quarta-feira, setembro 28, 2005

Diários de Che Guevara

Título Original:
"Diarios de Motocicleta" (2004)

Realização:
Walter Salles

Argumento:
Ernesto Guevara, Alberto Granado & Jose Rivera

Actores:
Gael García Bernal - Ernesto Guevara de la Serna
Rodrigo De la Serna - Alberto Granado
Mercedes Morán - Celia de la Serna


Argentina, 1952. Dois jovens amigos partem à descoberta de um continente que desconhecem, fazendo uma pausa na sua previsível vida urbana e tentando encetar uma aventura arriscada antes da entrada definitiva na idade adulta. Esses dois jovens poderiam ser quaisquer outros, mas em Diários de Che Guevara a dupla é constituída por Ernesto Guevara (Gael Garcia Bernal, em mais uma interpretação convincente), de 23 anos, e Alberto Granado (um credível e carismático Rodrigo de la Serna), de 29.
Acompanhado "A Poderosa", uma fiel e incansável motoreta, o duo dá início a uma viagem de oito meses por surpreendentes geografias de um continente que apenas conheciam dos livros. Passando pelo Chile, Venezuela ou Peru, visitando locais por vezes encantadores e a espaços inóspitos, os dois amigos contrastam os modos de vida que observam com a realidade mais familiar de Buenos Aires, da qual provêm.

Walter Salles, o premiado cineasta de Central do Brasil e Abril Despedaçado, apresenta uma perspectiva acerca desta conturbada mas aliciante aventura, debruçando-se sobre algumas das motivações que levaram a que Guevara se tornasse mais actuante e contestatário a nível político. Contudo, o filme não é um mero panfleto que se limita a glorificar uma incontornável e polémica personalidade (e ícone não só político, mas pop), antes oferece um interessante retrato - entre o documentário, o drama intimista e o road movie - da viagem de auto-descoberta de dois jovens idealistas e curiosos.

Diários de Che Guevara explora a relação de amizade dos dois companheiros de viagem, alternando momentos de melancolia e alguma desolação com episódios mais reluzentes e bem-humorados, aproveitando a química entre os actores e contrastando as personalidades dos protagonistas (um Ernesto Guevara circunspecto, calmo e introspectivo e um Alberto Granado mais dinâmico, espontâneo e espirituoso).

Se, em certa medida, o filme segue a lógica linear e formatada de um qualquer road movie - com atmosferas não muito distantes de E a Tua Mãe Também, de Alfonso Cuarón, onde Gael Garcia Bernal também participou -, consegue conquistar através da genuína emotividade envolvida no projecto, dos impressionantes cenários, do tom realista e credível dos espaços, da absorvente banda-sonora ou ainda da muito bem conseguida fotografia.
Contudo, em termos narrativos o ritmo nem sempre cativa e alguns dos momentos finais do filme são demasiado sentimentalizados, expondo uma vertente que muitos criticam no cinema de Walter Salles (o caso mais marcante encontra-se na cena da travessia de Guevara no lago, com certos exageros melodramáticos e uma quase beatificação da personagem). Mesmo com estes deslizes em certas ocasiões, o realizador gera uma obra honesta, acessível e geralmente fascinante, proporcionando um intenso drama realista e uma oportunidade de observação de uma América pouco divulgada (para o melhor e para o pior).

Contemplativo e humanista, Diários de Che Guevara é um recomendável olhar sobre o crescimento interior e novas formas de observar e analisar o mundo, tornando-se num título a acrescentar às boas surpresas cinematográficas de 2004.

® Gonçalo Sá

5 Comments:

At 5:21 da tarde, Anonymous André Batista said...

Um filme a não perder. bela análise gonn1000 !! see ya

 
At 6:28 da tarde, Blogger serEmot said...

Grande filme! Intenso e uma autêntica viagem de descoberta pela América do Sul.

 
At 6:28 da tarde, Blogger serEmot said...

PS: sabiam que um dos produtores foi Robert Redford?!!

 
At 5:45 da tarde, Blogger gonn1000 said...

"PS: sabiam que um dos produtores foi Robert Redford?!!"

Nope.

 
At 12:27 da tarde, Anonymous S0LO said...

É um dos filmes do ano passado que me faltam ver.

Cumps. cinéfilos

 

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