terça-feira, março 13, 2007

O Labirinto do Fauno

Título Original:
"El Labirinto del Fauno" (2006)

Realização:
Guillermo Del Toro

Argumento:
Guillermo Del Toro

Actores:
Ivana Baquero – Ofélia
Sergi López – Capitão Vidal
Ariadna Gil – Carmen Vidal
Maribel Verdú - Mercedes

O Labirinto do Fauno apresenta-se como uma história de fadas com a Espanha franquista por pano de fundo, mas os dois elementos movem-se de tal modo em paralelo que rapidamente se torna um exercício vazio e penoso tentar encontrar pontos de união entre ambos ou significados entre as três provas que são exigidas a Ofélia, a menina protagonista, pelo Fauno do título, e o que se passa no dito mundo real.

Os rebeldes estão escondidos na montanha, enquanto o exército monta arraias em baixo, numa espaçosa casa (estalagem, solar?) com estábulos e um enorme jardim onde há um labirinto. Não nos é explicado se o capitão das tropas tomou a casa para si ou se a usurpou aos seus reais donos, mas a verdade é que tem três cozinheiras e uma governanta, e se comporta como se tudo fosse seu. Trata-se de um sociopata sem emoção, que executa quem lhe dá na real gana apenas porque se atravessa no seu caminho, propositadamente ou por acidente. Decidiu chamar a esposa, grávida de oito meses e com complicações de saúde, e com ela vem Ofélia, filha do primeiro marido, de quem enviuvou, também não se percebe bem se por mão do capitão, que aparentemente já a cobiçava então.

A pequena Ofélia é dada a contos de fadas e está a ler um livro sobre a princesa de um mundo subterrâneo que veio para o mundo exterior e morreu, mas cujo pai, o rei, nunca parou de procurar em futuras encarnações. Será Ofélia a reencarnação mais recente? O Fauno que se esconde algures no labirinto do jardim parece pensar que sim, mas só se a menina completar três tarefas é que pode ter a certeza.

Ensaio sobre a fantasia e o terror, é um objecto tão desnivelado que falha em ambos géneros. Não tem magia nem aterroriza. O dito oficial é mau porque sim, e já chateia tanto simplismo. É fascista (franquista) e está tudo explicado. O que não se explica é como ele, até prova em contrário um homem comum, resiste a facadas no coração e a doses cavalares de poções para dormir, acabando por assassinar a protagonista só porque não havia patos por perto. O actor é o inexpressivo Sergi Lopez, numa caracterização que poderia ser a continuação de Harry, Um Amigo Ao Seu Dispor.

Esperava-se mais do talento de Guillermo Del Toro, especialmente porque desta vez foi autor do argumento, para além de realizador. A inteligência ficou de fora desta fábula. A protagonista, Ofélia, tem três missões mal esclarecidas e sem nexo para se saber se é uma princesa do submundo, e não há qualquer relação com o mundo de fantasia e o real, visto que a menina não presencia um único acto de crueldade franquista. O vilão é humano, mas virtualmente indestrutível. As regras dos contos de fadas também são violadas: a menina tem três missões a cumprir e falha duas delas, mas ainda assim o Fauno premeia-a. E se a terceira envolve o derramamento de algumas gotas de sangue de um inocente, porque havia esse sangue de ser de um recém nascido e não dela própria? Nada no filme nos indica que ela não seja inocente. E o derramamento de sangue que ocorre deve-se à intervenção de um terceiro e não da menina; conta isso como um acto dela? No mínimo, é discutível.

O Labirinto do Fauno falha em todas as apostas: não é um conto de fadas, não é um filme de terror, não é um manifesto sobre um período negro da História Espanhola, não é sequer narração fantasista de um drama real, não tem suspense nem maravilha. Se o conto de fadas de A Senhora do Lago de Shyamalan era demasiado rebuscado, O Labirinto do Fauno é demasiado simplista, e nem assim é bem conduzido ou faz qualquer sentido.

® Ricardo Lopes Moura

22 Comments:

At 11:41 da manhã, Anonymous Anónimo said...

É a primeira critica negativa ao filme.
Ainda não o vi mas assim que o vir direi alguma coisa, no entanto por tudo que tenho lido e trailers que tenho visto penso que será algo bom.

Bruno Pereira

 
At 3:35 da tarde, Blogger Ricardo Lopes Moura said...

um trailer tem 30 segundos...
eu também me deixei enganar pelo realizador e pelas críticas positivas. a desilusão foi enorme.

 
At 1:08 da manhã, Anonymous Marco said...

Ora antes de mais quero deixar uma coisa clara, respeito que não tenha gostado do filme, tudo bem é a sua opinião, mas há certas coisas que não podia deixar passar em branco que mostram não só uma falta de compreensão na grande parte do filme como uma falta de conseguir por a trabalhar a cabeça quando ela é mais necessária. não falo na generalidade, mas em concreto neste filme.

ora vejamos, e indo por partes, o Labirinto do Fauna nunca se apresentou como uma história de fadas, nem como um filme de terror, apresenta-se sim como um Drama Fantástico, e entre o que diz ser e o que realmente é, vai um grande salto.

em relação à background history, ou seja, o tempo de guerra que se vivia em Espanha serve não só para enquadrar a história num certo tempo mas para dar um impulso à personagem principal de procurar refúgio num mundo que, para ela, seria melhor, sem opressão, mas que ao longo das três tarefas (que diz sem sentido, mas também não sendo bem assim) vem a descobrir que para uns viverem outros têm de morrer ou fazer sacrificios que ultrapassam por vezes a vontade humana.

outra coisa que me intrigou foi a necessidade excessiva de lhe darem explicações acerca de pormenores futeis ao longo de todo o filme. porque razão o espectador irá querer saber se o capitão Vídal se apoderou ou comprou? se calhar está mesmo tudo na sua posse, comportando-se assim como se fosse tudo seu. mas não vi ninguém a falar do Hitler quando surgiram filmes sobre a segunda guerra mundial e perguntar "porque razão ele se comportava como se fosse tudo dele?" ou ainda "porque será que ele simplesmente matava quem se punha no seu caminho?". e acho que a resposta é bem lógica e sem necessidade alguma de existir, quando mais de existir tais questões. é simplesmente um capitão, que está ali a defender o seu terreno e a sua ideologia, e quem se opunha contra a mesma, era morto. simples. se não teriamos também de perguntar-mo-nos "porque razão os rebeldes matavam aqueles que lá foram de cavalo?"...

ele não decidiu somente "chamar" a mulher grávida de 8 meses... ele decidiu chamá-la por duas razões: uma, foi porque queria ter o seu filho por perto quando este nascesse, e segundo, queria que ele nascesse em segurança para certificar-se que tinha descendência. não é só porque lhe apeteceu. e mais uma vez, não nos interessa saber se ele mandou matar ou não o ex-marido da actual mulher do capitão, se não nesse caso coloca-se outra pergunta: haveria uma outra intenção que não a procriação e a asseguração de descendência? é que duvido que houvesse... porque de certeza que seria mais fácil arranjar outra mulher qualquer e engravida-la e já está...

outro ponto interessante, a Ofélia não está a ler um livro sobre essa história, já que a história que diz ela estar presentemente a ler é a história que ela está a viver... seria estranho ela ler a sua própria história.

e é fascista porque sim? o que falta ai é muita história, porque ir ver um filme como este sem um apoio de história é normal que se saia um pouco atordoado do filme e se diga que é fascista só porque sim. e o capitão vidal resistiu a uma facada, se atingiu o coração ao não, a conversa é outra, já que o utensilio usado era uma pequena faca usada para descascar batatas. e ele não resistiu lá muito bem à dose exagerada do medicamento para dormir, ele cambaleava e não era pouco, tanto que isso ajudou (entre um outro pequeno pormenor) a que ele se perdesse no labirinto mais tarde. e o actor Sergi Lopez inexpressivo? nem por isso, ele simplesmente estava a interpretar o papel de um homem que se tinha de manter rígido fosse em que situação fosse... é normal que não pudesse mostrar qualquer tipo de expressão nem sentimento para com os seus subditos. digo eu... duvido que o um capitão fosse muito respeitado se fosse visto a sofrer por um corte ou se quando atacado não se tentasse e esforçasse para se manter de pé.

e a Ofélia tem 3 missões, mal explicadas... duvido, incompreendidas talvez, mas passo a explicar para quem não tenha compreendido. a primeira tarefa era para mostrar a sua valentia. se ainda tinha a força necessária e coragem para começar a viagem nesta encruzilhada. e assim, mostrando que realmente estava preparada para tal, já valeria a pena o fauno dedicar-se a ela e esperar que realmente fosse a princesa que tanto buscava. a segunda prova serviu para mostrar se ela caia num dos famosos 7 pecados mortais... a cobiça ou se se iria manter fiel a si mesma e preferir não cobiçar o que era dos outros mas lutar pelo que viria a ser seu. falhou nesta prova. por fim, a terceira prova, serviu para saber se ela preferia derramar sangue inocente ao dar uma vida para tal tarefa ou se iria preferir adbicar de tudo o que lhe fora oferecido mas nunca desperdiciar uma vida inocente. e essa prova ela passou, tanto que graças a ela teve direito ao seu prémio pois arriscou a sua vida (e perdeu-a) para salvar outra vida que não a dela, pois não iria por em risco a vida de alguém para beneficio próprio. agora, este tipo de coisas são sentimentos e descriçoes complexas para se pensar de cabeça quente. e o derramamento do sangue por parte de um terceiro nao é discutivel, já que era o fauno que ia derramar o sangue do bébe, ou seja, era de um terceiro de qualquer maneira.

e acusar o Larinito Del Fauno ser simplista, é acusar-se a si mesmo de não compreender a profundidade de uma história como esta, mas talvez a idade (?) ou outros motivos não lhe permitam tal coisa.

outra coisa que penso que faltou é construção frásica coerente e não o excessivo uso de repetições "porque sim" ou outras tantas que acabam por tornar o texto ridiculo e entediante.

espero que não leve a mal a minha critica construtiva

cumprimentos

 
At 2:37 da tarde, Blogger Flávio said...

Não concordo nada com a crítica do meu amigo Ricardo Lopes Moura. Adorei o filme e acho que todos os três óscares que ganhou foram justíssimos.

Mas os méritos do filme não se ficam pelo efeitos visuais, o argumento tem também muitos méritos que não devem ser esquecidos: juntar de forma verosímil os contos de fadas e a guerra civil de Espanha não é tarefa pequena, mas os argumentistas sairam-se lindamente, acho eu.

Houve uma fala em particular que achei genial, quando a ama diz que não se deve confiar nos faunos. É um pormenor brilhante dos guionistas que me manteve em suspense ao longo de todo o filme, até à revelação final da verdadeira natureza do bicho. E quando esse final chega, bem, é talvez dos desfechos mais emocionantes e comoventes que tenho visto no cinema.

 
At 2:47 da tarde, Blogger Flávio said...

«e o actor Sergi Lopez inexpressivo? nem por isso, ele simplesmente estava a interpretar o papel de um homem que se tinha de manter rígido fosse em que situação fosse...»

Nem mais, Marco.

Que sentido faria se um militar franquista agisse de outro modo? A expressividade do Lopez está na sua falta de expressividade, na frieza do rosto e na linguagem do corpo.

 
At 3:14 da tarde, Blogger Ricardo Lopes Moura said...

meu caro Marco:
tanto estás no teu direito de gostar como eu de achar que as falhas do filme são mais do que muitas.

em relação às críticas que apontas, vamos por pontos:

- o filme n tem de se assumir como nada, ele tem é de transmitir algo, seja em que género for. Mas "O Labirinto..." simplesmente patina em todos os géneros, sem se decidir por nenhum e falhando em todos.

- o background é uma anedota, um mero artifício para situar "bons e maus". qual impulso é que a situação política de Espanha dá à personagem principal, Ofélia? Nenhum, pq a chavalita é inexpressiva, parece viver no mundo da lua, autista ao que a rodeia - nunca se tem a percepção de ela entender que vive num regime totalitário nem o mundo dos sonhos parece um refúgio disso, mas apenas uma leitura típica da idade dela.

- pormenores fúteis? a base de uma história assenta nos seus pormenores, alicerces para que o resto não caia. aqui cai tudo pela base, que não tem nada de sólido.

- não comparemos hitler a um capitão da guarda, quando muito poderias compará-lo a mussolini ou a franco, mas nunca a um mero oficial de patente média. o simplismo da história é tão atroz que juntar fascista a sociopata foi num passo; e lembro exemplos como o recente "Livro Negro" ou "A Vida dos Outros", em que há sempre um cérebro a funcionar dentro de cada pessoa, seja ele um nazi ou um judeu (só para dar paralelismos). Aqui, o capitão não tem cérebro - mata e tortura pq sim, pq é fascista. é simplismo simplório. o filme quer q o desprezemos e tá tudo dito.

- o capitão chamou a mulher grávida de 8 meses pq queria ver nascer a criança, mas a viagem podia ter posto termo à vida da mulher e do feto e isso ainda era pior. a guerra civil já tinha terminado por alturas do filme, portanto era mais seguro ela ter ficado numa cidade com um hospital do que ali no campo, com uma longa viagem para lá chegar e a possibilidade de ser morta pelos rebeldes no trajecto.

- claro q interessa saber se o capitão matou o pai de ofélia. aliás, n tenho dúvidas q o tenha feito. ele cobiçava a mãe de ofélia quando ela era casada e queria-a para si. o q torna mais idiótico que depois n se importe se a senhora morre ou não, desde que dê à luz.

- os rebeldes mataram os que vinham a cavalo pq era militares franquistas, i.é, o inimigo, e pq estes vinham a perseguir a irmã do chefe dos rebeldes. foi para a salvarem.

- numa fábula, n espanta nada que a Ofélia estivesse a ler a sua própria história - numa fábula, aliás, faria todo o sentido. mas até é duvidoso q ela estivesse a ler a sua ppa história, pq duvido q ela fosse a princesa. ela era apenas uma chavalita parva que morreu no final do filme às mãos do capitão e o resto, de ela descender ao submundo do sonho, foi só um pretexto prás criancinhas n saírem do filme a chorar - um pouco ao jeito do roberto benigni em A Vida é Bela, a dourar a pílula para o filho.

- eu não disse "é fascista pq sim", disse "ele é mau pq sim". i.é, ser fascista retira-lhe automaticamente cérebro ou um objectivo racional para as suas acções? como matar dois pobres caçadores q não eram rebeldes, sem pensar duas vezes? uma coisa é matar o inimigo (rebeldes), outra é matar indiscriminadamente. regresso À comparação com personagens de filmes como "O Livro Negro" ou "A Vida dos Outros".

- ele cambaleou com a poção para dormir? ele pode n ter sido ferido no coração? primeiro, uma gota era suficiente para fazer dormir uma mulher e a ofélia despejou o frasco: até um boi ficava a dormir, quanto mais um homem que estava ferido por uma faca de gume suficiente para trespassar as costelas e atingir orgãos vitais. e não foi uma facada, foi uma nas costas e uma no peito, no sítio do coração, e que ainda foi retorcida na ferida. e se ele se perdeu no labirinto LOL que até abria passagens secretas para ofélia, a verdade é q ele chegou rapidamente onde ofelia estava com o fauno e a matou com um único tiro - para quem tinha sido esfaqueado e drogado, matar uma menina com um único tiro depois de ter andado a correr ofegante por um labirinto... é esticar a corda.

- Súbditos tem um rei e não um capitão, esse tem subalternos. e a inexpressividade dele era de psicopata, n para manter o respeito dos outros militares. ele n era respeitado, era temido, por ser uma bomba relógio.

Admito que não tenha sido uma das minhas prosas mais brilhantes, mas entediante é coisa que ela não é, e erros de construção frásica vais ter de dar exempos em vez de tentares ofender por ofender (já fazes lembrar um certo capitão...). A expressão "porque sim" foi usada uma única vez, ao contrário do que dizes. além do mais, este texto não foi postado aqui automaticamente, passou pelo crivo dos responsáveis pelo Cine7, de que eu não faço parte, por isso obteve aval de quem de direito.

Querer muito que o filme seja bom e esquecer todas as suas falhas está muito bonito, mas não faz com que os outros não vejam essas mesmas falhas e o filme pelo falhado que é.

Claro que não levo a mal a tua crítica. Fica bem.

 
At 1:04 da manhã, Anonymous Marco said...

"qual impulso é que a situação política de Espanha dá à personagem principal, Ofélia?"

vejamos, se não se vivesse em tempo de guerra, e tudo fosse um mar de rosas para a Ofélia duvido que ela procurasse refúgio em contos de fadas...como diz ela "andava aluada" mas era para não pensar em tudo o que de mau se passava à sua volta. duvido que alguém goste assim tanto de viver em constante sobressalto perante uma situação como a que a personagem principal vivia. é completamente normal que ela tentasse salvar o que lhe restava de sanidade nos contos de fadas ou andando no mundo da lua. só ai a background story já se mostra importante. duvido que fosse ser tão bem aceite se a Ofélia vivesse num mundo onde tudo era lindo e bonitinho e que problemas não existiam... então ela refugiava-se nos contos de fadas porque era a considerada miudinha futil que não tem mais nada que fazer do que pensar naquelas criancisses, e graças à background story, torna-se essencial que ela se dedique aos contos de fadas...

"Aqui, o capitão não tem cérebro - mata e tortura pq sim, pq é fascista. é simplismo simplório. o filme quer q o desprezemos e tá tudo dito."
mais uma vez digo, isso não é bem assim... por essa lógica Hitler então também mata e tortura porque sim. é que se for ver as razões porque Hitler tomou as atitudes que tomou, são praticamente as mesmas que o Capitão Vidal acaba por tomar no filme.

"mas até é duvidoso q ela estivesse a ler a sua ppa história, pq duvido q ela fosse a princesa. ela era apenas uma chavalita parva que morreu no final do filme às mãos do capitão e o resto, de ela descender ao submundo do sonho, foi só um pretexto prás criancinhas n saírem do filme a chorar - um pouco ao jeito do roberto benigni em A Vida é Bela, a dourar a pílula para o filho."
ela não era uma chavalita que morreu nas mãos do capitão... ela para mostrar que ERA a princesa teve de fazer tudo o que fez. ou seja, como comprovou que era digna de tal recompensa, ela sim era a reencarnação da princesa.

"eu não disse "é fascista pq sim", disse "ele é mau pq sim". i.é, ser fascista retira-lhe automaticamente cérebro ou um objectivo racional para as suas acções? como matar dois pobres caçadores q não eram rebeldes, sem pensar duas vezes?"
como já disse, ele não é mau porque sim... ele é mau por todos os factores que o rodeiam e pela missão que ele tem à frente. é suposto ele matar todos os rebeldes sem questiona-los. são rebeldes que querem deitar abaixo a ditadura fascita, logo estão contra quem quer a ditadura fascista, então terão de ser abatidos. muito fez o Capitão Vidal ainda em ter perguntando aos camponeses o que lá faziam, e foi graças aos restantes "subditos" do capitão vidal que os camponeses morreram. eles fizeram mal o seu trabalho e graças a isso o capitão fez o seu trabalho correctamente, contudo vinha um erro anterior.

"- ele cambaleou com a poção para dormir? ele pode n ter sido ferido no coração? primeiro, uma gota era suficiente para fazer dormir uma mulher e a ofélia despejou o frasco: até um boi ficava a dormir, quanto mais um homem que estava ferido por uma faca de gume suficiente para trespassar as costelas e atingir orgãos vitais."
foi em alturas distintas e não tudo de seguida. as facadas foram numa altura, e o remédio para dormir foi noutra altura. penso que com um dia de diferença. claro que contiuava debilitado graças ao ataque, mas já tinha recuperado minimamente, e alguém que cose as feridas a sangue frio, duvido que não aguente por um bocado essa dose de remédio que tomou. também admito que foi tudo um pouco "esticar a corda" como diz, mas atenção que estamos num filme, de certeza que em muitos outros filmes há coisas piores que deixa passar, e vendo bem esta até é daquelas que nem se questionam já que durante todo o filme ele nem um "ai" nem um "ui" liberta. ou seja, forte ele era... não me admira que aguente bem o que tinha em cima.

e há outras coisas que disse mas que não mencionou, mas uma das duas: ou realmente viu que não era algo que tornasse o filme tão mau como descreve, ou não arranjou explicação para o porquê de dizer que é mau.

mas uma coisa aconselho, é rever o filme com vontade. ir sempre além do que é mostrado no filme. reflectir sobre o que se está a presenciar. porque um filme destes, não é só o que está á frente dos olhos, é sempre algo mais, e ainda bem que assim o é.

cumprimentos

 
At 1:09 da manhã, Anonymous Marco said...

esqueci-me de um ponto:
"além do mais, este texto não foi postado aqui automaticamente, passou pelo crivo dos responsáveis pelo Cine7, de que eu não faço parte, por isso obteve aval de quem de direito."

uma coisa é passar pelas mãos de responsaveis e verificar se o texto tem algo que possa ferir susceptibilidades ou que vá de encontro às regras tidas em conta pela administração, outra é olhar para um texto e ver se ele está bom ou não. duvido que alguém negue colocar aqui o texto de alguém só porque está bom ou mau... por isso, passar pelas mãos da administração do blog, não é sinal de que o mesmo esteja bem construído.

outra coisa, também nunca tive intenção de insultar. para mim insultar era se chegasse aqui e dissesse somente que voce ou a critica em si era X ou Y e nem me dignasse a explicar. eu como disse, fiz uma critica construtiva á sua análise explicando sempre o porquê de achar que estava errado ou certo. por isso é que disse (e volto a repeti-lo) que esperava que não levasse a mal o que disse.

 
At 12:01 da manhã, Blogger Ricardo Lopes Moura said...

meu caro Marco,
continuas a confundir o que o filme deveria ter sido com o que ele de facto é. dizeres "ir sempre além do que é mostrado no filme" é a prova de que o filme não corresponde ao que se propôs.

o filme falha em todos os pontos que assinalei, e provavelmente falha noutros também. é um projecto que não conseguiu descolar.

Tenho a certeza de que o realizador ficaria feliz com a tua defesa fervorosa, mas também D. Quixote perseguia moinhos de vento. Ele via gigantes em vez de moinhos, assim como tu vês... o que quiseres ver.

mas não queiras que todos se iludam como tu.

 
At 7:50 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Ir mais além do que é mostrado no filme significa que o mesmo não cumpre o que propôs???

Com o devido respeito, acho esta ideia ridícula. Onde entrariam as metáforas, a livre interpretação e as mensagens subliminares que as cenas sugerem, que toda uma história sugere? Parece-me que para este crítico as coisas têm de ser terra-a-terra, completamente explicadas (como sugere que alguns pormenores secundários não tenham sido explicados)Um filme não poderá abordar também vários géneros? Tratou-se, quanto a mim, de uma interessante mistura entre uma história real, e um mundo imaginário de uma criança (que procurou-o exactamente como fuga à história que vivia). Mas acho que devemos ter um espírito aberto para nos deixarmos levar por isto mesmo... Apelidar a cena que Ofélia chega ao trono de desculpa para as criancinhas não sairem desiludidas...é mostrar alguma falta de abertura de espírito e pensamento subjectivo..acho.

Cumprimentos
André M.

 
At 9:22 da tarde, Blogger _Loot_ said...

Todos temos direito à nossa opinião e ainda bem que diferem entre nós. Mas confesso que depois de ler o texto, também fiquei com a sensação que faltou compreensão da sua parte, não pretendo ofender com esta frase, mas no mínimo interpretámos o filme de uma forma completamente diferente, isso é certo.
Muitas dessas coisas já foram abordadas nestes comentários e seria cansativo estar a bater de novo na mesma tecla.
Dito isto apenas quero dizer que a minha opinião é completamente diferente da sua situando-me no grupo daqueles que amou este filme.

 
At 9:46 da tarde, Anonymous Marco said...

Ricardo Lopes Moura

antes de mais nada deixe-me dizer que estou a adorar trocar estas opiniões consigo, acho que em qualquer que seja o filme a melhor parte é aquela em que trocamos opiniões, e tudo isto não passa disso mesmo. voce tem a sua opinião, e eu respeito-a, contudo dou a minha opinião mostrando o porquê de ser contrária à sua. penso que isso esteve sempre esclarecido desde o inicio...

mas, agora veja (ou se já viu, relembre) este filme: Lost in Translation. o filme é dos meus favoritos, e dos melhores que apareceram nos últimos anos, e será que se não fosse a nossa aptidão de ver sempre mais além do que é mostrado o filme teria a mesma magia que teve? será que se soubessemos o que Bob Harris disse ao ouvido de Charlotte o final teria tido o mesmo impacto do que se tivessemos ouvido? ou seja, esse segredo é o que cada um quiser interpretar, o que cada um quiser retirar do filme, e de certeza que se tem que ir além do que é mostrado (e não falo só dessa cena em especifico).

por isso, um filme não mostrar tudo preto no branco não é sinal de que ele tenha falhado, é sinal que é capaz de nos deixar a pensar acerca disso, e convém que o faça, porque ir ao cinema para nem sequer exercer qualquer tipo de actividade mental após o mesmo é sinal de que foi dinheiro mal gasto...

 
At 12:30 da manhã, Blogger Ricardo Lopes Moura said...

haha - meu caro Marco, deve ser a primeira vez que faço uma crítica tão impopular... ou não.

seja como for, eu amo o género fantástico e senti-me defraudado com este Labirinto em linha recta.

Fui ao cinema para ser surpreendido e maravilhado, mas o filme não descola, deixou-me em terra. É verdade que uma película não precisa de fazer a viagem toda, mas Guillermo del Toro nem chega a dar à ignição.

E eu tinha confiança nele, porque adorei o que ele fez ao Blade e ao Hellboy, para dar dois exemplos.

claro que a troca de opiniões é sempre boa, desde que seja construtiva. Tu deixaste-te encantar pelas portas que o filme te abriu, mas para mim elas ficaram apenas entreabertas. com um pouco mais de trabalho no guião, podíamos ter tido algo muito melhor.

só faltaste à verdade ao apontar raivosamente "que faltou (...) construção frásica coerente" e não soubeste dar exemplos; falaste num excessivo uso de repetições "porque sim", quando a expressão foi usada uma única vez; e chamaste ao texto de ridiculo e entediante, com isso mostrando alguma pequenez de razão (uma vez mais, sem dares exemplos, e foste muito minucioso no resto).

convido-te a clicares no meu nome e a dares um salto ao meu blogue, www.axasteoque.blogspot.com, onde encontrarás praticamente 300 críticas com que concordares e discordares. ah, claro, e desafio-te a apontares más construções frásicas em qualquer texto.

uma vez mais, fica bem e continua a dar a tua voz.

 
At 1:05 da tarde, Blogger linfoma_a-escrota said...

NAO compreendo como nao podes gustar deste filme e gostar duma merdóla americana de nome snakes on the plane, quase pareces critico profissional a criticar nestes termos.....


curte isto

www.videodroma.blogspot.com

detesta isto

WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

 
At 9:34 da tarde, Blogger Ricardo Lopes Moura said...

linfoma, só tu para seres sexy a dizer mal por dizeres...

aposto que nem leste a minha crítica ao snakes on a plane. mas ainda vais a tempo!

 
At 3:24 da manhã, Anonymous Um amigo brasileiro! said...

Há que se perceber que, pelo que parece, o filme relata toda situação dramática da vida de uma menina a partir de um ponto de vista dela própria. Qual seja também um ponto de fuga de suas mazelas, pois a pobre criança vai criando um mundo fantástico, que ela conhece dos livros de contos de fada, e a partir desta sua visão surreal das coisas é que a vida torna-se suportável. Se as três provas não fazem sentido é porque não têm mesmo, a criança formula situações imaginárias pelo simples fato de nestes momentos a fuga da realidade ser melhor que suportar a própria realidade. Não por acaso, as "provas" são propostas em momentos complicados à vida de qualquer criança.
Outros detalhes tinham que ser afetados também pela noção da criança, como o tamanho e tipo de casa, a forma e quietude que o labirinto talvez pudesse lhe sugerir e o Capitão fosse ou não isto ou aquilo, aos olhos de uma criança naquelas condições sempre seria o mais perverso dos homens e Ofélia( a menina) logicamente a heroína, a princesa, que até por isso mesmo acaba passando no teste, pois para o fauno que ela criou, e para ela mesma, não sujeitar-se ao Capitão a torna merecedora. Mas é claro que precisa-se de um pouco de sensibilidade para ver com a ótica de uma criança e, ainda, não se deixar afetar pela interpretação alheia, pois se alguém vai assistir um filme apenas pelo que disseram dele e deixa de lado o filme em si isso compromete o valor da obra por si memsma.
Apenas registro, para concluir, que penso que o filme é mediano para bom, peca´por não deixar mais pistas de suas intenções mas não chega a ser desastroso como dito, parece-me que a crítica ficou mais no que o autor desta gostaria que o filme fosse do que na obra por si mesma!

 
At 3:06 da tarde, Blogger Carol said...

Uma pena, mas foram poucos os que realmente compreendeream esse filme maravilhoso e repleto de metáforas. É claro que é possível fazer uma leitura linear, porém ele somente é verdadeiramente decifrado se o olhar do espectador for além do óbvio.
Resumidamente, eu diria que "O Labirinto do Fauno" conta a história de todos nós, do mundo ríspido que o homem contrói e do mundo de salvação que se pode ter se em contato com o Divino. A vida de restrições, de dor, de perdas, de traição, de desamor e de injustiça que construímos ao nosso redor e a fantasia real que há além do apego ao material, ao visível, ao mundano e, consequentemente, À PRÓPRIA VIDA. O Fauno representa a natureza, e, por que não, o próprio Deus. Ofelia, em sua ingenuidade infantil, ainda crê no mundo de fadas (que não necessariamente é ilusório) que todos nós cremos na nossa infância. Ela vive um momento de transição, quando começa e entender o mundo adulto e sua inocência está por um fio. O mundo "civilizado" nos obriga a esquecermos dessas "bobagens". Ela entra em contato com o Divino, que só ela enxerga (pois o mundo adulto fechou os olhos para ele), e é guiada por ele. O sapo gordo representa o mundo capitalista, os homens que só querem mais e mais para si, destruindo o que há ao redor para seu próprio contento. Homens, países, civilizações "gordas" e eternamente insatisfeitas, que apodrecem com sua ambição a sua própria morada (nosso planeta, cidades, florestas), representados pelos animais que ele come incessantemente e pela árvore onde ele vive (que está morrendo).
Mas Ofelia também é humana, e falha na segunda missão.
A terceira missão mostra seu desapego para com a própria vida. Seu irmão representa o futuro e toda a irmandade entre os seres humanos. Quando abre mão de sua vida, Ofelia oferece futuro, assim como Jesus quando abriu mão de sua vida pelos homens. Minha interpretação do filme faz um paralelo muito próximo ao cristianismo, à percepção do "algo mais", ao Divino que não poderia ser representado por personagens senão lúdicos.
Reparem que, na casa do Fauno (ele mesmo, ao se descrever, diz ser feito das florestas, e seu nome proferido apenas pelos ventos), na parte central há uma tábua com desenhos, que parecem ser a Sagrada Família. Não necessariamente um filme religioso, ele apenas conta a história do Divino em cada um de nós, nossa origem, nossas missões terrestres de uma forma maravilhosa e acessível a quem esteja preparado para percebê-la.

 
At 5:50 da tarde, Blogger Killing said...

Afff, sério, sem filmes pra vc a partir de agora. Não não. Vai assistir American Ninja 3 ou Escola do Rock q é mais o seu nível.

 
At 5:20 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Olha, eu nunca vi um filme, tão
horriveel, qnto a esse :X
assisti na escola e foi a pior coisa
quem fez criticas booas, tah BEEEEEM heeein :S fala serio LIXO esse filme

 
At 12:39 da tarde, Anonymous linguadefaca said...

Parabéns ao criador do blog pela ótima crítica negativa. Só assim a discussão se acirra e opiniões divergentes vêm à tona, contribuindo cada vez mais para a divulgação de filme tão maravilhoso! Saudações à todos.

 
At 4:33 da manhã, Blogger Daniel said...

Cara, você é um bom crítico. Mas está claro pra quem vê o filme, que é necessário cavar muito pra criticar, porquê o filme é MUITO bom... é arte! Aquela dualidade de dimensões. A maioria das provas e conversas quase não faziam sentido, mas isso apimenta o filme! Tem nem o que dizer... a fantasia desse filme é IDEALISTA. Mesmo com a realidade política bruta, ele conseguiu elevar a fantasia paralelamente de modo tão vivo!

Maquiagem perfeita a do fauno também... :)
abraço.

 
At 1:46 da manhã, Anonymous Anónimo said...

nao tem graça porque ela morre no final da quela vida nem teve castigo

 

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