quinta-feira, janeiro 26, 2006

Ocean's Twelve

Título Original:
"Ocean's Twelve" (2004)

Realização:
Steven Soderbergh

Argumento:
George Clayton Johnson, Jack Golden Russell & George Nolfi

Actores:
Brad Pitt - Rusty Ryan
Catherine Zeta-Jones - Isabel Lahiri
George Clooney - Danny Ocean
Julia Roberts - Tess Ocean


Ocean’s Twelve, a sequela de Ocean’s Eleven, de Steven Soderbergh, estreou nos nossos cinemas a semana passada e traz poucas novidades, além de um circuito turístico pela Europa, um ladrão-acrobata francês e umas piadas extra.

Há três anos atrás, Ocean’s Eleven apresentou uma fórmula baseada num remake e na junção de uma cúmplice e célebre equipa de actores, liderados pelo veterano George Clooney (Danny Ocean, um ladrão de luxo acabado de sair da prisão). Nessa altura, o filme fez as delícias de muitos, talvez por apresentar uma boa receita, obtida no cruzamento acção/humor e na concentração de várias estrelas hollywoodescas – além de Clooney, Julia Roberts (Tess), Brad Pitt (Rusty), Matt Damon (Linus ), Andy Garcia (Terry Benedict), entre outros, deram corpo à história de um assalto rocambolesco a um casino, planeado ao milímetro pela trapalhona mas competente e unida equipa (ou direi, quadrilha) de Ocean.

Três anos volvidos, Steven Soderbergh, o realizador que quer reformar-se, aposta no mesmo padrão e, portanto, o tecido resulta praticamente igual: boas doses de humor, a extraordinária e bem visível cumplicidade entre os actores, duas novas personagens (Catherine Zeta- Jones como Isabel Lahiri, uma agente da Europol e ex-namorada abandonada de Rusty, ou seja, Brad Pitt, e o francês Vincent Cassel, na pele de um barão capaz de assaltos nunca imaginados, que ainda por cima faz frente aos rapazes de Ocean)...mas o mesmo género de piadas (que, contudo, ainda resulta), menos acção e mais inverosimilhança ainda do que no primeiro filme.

Tudo começa com uma incongruente perseguição de Terry Benedict aos ladrões do seu casino, agora espalhados pelo mundo, que terão de devolver todo o dinheiro roubado ao magnata alguns anos antes, dentro de um prazo reduzido. Ora, como nenhum dos companheiros de Ocean parece ter sido bem sucedido na poupança, todos juntos eles vão ter que organizar mais um trabalho lucrativo, e portanto deixar as vidas “honestas” que tentaram manter.
A hipótese que se afigura melhor, para começar, é o assalto a um armadilhado artista de Amesterdão: só que, após muito trabalho, há alguém que passa a perna aos onze de Ocean: “The Night Fox”, um ladrão imbatível especializado em coreografias de capoeira, que é na verdade o barão François Toulour (Cassel), luta para manter o pódium na actividade de larápio brilhante, e tudo fará para ganhar ao seu “adversário”. Para isso, faz uso dos conhecimentos transmitidos por Le Marc (Albert Finney), o maior ladrão de todos os tempos, que é na verdade o pai da personagem de Zeta-Jones, e que a certa altura se passa para o lado de Ocean. Confusos?

A verdade é que sim, o argumento de Ocean’s Twelve é labiríntico, dividido entre os saltos da América para Amesterdão e de Amesterdão para Itália, sem nunca se perceber qual é realmente (e se existe) o objectivo para Ocean e para Toulour (uma batalha de poder entre ambos beira o ridículo, mas parece ser exactamente isso que salta à vista no filme). Os personagens adicionais estão bem enquadrados no elenco (Zeta, a polícia com alma de ladra, e Cassel, o francês empertigado mas competente), e desenvolvidos q.b. num elenco bastante vasto, mas acabam por se perder nos meandros deste jogo de escondidas que se mantém do início ao fim, onde o espectador é constantemente confrontado com surpresas. Destas, a melhor de todas é sem dúvida um Bruce Willis a fazer de si próprio, e melhor, Tess a fazer de Julia Roberts, grávida de uma almofada...se bem que os imprevistos sejam o prato principal nesta que parece a maior das brincadeiras de Soderbergh, num estilo descomprometido que participou justamente no sucesso do primeiro filme.

De resto, elogios merecidos a Brad Pitt (menino bonito ou não, já não precisa de provar a ninguém os seus créditos como actor, dramático ou cómico – Rusty está neste último registo, algures entre o galã, o intrujão e o javardo), a Clooney, e à relação entre Rusty e Danny, que proporciona alguns dos momentos mais engraçados da história. Também de fixar, a sequência coreográfica no roubo do Ovo de Fabergé (o tira-teimas na competição entre ladrões), produzida por um Vincent Cassel (ele ou um duplo?) bem treinado na arte da capoeira e da finta aos raios laser. É claro que esta sequência não convence o suficiente, mas não deixa de impressionar pelo ritmo.

A banda sonora a lembrar os antigos filmes de acção, os planos sucessivos e rápidos, a imagem que não pára para acompanhar a história e a montagem acelerada encerram, talvez, a essência da acção energizante que aqui não se faz sentir tanto como em Ocean’s Eleven, e que, a juntar à falta de alinhamento do guião, torna este filme agradável mais para os fiéis do primeiro do que para o público em geral. Puro entretenimento, é portanto o que podemos esperar numa película sobre nada em especial.

® Andreia Monteiro

2 Comments:

At 2:41 da tarde, Anonymous André Carita said...

Gostei imenso do Ocean's Eleven... este foi fraquinho... muito fraquinho... foi pena!
Os meus cumprimentos!

 
At 7:14 da tarde, Blogger bateman said...

grande blog de cinema muito bom mesmo, muitos criticos, eu comecei agora um de criticas passem por la e deixem a opiniao sobre os filmes analisados em www.batemanscritics.blogspot.com

 

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