domingo, setembro 18, 2005

Realizador da Semana: Stephen Frears

É um dos mais notáveis da chamada “nova geração” de realizadores britânicos, tendo atingido notoriedade nos anos 80.

Nascido a 20 de Junho de 1941 em Leicester, Inglaterra, Frears, mesmo tendo-se formado em Direito em Cambridge, foi parar ao mundo do cinema pelas mãos do realizador Karel Reisz, após ambos se terem conhecido no Royal Court Theatre.

Trabalhou durante algum tempo como seu assistente de realização, tendo-se estreado em 1971 como realizador com um projecto muito pessoal, Passos Silenciosos. A partir daí esteve 13 anos sem realizar qualquer filme para o grande ecrã, tempo em que a dedicação se virou para a televisão britânica. Mas em 1984 regressou ao cinema com Refém de Boa Vontade, com o qual alcançou o reconhecimento internacional. Continuou na senda do êxito com o drama romântico A Minha Bela Lavandaria; a comédia biográfica Prick Up Your Ears; a sátira mordaz sobre o declínio da sociedade britânica Sammy and Rosie Get Laid; o polémico drama de época Ligações Perigosas, vencedor de 3 Óscares; o conto criminal neo-noir Anatomia do Golpe, onde alcançou a nomeação ao Óscar de melhor realizador; a inteligente e muito subvalorizada sátira aos meios de comunicação social Herói Acidental; o drama de terror Mary Reilly, onde nos é apresentada uma variação da famosa obra literária Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson; a comédia dramática nomeada à Palma de Ouro em Cannes A Carrinha; o western dramático Terra Perdida, que lhe valeu o Urso de Prata em Berlim para melhor realizador; a muito badalada comédia com enorme teor musical Alta Fidelidade, adaptada do homónimo livro de Nick Hornby e os terríveis dramas sociais Liam e Estranhos de Passagem, ambos nomeados ao Leão de Ouro em Veneza.

“Sou como um menino mimado. Só faço o cinema que me agrada” – diz Frears, que já foi professor de alunos de cinema. Talvez devesse experimentar leccionar realizadores vendidos.

® Artur Almeida

7 Comments:

At 1:46 da manhã, Blogger Gustavo H.R. said...

Um realizador deveras eclético. Aguardo o nome dele entre os nomeados da próxima edição dos Óscares.

 
At 12:35 da tarde, Blogger Paulo said...

Embora esteja longe de ser o meu realizador favorito, o nome de Frears surge normalmente associado a projectos de qualidade. O último que vi dele, Estranhos de Passagem, era mesmo bom. Além de que o Alta Fidelidade é hoje um filme de culto (tal como o livro).

 
At 2:21 da manhã, Anonymous Artur Almeida said...

Olá,

Gustavo: Ecléctico, sim. E só é de louvar! Quanto aos Óscares, se lhe desse muito jeito na carreira então força!, de resto...

Paulo: É com muita pena minha que ainda não consegui ver os 2 filmes que mencionaste, mas esse tal "rótulo" de qualidade a Frears faz sentido ou não tivesse gostado muito do Anatomia do Golpe e adorado o Herói Acidental.

Cumprimentos

 
At 10:45 da manhã, Blogger David Santos said...

as vezes da-lhe uns ataques...

 
At 6:52 da tarde, Anonymous André Batista said...

Este ano assisti a uma aula dele na gulbenkian, sobre realização cinematográfica, e digo-vos : ele não é lá grande professor, nem muito simpático. nessa 'aula' assistimos ao 'Alta Fidelidade', um excelente filme dele. See ya!

 
At 11:40 da tarde, Anonymous Artur Almeida said...

Supondo que estiveram lá os dois, ele se calhar é daqueles que tem mais jeito para o plano profissional que para o de relacionamentos. Eu por exemplo anteontem conheci 1 figura cultural ainda maior, o Luis Sepulveda e foi 1 amor de pessoa. O Frears deve ser mais 1 "terrible" como muitos que andam por aí...

Cumprimentos

 
At 2:02 da manhã, Blogger serEmot said...

Também assisti a essa mesma suposta aula, na Gulbenkian. De facto, também não me pareceu um bom professor. Mas gostei dele. Hoje entrevistei outro realizador britânico, Danny Cannon - realizou o quase a estrear, Goal, a série CSI, O Juiz Dread, Sei o Que Fizeste o Verão Passado...

Ao contrário de Frears, Cannon é também escritor, e no modo de falar isso faz toda a diferença. Frears é um realizador muito prático, assim como outros como Fincher e, por isso, gosta menos de expor ideias e tem menos jeito para argumentar e falar. Para ele realizar é: ir para os locais, filmar e montar (ponto final).

Ou seja, não é nada que ele explique de uma forma muito elaborada, é apenas algo que ele faz, bem - como o próprio disse na dita aula, que nunca o chegou a ser.

 

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