numa transformação demasiado rápida em relação ao comportamento anterior género “quero, posso e mando” -, como também o seu co-protagonista italiano encarna na perfeição o protótipo de homem viril e másculo, que tira partido da situação para submeter a mulher que o humilhou e, inclusive, a obrigar a chamar-lhe mestre e a lavar-lhe a roupa, com cuecas incluídas…

Ora, como é de imaginar, esta oposição gera momentos incríveis de humor, e é aí que, de facto, percebemos quem é o realizador deste filme: é que não estamos a falar de um humor comum, mas sim sarcástico, mordaz, violento até (a pobre Madonna farta-se de ser esbofeteada e até pontapeada), mas que despoleta gargalhadas acima da média para comédia romântica.

Assim sendo, mesmo tendo em conta uma história e premissa banais, que parecem inspiradas na Lagoa Azul, e que descambam num final demasiado forçado e comum, o desenvolvimento do filme é apelativo devido a este toque cómico, já que, correndo o risco de se tornar cansativa, a presença constante dos dois protagonistas e a sua convivência tornam-se hilariantes. Aliando isto a uma boa fotografia e captação de planos e a instantes de realização bem conseguidos, apoiados em perspectivas muito aproximadas e algumas vezes em câmara lenta que geram belas sequências cinematográficas, à la Ritchie, temos um filme que, podendo ser melhor, se ficou pelo razoável, pois o realizador poderia ter aproveitado melhor para expressar a sua veia artística – aquela a que já nos habituou em trabalhos anteriores.

Mesmo assim, vale a pena ver, nem que seja para dar umas boas gargalhadas, ver belíssimas paisagens e sensibilizarmo-nos com uma história de amor pouco provável…

® Andreia Monteiro

3 Comments:

At 4:16 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Vi algunes momentos do filme quando passou na televisão..e embora nao possa fazer uma crítica mais completa por nao tê-lo visto na totalidade, considerei aquilo que vi...demasiado mau, pessimo mesmo lol achei os diálogos, situaçoes, interpretações (onde madonna está pior que nunca como actriz), de uma estupidez tal, que fiquei parvo a olhar para o filme. Não concordo com os "bons momentos de humor"..para mim apenas senti perplexidade ao ver a triste figura dos actores lol Mas são opinioes :)

Bons filmes
André

 
At 4:25 da tarde, Blogger cine-asia said...

Um filme horrivel em todos os senidos que parece ter mostrado o lado mau de Guy Ritche continuad em Revolver. Qt a Madonna já é igualmente péssima tanto a representar como a cantar. Enfim, mais vale ver os "malucos do Riso" (sempre é igualmente mau).

Cumprimentos,

Sérgio lopes

 
At 1:08 da manhã, Blogger Mário said...

Gostei do filme. è romântico, tem alguma originalidade. Aprecio a Maddona como actriz, continua atraente apesar da idade. Por vezes falat imaginação ao argumento, mas também deve ter sido feito com um orçamento reduzido.

 

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